25 de setembro, de 2010 | 17:45

Dor de cabeça com adolescentes

Jovens tentam burlar as regras nos estúdios de tattoo

Tânia Rabe


AMANDA AGUIAR

IPATINGA - Em cidades como São Paulo, é proibido aos estúdios fazer tatuagens e piercings em menores de 18 anos de idade. Em Nova Iorque, a tatuagem foi proibida na década de 1960, depois de um surto de hepatite B na cidade. Em Ipatinga, o atendimento a adolescentes ainda está em fase de análise.
Alguns estúdios fazem os procedimentos somente com a presença do pai ou da mãe. Outros não atendem de jeito algum, como é o caso do Artetude Tattoo, também no Centro de Ipatinga, onde atuam dois tatuadores – Henrique Silva Guedes Folly, conhecido como “Leitinho”, e a mulher dele, Camila Folly Baptista.
“Não atendemos menores de 18 anos, mesmo com a presença dos pais. É norma da casa”, afirma “Leitinho”. Segundo ele, o adolescente é ainda imaturo, pode mudar de ideia e, no caso da tatuagem, fica difícil voltar atrás. “Há recursos como a utilização de laser, mas não tenho conhecimento deste procedimento na região, e nem sempre os resultados são satisfatórios”, alerta.
Alguns estúdios já enfrentaram processos na Justiça, movidos por pais de adolescentes. Em um dos casos, o jovem falsificou a assinatura da mãe para fazer a tatuagem. “Tomamos o cuidado de conferir a documentação e só fazemos tatuagens ou piercings com a presença do responsável”, relata Léo Tattoo. O caso mais recente foi o de uma menina, acompanhada pela empregada da família, que tentou se passar por mãe da adolescente. 
Para evitar processos, os próprios tatuadores estão mais cautelosos. Mas há uns 10 anos muitos adolescentes forjaram assinaturas para conseguir aplicar piercing, geralmente no umbigo, que era modismo na época. Foi o caso de A.M.B., que hoje é advogada, casada, e que prefere não se identificar.
“Sabia que minha mãe não ia deixar, então assinei o nome dela no termo de autorização. Ela só descobriu o piercing meses depois e ficou muito brava. E não foi pelo piercing em si, mas pela falsificação do documento”, conta. A moda passou para a advogada e, do episódio, só restou um ponto imperceptível no umbigo.
Na orelha pode
Amanda Andrade Aguiar, 15 anos, cursa o 1º ano do ensino médio no Colégio Mayrink Vieira, em Ipatinga. Na tarde da última quinta-feira (23), ela estava ansiosa na sala de espera do tatuador Léo. Acompanhada pela mãe Marli Teixeira, que é professora de pós-graduação da Faculdade Pitágoras e funcionária da Prefeitura Municipal, Amanda se preparava para aplicar um piercing na orelha.
O tatuador isolou, desinfetou e iluminou o local para ver se não havia vasos sanguíneos e, só então, colocou o piercing, sem sangramento. O procedimento foi realizado em menos de um minuto. Frente ao espelho, Amanda sorriu e aprovou o resultado.
“Queria fazer o piercing há muito tempo e, como era na orelha, minha mãe deixou de primeira. Não doeu, só ardeu um pouco”, relatou a adolescente, feliz da vida. Depois de receber as orientações sobre os cuidados necessários, mãe e filha concordaram em “registrar o momento histórico para a posteridade”.
Os riscos, porém, existem se os procedimentos corretos não forem observados. Há relatos, segundo Léo, de pessoas no país que tiveram sérios problemas, incluindo não só a transmissão de doenças, mas a perda de partes do corpo, como mamilo, orelha e língua. Em alguns casos, houve o registro de óbitos.
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