22 de setembro, de 2010 | 22:03

Violência física e psicológica

Estado é responsável pela proteção e inclusão social das crianças e jovens

Diego Grez


VIOLÊNCIA

IPATINGA - Os resultados da pesquisa da enfermeira Márcia Elena Andrade Santos com adolescentes de uma escola pública de Ipatinga revelam a interligação da inserção precoce no mercado de trabalho com a violência. As condições dos serviços declarados indicam pontos que provocam sofrimento, desgaste e doenças, configurando-se, então, como uma forma de violência contra os adolescentes.
Os tipos de violência psicológica foram os de maior incidência entre os estudantes, relacionando-se a fatores de apoio social e autoestima. Ainda assim, segundo a professora, podem acarretar comprometimento na formação da personalidade, do ego, no estabelecimento de relações sociais e nas atitudes frente a eles mesmos e frente ao mundo.
As violências físicas severas ocorreram com menor frequência no grupo estudado. Entre os principais perpetradores estavam irmãos (47,5%), colegas (42,3%) e pais (30,9%). O grupo de adolescentes que trabalha acrescentou colegas de serviço (6,9%), patrões (5,5%) e clientes (2,1%). Os adolescentes opinaram sobre os riscos do trabalho precoce. Segundo eles, as principais consequências são dificuldade de aprendizagem, sentimentos negativos em relação ao próprio trabalho e tornar-se adulto antes do tempo.
Os estudantes apontaram também que os momentos de lazer tornam-se escassos e relacionaram o que faziam nas folgas: assistir a programas de TV (17,7%), conversar com os amigos (17,7%), navegar pela internet (17,0%), participar de práticas religiosas (9,3%) e namorar (8,2%).
Efeitos físicos e emocionais
Para a professora Márcia Elena, “o trabalho precoce retira desses meninos e meninas os direitos essenciais de sobrevivência e cidadania, garantidos na Constituição”. E conclui: “Não podemos nos esquecer que o Estado é responsável por proteger e garantir a inclusão social dessas crianças e jovens.”
Relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi), de 2007, demonstra que o trabalho precoce interfere diretamente no desenvolvimento de crianças e adolescentes nos seguintes aspectos:

Físico – pode provocar deformidades físicas e doenças, frequentemente maiores às possibilidades de defesa de seus corpos;
Emocional – dificuldade para estabelecer vínculos afetivos;
Social – o direito ao convívio social com seus pares é negado pela sociedade, quando crianças e adolescentes são obrigados a realizar atividades que pressupõem maturidade;
Educacional – maior incidência de repetência e abandono da escola;
Democrático – dificuldade de acesso à informação, impedindo os jovens de conhecer e exercer seus direitos plenamente.
Violência psicológica

Percentual de estudantes que disseram ter vivido situações de violência

Variáveis                                                            Total (%)

Humilhação                                                       55,6
Gritos (por qualquer motivo)                          72,2
Críticas (ao que é ou faz)                                84,0
Piadas (sobre você)                                        71,0
Apelidos (nomes desagradáveis)                68,6
Culpa (por falhas cometidas por outros)    59,6
Aparência                                                           49,8
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