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14 de setembro, de 2010 | 23:00

Vale do Aço busca inserção em um mercado bilionário

Empresários assimilam conhecimentos em feira internacional sobre petróleo e gás

Alex Ferreira


FORÇA DE MINAS

RIO DE JANEIRO – A Missão Empresarial do Vale do Aço que participa no Rio de Janeiro, desde ontem, da feira Rio Oil & Gas Expo and Conference, tem a oportunidade de conhecer tecnologias do mundo todo neste segmento. A missão, composta por vinte empresários e organizada pelo Sindicato das Empresas do Setor Metalmecânico (Sindimiva), participa de rodadas de negócios e estabelece contatos com fornecedores de tecnologias. Neste ano, os industriais não trouxeram produtos e serviços para exposição, como fizeram na edição anterior da feira, considerada a segunda maior do mundo. Eles optaram por visitar estandes e ampliar a rede de relacionamentos.
Foi participando de feiras como essa, no Riocentro, que um grupo de empresas do Vale do Aço conseguiu uma primeira inserção no bilionário negócio de fornecer para os setores naval e petroquímico. E há espaço para uma participação ainda maior, o que depende de algumas medidas importantes a serem tomadas a partir de agora por todos os envolvidos no processo produtivo.
A feira Oil & Gas 2010 é um território internacional. Bem ao lado do estande da Rede PetroMinas, na qual 14 empresas mineiras expõem produtos e serviços, há um estande da Dinamarca; do outro lado são os ingleses e alemães. Mas é impossível não notar a presença dos chineses. Eles não têm um estande, têm um setor inteiro, composto por dois corredores de estantes em que vendem de válvulas a parafusos.
“Não há produto que eles não tenham”, avalia o industrial timoteense Carlos Afonso de Carvalho, da Ramac, empresa especializada em usinagem. Lafaiete Silvério, da IventVision, de Belo Horizonte, veio expor um modelo de câmera programável para o controle do processo de produção e várias outras aplicações. Lafaiete é uma exceção na feira onde a maioria dos expositores é de outros países.
“O Brasil tem um amplo mercado mas, infelizmente, é dominado pela tecnologia estrangeira. Está muito claro que investir aqui é muito caro. Eu sou um otimista e insisto em criar e enfrentar essa competitividade”, resume.
Os empresários ipatinguenses usam o estande da Rede Petro como ponto de apoio no imenso espaço do Centro de Convenções do Rio de Janeiro. A rede foi criada em 2003, a partir de uma experiência bem-sucedida no Rio Grande do Sul, em que empresas se uniram para a promoção de negócios. Em Minas, a iniciativa teve apoio do Sebrae, Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Onip e governo estadual.

Perspectivas
O consultor e coordenador da Rede PetroMinas, Cláudio Veras de Souza, afirma que não há outra forma de os empresários do Vale do Aço se inserirem no setor de petróleo e gás se não for a partir da busca do conhecimento e de como os contratos são fechados. Veras lembra que há oito anos o setor de produção de petróleo é o primeiro no Produto Interno Bruto (PIB) – a soma de todas as riquezas produzidas no país. Para os próximos anos, estão previstos investimentos de US$ 200 bilhões (até 2014) só pela Petrobras. “O Brasil é a bola da vez na indústria do petróleo e gás e essas empresas mundiais aqui ao nosso redor já são o reflexo das descobertas do óleo na camada oceânica, o pré-sal”, observa.

Futuro
Na avaliação dos representantes das empresas que participam da feira Rio Oil & Gas Expo and Conference, aqueles que acreditam na extinção do uso dos derivados de petróleo como matriz energética estão enganados. Palestras no Riocentro, em inglês, espanhol, alemão e outros idiomas, traduzidas simultanemente por estudiosos do assunto, tratam de divulgar o que eles acreditam ser a verdade sobre o tema.
Alguns dizem que, na verdade, o mundo caminha para modelos de máquinas mais eficientes do ponto de vista de consumo.
“Daqui a alguns anos o petróleo pode até perder a importância, mas os modelos viáveis até agora, de carros elétricos, por exemplo, não eliminam totalmente o consumo de combustíveis. Podemos falar, então, em um motor híbrido, que usa os combustíveis nas arrancadas e depois a eletricidade para manter a velocidade alcançada”, afirma.
Sobre as fontes alternativas, dos biocombustíveis, o entendimento é que não há biomassa suficiente para substituir o uso dos derivados de petróleo. A conversa, então, caminha para outra direção: a da suficiência das reservas. Cláudio Veras lembra que as previsões pessimistas sobre o fim do petróleo surgiram em uma época em que a tecnologia existente retirava apenas 40% do óleo existente nas reservas. Atualmente, essa tecnologia permite retirar até 70%, e novas fontes, como a do pré-sal, têm sido descobertas.
Alex Ferreira


TECNOLOGIA

Recuperar o tempo e investir em tecnologia
Um dos entendimentos hoje é que, definitivamente, o Vale do Aço preocupou-se muito com a produção e pouco com a tecnologia. À exceção das pesquisas das grandes empresas e dos pesquisadores das escolas de ensino superior, faltam investimentos nessa área, e competir com empresas mundiais no setor de óleo e gás é uma tarefa mais árdua do que deveria ser.
O Sebrae-MG desenvolve, desde 2005, o Projeto Metalmecânico do Vale do Aço, já com alguns resultados práticos, por meio da metodologia da Gestão Estratégica Orientada para Resultados (Geor).
A informação é do consultor técnico do Sebrae no Vale do Aço, Fabrício César Fernandes, acrescentando que a unidade aberta do Senai em Ipatinga é um dos resultados desse projeto. “Na reunião que tivemos em junho, caminhamos para a necessidade da instalação de um centro de tecnologia da solda, em função da possibilidade de se fornecer para a Petrobras e indústria naval”, explica.
Há um Estudo de Viabilidade Técnica e Econômica (EVTE), para verificar a possibilidade de se instalar o Centro de Tecnologia na região.

(*) O jornalista viajou ao Rio de Janeiro a convite do Sindimiva
Alex Ferreira


FEIRA OIL AND GAS2

O que já foi publicado:

De olho em um negócio milionário - 14/09/2010
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