25 de agosto, de 2010 | 21:00
Programa Minha Casa, Minha Vida fora da realidade em Ipatinga
Dificuldade em encontrar imóvel no valor de R$ 100 mil inviabiliza transações
IPATINGA Interessados em participar do Programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, encontram dificuldades em participar do programa no município. Isso porque não são encontrados imóveis de até R$ 100 mil. Todas as unidades colocadas à disposição no mercado estão acima do valor máximo estipulado. A informação é do correspondente bancário vinculado à Caixa Econômica Federal, Agenor Agostinho das Chagas. Segundo ele, quando raramente aparece um imóvel no valor determinado, a venda da propriedade é bem rápida.
Quando o programa Minha Casa, Minha Vida foi lançado, a meta era construir 1 milhão de moradias, divididas em três grupos. O primeiro inclui as moradias para famílias de baixa renda que ganham até 3 salários mínimos por mês. Para este grupo, que concentra quase 90% do deficit habitacional, estavam previstos R$ 16 bilhões para a construção de 400 mil moradias.
O que ocorre, segundo Agenor, é justamente que essa faixa de público está sendo prejudicada porque as construtoras encontram dificuldade de viabilizar imóveis para o Programa Minha Casa, Minha Vida em razão do preço dos terrenos. Todas elas reclamam que o preço dos lotes está muito alto. Tem alguns empresários que estão construindo para esta camada da sociedade, mas são poucos. Eu costumo dizer que o trabalhador em Ipatinga não tem espaço para morar aqui”, reclama.
Frustração
Para o correspondente, o custo de um terreno em Ipatinga é muito alto quando se compara ao metro quadrado com outra cidade do mesmo porte. Ele explica que uma das bases da construção é o custo do metro quadrado do terreno. E isso é muito relativo porque os preços dos imóveis nos bairros em Ipatinga são muito inflacionados. Achar um lote no valor de até R$ 100 mil é muito difícil”, pontua.
Agenor considera que, para resolver o problema do candidato a adquirir a casa própria por meio do Minha Casa, Minha Vida, a solução seria a intervenção do poder público. Nesse caso, o governo municipal entraria num programa específico em parceria com a Caixa Econômica Federal, com prestação limitada a 10% da renda do cidadão, que vai variar entre R$ 50 e R$ 150. Quem quer a casa própria por meio deste programa quase sempre sai frustrado. Eu não percebo nenhum movimento para resolver isso”, pontua.
Na opinião do correspondente, há outro problema. O Programa Minha Casa, Minha Vida não contempla imóvel usado. Isto poderia movimentar a economia. Com isso estaria gerando emprego, movimentando impostos”, disse.
Alternativa
Uma das alternativas encontradas pelos interessados é a compra de lotes em bairros de Santana do Paraíso e que ficam no entorno de Ipatinga, casos do Cidade Nova, Jardim Vitória e Parque Caravelas, onde ainda é possível encontrar lotes na faixa de R$ 70 mil.
Outra sugestão apontada por Agenor é a aprovação de um crédito habitacional de forma que o interessado financie a aquisição do terreno e a construção do imóvel. Se a pessoa consegue contratar R$ 90 mil, ela destina parte para compra de lote e a outra parte para construção. É uma saída. Mas por enquanto só é possível fazer isso em Santana do Paraíso, nos bairros mais próximos de Ipatinga”, explica.
Agenor Agostinho aponta outra alternativa: desafiar os empresários a produzir e encarar o mercado da construção civil como uma frente geradora de renda. As construtoras não vêm para Ipatinga porque enxergam chances de ganho menores, porque o custo do terreno é muito alto e não tem tanta disponibilidade de área. Mas, se o poder público interviesse, conseguiria porque não há desembolso, é um programa que se banca. A prefeitura seria apenas um agente”, conclui.
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