01 de setembro, de 2010 | 02:30

Drama familiar revolta servidor

Fanatismo religioso de mãe e cunhadas afasta pai da filha de sete anos

Thaís Dutra


MARCELO SANTANA

IPATINGA – Há cerca de oito meses, o servidor público Marcelo Santana, 34, morador do bairro Vila Militar, empenha suas forças em apenas um objetivo: encontrar a filha de sete anos, afastada dele pela própria esposa, por razões de cunho religioso.
A mãe da garota, a empresária E.M., sócia de uma loja localizada no bairro Horto, desapareceu com a criança em janeiro, dias depois do aniversário de sete anos da menina. Desde então, o pai já viajou por diversas cidades da região na tentativa de encontrar a garota e busca, na Justiça, a guarda compartilhada da criança. O processo corre no Juizado Especial.
O drama vivido por Marcelo e seus familiares seria fruto do fanatismo religioso da esposa. Conforme o servidor, no final do ano passado, E.M. passou a frequentar, quase que diariamente, uma igreja evangélica no bairro Veneza. Uma das irmãs da mulher, também frequentadora da instituição, teria influenciado E.M. a afastar o esposo de casa e a desaparecer com a filha, sob a alegação de que ele teria um “pacto com o demônio”.
“Essa irmã disse a ela que recebeu revelações na Igreja, dizendo coisas absurdas – que eu era pedófilo, estuprador, homossexual, traficante, pai de santo, chefe do Vale do Amanhecer e satanista. E que eu iria matar a minha filha, pois precisava do sangue dela para consolidar um ritual satânico, que me garantiria riqueza e fama”, contou Marcelo Santana à reportagem, que gravou toda a conversa com a esposa no celular.
As cunhadas e E.M. teriam ido ainda mais longe no campo do fanatismo. “Certo dia, antes do desaparecimento da minha filha, fui buscar minha irmã e minha mãe no aeroporto de Confins, e uma das irmãs de E.M. disse que eu havia ido a Belo Horizonte para comprar materiais satânicos. Outro fato absurdo é que elas levaram para a igreja uma boneca que dei para minha filha, para o brinquedo ser queimado pelos pastores. Isso porque a boneca tinha um sistema que a fazia falar e, segundo elas, isso era uma manifestação do demônio”, contou o marido.

Desaparecimento
Influenciada pelas “revelações”, a mulher teria obrigado o marido a deixar a casa dos sogros, no bairro Bom Retiro, onde eles moravam, e a retornar para a casa de seus pais, no Vila Militar. Desde então, E.M. está desaparecida com a filha. Já foi intimada seis vezes – quatro pela Justiça e duas pelo delegado que cuida do caso, mas nunca apareceu. Abatido com o longo tempo de buscas, Marcelo teme pela saúde física e psicológica da menina.
“Tenho medo que ela esteja vivendo em cárcere, até mesmo aqui em Ipatinga. Sei que minha filha deixou de frequentar a escola. Decidi levar isso a público porque a Justiça é morosa, e eu preciso de informações da minha filha. Cada dia que eu vou dormir sem ouvir a voz dela é um tempo perdido, que não volta mais. Não quero punir ninguém. Apenas ter a minha filha de volta, para tentar compensar esse tempo perdido com muito amor”, desabafa o pai.
E.M. e as irmãs foram denunciadas por Marcelo por calúnia e difamação.
Nova lei aumenta esperança do pai
Na última sexta-feira (27), a esperança de Marcelo em conquistar a guarda da filha foi aumentada por uma lei, sancionada pelo presidente Lula. A norma pune pais e mães que tentam colocar seus filhos contra o ex-parceiro, comportamento conhecido como alienação parental.
A nova legislação prevê multa, a ser definida pelo juiz, acompanhamento psicológico ou perda da guarda da criança.
Diante de uma denúncia de alienação parental, o juiz deverá solicitar um laudo psicológico para verificar se a criança está, de fato, sofrendo manipulação. Verificada a veracidade das acusações, o juiz poderá “ampliar o regime de convivência familiar em favor do genitor alienado, estipular multa ao alienador, determinar acompanhamento psicológico ou determinar a alteração da guarda do menor”.
 
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