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16 de outubro, de 2010 | 22:00

Transtorno do estresse pós-traumático

Toda pessoa já passou ou vai passar por algum evento adverso e pode desenvolver a síndrome

Esteban Gonzáles


RESGATE MINEIROS

IPATINGA - Os 33 mineiros resgatados com sucesso na mina San José, no Chile, serão acompanhados por psicólogos e psiquiatras. Caberá a eles avaliar a saúde mental dos trabalhadores, sujeitos a desenvolver o chamado transtorno do estresse pós-traumático. Soterrados por mais de dois meses a quase 700 metros da superfície, eles viveram uma situação extrema, sem comunicação com o exterior nos primeiros 15 dias e, depois, sem qualquer garantia de resgate, dadas as dificuldades técnicas da operação de salvamento, então inédita no mundo naquelas condições.
Os especialistas afirmam, porém, que não é preciso viver situações limítrofes, como a dos chilenos, para que surja o transtorno do estresse pós-traumático, ainda pouco divulgado, mas muito mais frequente do que se imagina. “Toda pessoa já passou ou vai passar por alguma experiência adversa, como a morte de um ente querido, por exemplo, a perda do emprego ou uma situação de doença ou violência. São fatores que podem desencadear ou não o transtorno pós-traumático, dependendo das características individuais. Algumas pessoas estão mais propensas, enquanto outras possuem uma resistência maior”, explica a psicóloga Simone Calazans Ferreira, que atende em clínica no bairro Cidade Nobre, em Ipatinga.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o transtorno atinge 20% das pessoas que foram submetidas a alguma experiência traumatizante. Entre as vítimas de tortura ou violência brutal, o percentual chega a 54%. Sabe-se também que a incidência cresce na medida em que as populações enfrentam guerras ou calamidades, como terremotos, inundações e outros eventos sinistros. São dados referentes a estudos envolvendo situações críticas, mas os números tendem ser muito mais elevados, já que o distúrbio pode se desenvolver em momentos do cotidiano.
“O estresse pós-traumático traz uma série de transtornos para o paciente e, se não for tratado, pode se tornar crônico, levar a quadros mais graves e a outras doenças como a depressão”, alerta Simone Calazans.
Problemas sociais também podem surgir, como aconteceu nos Estados Unidos com os veteranos da Guerra do Vietnã, que de heróis começaram a ser vistos como vilões. Sem acompanhamento psiquiátrico ou psicológico pelo governo, muitos veteranos cometeram assassinatos, suicídio e violência de toda ordem, inclusive contra familiares. O mesmo ocorreu após a Segunda Guerra Mundial, época em que o transtorno, ainda pouco estudado, era visto sob uma dimensão menor e classificado por “neurose de guerra”. Ao longo dos anos, esse conceito mudou e foi ampliado, embora ainda seja pouco difundido.
Alex Ferreira


ACIDENTE BR 458
Ansiedade é fator desencadeante
Fatores externos e predisposições pessoais ajudam no desenvolvimento da síndrome
O transtorno pós-traumático é uma reação do organismo frente a um acontecimento inesperado, ameaçador e imprevisível. Diferencia-se de outras síndromes por ser desencadeado a partir de um fator externo. As pessoas são capazes de suportar situações estressantes, mas há limites a partir dos quais o funcionamento mental fica perturbado. Isso ocorre quando os mecanismos de enfrentamento contra o estresse são fracos ou quando os estímulos são fortes demais.
Algumas pessoas que passaram por traumas semelhantes podem desenvolver o transtorno e outras, não. Existem, portanto, predisposições pessoais. Pessoas com problemas de ansiedade são mais susceptíveis. Quanto mais traumático o acontecimento, mais probabilidades de que surja o transtorno. Também contribuem a duração do evento e sua extensão na vida íntima da pessoa.

Fatores desencadeantes
Sequestro, prisão, assalto, estupro, acidente, agressão física ou moral, traição conjugal.
Calamidades, incêndios, terremotos, guerras.
A descoberta de uma doença grave, um diagnóstico preocupante, um pós-operatório complicado.
Uma perda afetiva ou financeira.
Pode ocorrer também quando a pessoa testemunha algum evento grave.

Sintomas
Alguns se assemelham aos da Síndrome do Pânico, como taquicardia, sudorese (suor em excesso), falta de ar, tremor, fraqueza nas pernas, ondas de frio ou calor, tontura e sintomas de labirintite. Pesadelos, terror noturno e flash backs (a pessoa tem a sensação de estar vendo ou vivenciando a situação novamente, como se fosse cena de um filme). Depois, o transtorno avança para a depressão crônica, com apatia, irritabilidade, desinteresse, redução da memória e culpa. Lembranças da situação desencadeadora podem causar ataques de ansiedade. Isolamento social e desesperança em relação a planos de vida podem ser outros sintomas, bem como a hiperatividade.

Tratamento
O paciente é tratado com psicoterapia e com alguns medicamentos utilizados pelos médicos, como antidepressivos e ansiolíticos. 
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Comentários

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Vanderlei Rodrigues

02 de março, 2023 | 13:43

“Oi gostaria de participar de reuniões de terapias para pessoas com traumas.”

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