02 de outubro, de 2010 | 22:00

Gesto de amor e solidariedade

Famílias acolhedoras em Coronel Fabriciano são exemplos de carinho

Gizelle Ferreira


EQUIPE DO PROGRAMA

FABRICIANO – Há pouco mais de dois meses, a família da estudante de psicologia Fernanda Mendes Guimarães se mudou da cidade. Morando sozinha, ela se cadastrou no programa “Família Acolhedora”, do governo municipal, e já no dia 9 de agosto a estudante abriu as portas da sua casa para acolher um adolescente de 13 anos e uma criança de oito.
O pai dos menores está preso e a mãe permanece internada desde março deste ano, por conta de uma gravidez de risco. As crianças chegaram a ser encaminhadas para um abrigo e depois ficaram com uma tia, mas não se adaptaram. Como Fernanda estava cadastrada no programa, foi escolhida para receber as duas crianças. Segundo ela, quando chegaram à sua casa os dois estranharam um pouco, foram resistentes, mas com o passar dos dias se ambientaram com a família provisória. “Eles estranharam meu carinho, meu beijo, o abraço, mas a adaptação foi mais rápida do que pensei. Eles precisam de um gesto de amor”, relata.
Fernanda tem ainda outras duas filhas, e disse que o dia a dia com as crianças acolhidas tem sido uma experiência nova para toda a família, garantindo que a convivência é muito gratificante. “Até para minhas filhas isso foi muito interessante, pois trouxe uma visão de mundo diferente. Eu acho que pra mim está sendo muito rico e pra eles também. Eu tinha preocupação com minhas filhas, mas acaba sendo uma troca. Hoje, com essas crianças, consigo mostrar uma vivência diferente para as minhas filhas”, pontua.
O programa “Família Acolhedora” é uma realidade no município desde 2009. O objetivo é facilitar o acolhimento de crianças ou adolescentes que precisam ser afastadas do convívio familiar e comunitário por um período provisório.
Após constatada a necessidade de afastamento da família de origem e escolhida a família acolhedora para receber os menores, é iniciado um processo de acompanhamento psicossocial pela equipe do programa. Atualmente, há sete famílias selecionadas para participar da iniciativa. Desse total, cinco delas já acolheram crianças e adolescentes.

Suporte
Conforme a psicóloga Maria Eliane Mesquita, que integra a equipe do programa, desde o início as crianças são informadas do período que deverão permanecer com a família acolhedora. “A gente explica tudo para elas. O porquê de estarem indo para outra casa, esclarecemos que é por um período e que depois elas voltarão para a família de origem. Assim, a criança já vai na expectativa da volta. Mesmo com o apego da família acolhedora, as crianças ainda preferem a casa delas”, expõe.
Semanalmente, a equipe do programa realiza visitas à casa da família acolhedora, à família de origem e ainda promove o encontro entre as crianças e os pais. “O nosso trabalho é dar suporte para as duas famílias. Há casos de famílias ligarem relatando um fato, e a gente vai e ameniza algum tipo de conflito que possa estar ocorrendo, mas ainda não tivemos casos de desistência por parte família acolhedora e nem resistência das crianças acolhidas”, afirma a assistente social Jane Maria Silva Batista.
O principal perfil da família que quer se cadastrar no programa é o de não ter a intenção de adotar uma criança. A família que acolhe ainda tem que ter disponibilidade de apego e desapego, para que não haja conflito quando a criança tiver que retornar para a família de origem. “A característica do programa é acolhimento, e não adoção. Mas nada impede que essa família acolhedora possa adotar uma criança. Só que para isso ela deverá sair da condição de acolhedora e fazer parte do cadastro de adoção”, explica a assistente social.

Família de origem
Enquanto a criança está sob os cuidados da família acolhedora, a equipe do programa também realiza trabalhos com a família de origem, promovendo meios para que ela possa ter condições de receber as crianças de volta. No entanto, caso não haja condições para que as crianças acolhidas retornem para seus lares, elas também não podem permanecer com a família acolhedora e, então, retornam para o abrigo à espera de uma adoção. “Mas nós só tivemos a alegria de reintegrar as crianças. Teve um caso que a mãe de três era alcoólatra e está fazendo tratamento, acompanhada por nós, e as crianças estão muito bem lá”, conclui Jane Maria.

Emoção
Enquanto isso, na residência de Fernanda as crianças aguardam ansiosas pelo dia de ir embora para casa. Para evitar a exposição dos menores, a equipe de reportagem do DIÁRIO DO AÇO não pôde entrevistá-los.
Mas o coração de Fernanda está apertado. Dentro de um mês, o adolescente e a criança devem voltar para a casa da mãe – que a essa altura já deve ter saído do hospital –, que também aguarda ansiosa pelo retorno dos filhos. Quando perguntamos para Fernanda o que ela espera desse dia, ela respondeu: “Não quero pensar nisso agora. Deixa para o dia”, sorri.
Quem tiver interesse de fazer inscrição para a seleção das famílias pode entrar em contato com o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), pelo telefone (31)3846-7731, de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h.

 
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]

Comentários

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

Envie seu Comentário