08 de outubro, de 2010 | 23:55
Nova economia, novo consumidor
Para especialista é preciso mudar de atitude para enfrentar transformações
IPATINGA - Formado principalmente por empresários e convidados, o público lotou o teatro do Centro Cultural Usiminas, no Shopping do Vale, na noite de quinta-feira (7) para o Fórum Empresarial Vale do Aço, realizado pelo Sistema Fecomércio Minas, com apoio da Caixa Econômica Federal.Para a palestra magna foi convidado o especialista Waldez Ludwig, de Brasília, que é professor e consultor em gestão empresarial. Formado em psicologia e teatro, há 15 anos ele se dedica à pesquisa sobre tendências de gestão, com temas ligados a estratégias competitivas, ao mercado de trabalho, perfil profissional, à criatividade, inovação e ao desenvolvimento do capital intelectual, entre outros.
No Fórum Empresarial ele abordou as transformações ocorridas no mercado nos últimos anos e no perfil do consumidor. Aspectos dessas mudanças foram também abordados por Waldez Ludwig em entrevista ao DIÁRIO DO AÇO, minutos antes de sua palestra no Centro Cultural. Confira abaixo os principais trechos.
Nova economia
Nos últimos 30 anos houve uma transformação brutal no mercado. A economia assentada nos bens materiais foi substituída por uma economia baseada em bens intangíveis, ou seja, que não se pode tocar. Isso implica em fenômenos como a digitalização, virtualização e também no poder dos sentimentos, das marcas e das grifes. Então a grande característica da nova economia é estar baseada no ser humano”.
Direção contrária
Esse fato ocorreu contra todas as previsões, segundo as quais a utilização crescente dos computadores reduziria a importância do ser humano. Diziam quer os robôs dominariam o mundo. Mas aconteceu exatamente o contrário. O ser humano tem hoje uma importância que nunca experimentou antes”.
O que mudou
As empresas competem hoje sobre dois patamares, qualidade e inovação. O preço e outros aspectos ficaram em segundo plano. Não se faz melhoria da qualidade sem pessoas. Não se inova sem gente. Tecnologia é importante, mas não conheço até agora nenhuma máquina que pare para ter uma idéia. Ficou evidenciado que o ser humano tem hoje uma importância monumental”.
Novo consumidor
Temos um consumidor muito diferente do que foi há 10 ou 20 anos, que buscava atender as suas necessidades e só. Depois surgiu o consumidor que queria soluções para seus problemas. Numa fase seguinte, o consumidor passou a comprar sonhos, a comprar não apenas o essencial, mas aquilo que efetivamente não precisava, o que ainda existe muito. Até hoje há quem compre para mostrar aos outros que pode fazê-lo. Mas a grande revolução está na geração posterior a essa. São os jovens que atualmente compram muito mais o modelo de gestão da empresa do que propriamente o produto”.
Atitude
Você tem, por exemplo, um jovem muito rico. Ele quer um tênis de grife para jogar futebol, mas não para ir a uma festa. Porque hoje ir a uma festa com tênis caríssimo é mico. O jovem tem que ir com uma coisa mais barata, talvez com um tênis sem cadarço. Aí você pergunta a ele, isso é moda? E ele responde, não, isso é atitude! Veja o exemplo das frutas, verduras e legumes, que têm um crescimento de consumo da ordem de 8% ao ano. Para produtos orgânicos, esse crescimento é da ordem de 25%. Jovens casais vão ao mercado compram um pouquinho só, mas tudo orgânico. Isso é atitude”.
A receita para o sucesso é a valorização da equipe
Waldez Ludwig estendeu-se um pouco mais para abordar a importância da valorização dos funcionários e sobre o que os empresários devem fazer para alavancar as vendas. Veja em tópicos o que disse.
Valorização É preciso mudar de atitude a partir da consciência de que a única coisa que presta na empresa dele são os funcionários. O resto não vale muita coisa. O prédio pode ser lindo, mas você não compete por instalações. Você compete com as pessoas que estão com você, que integram o seu time. Se o empresário tem gente talentosa, ele vai bem”.
Salários Vejo gente contratando pelo menor salário possível. Depois vejo esta mesma pessoa reclamando que não tem craque na empresa dela. E eu digo, mas é claro que não tem. Para se contratar craques, os times de futebol nos ensinam que é preciso pagar”.
Mão de obra Tem gente que reclama também que não há mão de obra disponível no mercado. E aí eu digo, mas é claro que não tem, pois você quer contratar pelo menor salário. Então, volto a afirmar que a primeira providência é ter consciência de que a única coisa que presta são os funcionários para se competir no mundo de hoje”.
Evolução Em segundo lugar, o empresário precisa entender que a vida avança, e quem não avança fica sozinho ou vai à falência. O mundo está mudando vertiginosamente. O empresário tem que acompanhar a mudança. Ou desistir mesmo, o que é razoável. A pessoa pode dizer que não está a fim de acompanhar a mudança, e eu digo, então fecha, sai fora, ninguém obriga você a tocar seu negócio”.
Cidadania É fundamental ser cidadão, entender que as empresas que mais ganham dinheiro no Brasil, não por acaso, pagam todos os seus impostos, estão com as contas em dia. Os sonegadores, por outro lado, estão pendurados. As maiores e melhores empresas cumprem seus compromissos e ganham dinheiro. Isto é atitude”.
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