20 de outubro, de 2010 | 01:23
Pedagoga conta trajetória de professora morta em acidente
Professora vítima de acidente no Norte de Minas esperava realização de sonhos, conta irmã
IPATINGA Um dia após o sepultamento das 11 pessoas que morreram no acidente em Carbonita, no Norte de Minas Gerais, na noite do último sábado (16), familiares ainda expressam as marcas da dor trazidas pela tragédia ocorrida na queda de um ônibus da Translima no rio Araçuaí.
A pedagoga Luciene Souza Castro, 33, é irmã da professora de Educação Física da Apae, Mara Helena de Castro, 41, uma das vítimas no acidente. Luciene recebeu a reportagem do DIÁRIO DO AÇO em sua casa, no bairro Ferroviários, e relatou momentos importantes vividos por Mara. Segundo ela, a professora iniciou sua carreira de atleta na Usipa aos 10 anos de idade, quando participou de vários campeonatos e conquistou medalhas.
O gosto pela atividade levou Mara a optar pelo curso de Educação Física e, logo em seguida, começar a trabalhar em uma escola estadual. Mas o tempo de Mara na rede pública de ensino foi curto.
Ela resolveu largar tudo para se dedicar ao trabalho na Apae, onde percebeu a necessidade de se aprimorar na profissão”, lembra. Antes de morrer, Mara terminava sua terceira pós-graduação, com especialização em atividades físicas voltadas para pessoas portadoras de deficiências.
Ela não aceitava que as pessoas falassem que os alunos da Apae eram limitados. Mara era contra qualquer tipo de preconceito”, pontua.
Luciene relembrou que a irmã tinha um sonho: trabalhar em organização não governamental onde seriam oferecidas várias atividades voltadas para os portadores de deficiência.
Ela era contra os alunos da Apae ficarem ociosos durante o dia. O sonho dela era criar esta ONG para garantir que os alunos, após as atividades na Apae, pudessem ir para essa escolinha, mas infelizmente essa fatalidade ocorreu e esperamos que alguém dê continuidade ao desejo de minha irmã, porque o trabalho dela é excelente”, resume Luciene.
Mara Helena deixou dois filhos: uma menina de 5 anos (Daiane Cristina) e um menino de três (João Marcos), que hoje estão sob os cuidados do pai.
Família
Luciene conta que a morte de Mara Helena não foi a única tragédia na família. Em 2006, os familiares perderam o pai, quando ele participava de uma excursão em Guarapari (ES). Segundo conta, ele teria se perdido da turma e se afogado no mar. Assim como ocorreu com Mara, nosso pai também retornou morto para nós”, lamenta. Dois anos depois, a família de Luciene perdeu a mãe, que faleceu em decorrência de uma pneumonia, após 20 dias de internação. É muito difícil superar tantas perdas assim”, conclui.
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