14 de setembro, de 2010 | 21:02

Trabalhadores se mobilizam contra a falta de creches

Audiência vai abordar problema que afeta duas mil crianças em Ipatinga

Thaís Dutra


SANDRA SILVA - SECI

IPATINGA – O debate sobre a carência de creches em Ipatinga será estendido a toda a população no próximo mês. No dia 6 de outubro, semana que antecede as comemorações do Dia da Criança, o Sindicato dos Trabalhadores do Comércio de Ipatinga (Seci) realizará na Câmara Municipal, às 18h, a primeira audiência pública para debater o problema junto aos trabalhadores e outros segmentos sociais.
A mobilização ocorrerá também em várias cidades do país até o dia 12 de outubro, considerado o Dia Nacional de Luta por Creche, além de ser o Dia da Criança. 
Segundo a coordenadora de assuntos especiais do Seci, Sandra Helena Silva, a data foi criada ainda em 2002, no Encontro Nacional de Mulheres no Setor de Comércio e Serviços, realizado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio e Serviço (Contracs/CUT).
No entanto, este será o primeiro ano que o sindicato de Ipatinga abraça a campanha oficialmente. “Nas nossas pautas de campanhas salariais, a reivindicação por creches sempre esteve presente. Resolvemos aderir ao movimento nacional porque a situação na cidade está realmente bastante precária”, considerou.
Além da quantidade insuficiente de creches no município, a coordenadora destaca entre os problemas atuais o horário de funcionamento das instituições. “As creches públicas funcionam das 8h às 17h, mas o comércio fica aberto normalmente até as 18h e, no período do horário de verão, até as 19h. Para as trabalhadoras do comércio, esse é um grande problema”, apontou.

Pesquisa
Pesquisa encomendada pelo Seci, em 2008, revelou que, do total de 10 mil trabalhadores do comércio à época, apenas 2% dos que tinham filhos menores de quatro anos deixavam as crianças em creches.
Atualmente, segundo dados do Cadastro Nacional dos Empregados e Desempregados (Caged), a cidade conta com 15 mil trabalhadores no comércio e serviços. Destes, 1.900 teriam filhos menores de quatro anos. 
Conforme o conselheiro tutelar Ronaldo Mota, há duas mil crianças na fila de espera por uma vaga em creches públicas. Mensalmente, chegam ao Conselho Tutelar cerca de 150 solicitações por vaga. Muitas mães aguardam mais de um ano para conseguir um espaço para o filho na rede pública.
Para atender à demanda reprimida, seria necessária a construção de pelo menos 20 novas creches, com capacidade para 100 crianças. “Os reflexos dessa carência são diversos. Vemos crianças de 12 anos cuidando dos irmãos pequenos, acidentes domésticos, além de casos de violência sexual. As crianças ficam desassistidas e os pais precisam trabalhar”, revelou o conselheiro.
A assistência gratuita aos filhos e dependentes, desde o nascimento até seis anos de idade em creches e pré-escolas, é um direito garantido pela Constituição Federal ao trabalhador urbano e rural.
 
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