20 de outubro, de 2010 | 22:00
Aberta a temporada de escorpiões
Saúde pública alerta para período propício aos acidentes com aracnídeos
FABRICIANO A chegada do período chuvoso traz uma preocupação a mais: os acidentes com os escorpiões. Neste período, o número de casos tende a aumentar. É quando o aracnídeo é obrigado a sair de seus esconderijos, por causa da água, e assim se aloja dentro das casas. O período chuvoso é considerado o tempo de pico dos acidentes com escorpião, conforme dados da Secretaria de Estado de Saúde. A prevenção é a única saída possível. Medidas simples, como sacudir camisas, calças e sapatos antes do seu uso pode ajudar a evitar os riscos da picada. A situação é preocupante no Vale do Aço. Nos 35 municípios subordinados à Gerência Regional de Saúde (GRS), com sede em Coronel Fabriciano, foram registrados 527 casos de acidentes com escorpiões em 2009. Em 2010, esses 35 municípios já contabilizam 325 ocorrências.
A dor da picada do escorpião é intensa. O chefe do setor de Toxicologia do Hospital João XXIII, da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), Délio Campolina, alerta para a necessidade de procurar ajuda médica imediatamente após a picada. Não se pode perder tempo nenhum, nem com medidas caseiras. A vítima precisa ser transportada urgentemente para um hospital onde tenha o soro antiescorpiônico. Cada minuto que passa, aumenta o perigo”, afirma. O médico explica que a vítima precisa não só do soro, mas também de suporte clínico, principalmente em se tratando de crianças com menos de seis anos ou de baixo peso, pessoas debilitadas e idosos.
Sintomas
Além da dor intensa, os sintomas causados pela picada de um escorpião vão desde náuseas, salivação e suor, até vômitos seguidos, falta de ar e taquicardia, podendo evoluir para edema agudo do pulmão ou arritmia fatal. Délio Campolina informa que, em adultos saudáveis, 80% a 90% dos casos são acidentes considerados leves, em que a pessoa sente apenas a dor local. Mas só quem pode avaliar é a equipe médica”, salienta. Já em crianças pequenas, a porcentagem é bem menor.
O clínico explica que o tipo de caso (leve, moderado ou grave) vai variar de acordo com a quantidade de veneno a que a pessoa foi exposta, condições de saúde, tipo de pele (mais grossa ou mais fina), sensibilidade de cada organismo e outros fatores de ordem biológica.
Prevenção
Em locais que costumam ter muito escorpião, a população pode adotar medidas para dificultar o acesso do aracnídeo, como acabar com frestas onde ele possa se esconder, colocar telas de proteção nos ralos e janelas e utilizar rolinho de areia na porta. O escorpião alimenta-se de baratas, então é recomendável evitar o surgimento do inseto, principalmente mantendo a casa bem limpa. Outra sugestão é a criação de galinhas, pois, ao ciscar, ajudam a manter longe os escorpiões e, além disso, elas comem o aracnídeo.
É importante também saber em cada cidade onde o soro é encontrado. Neste sentido, a enfermeira Fabiana Fernandes Almeida alerta que no Vale do Aço as pessoas picadas por escorpião devem ir direto aos hospitais. Isso porque há riscos de reação ao soro. Se o paciente estiver dentro de um hospital, os riscos são menores e há condições para resolver imprevistos”, afirma.
Região já registra 325 acidentes em 2010
Com jurisdição sobre 35 municípios divididos em 3 microrregiões, a Gerência Regional de Saúde, em Coronel Fabriciano, confirma que em 2009 foram registrados 527 acidentes com escorpiões. Desse total, 294 ocorreram na regional de Caratinga (14 municípios), 63 na regional de Coronel Fabriciano (8 municípios) e 170 na microrregional de Ipatinga (13 municípios). No balanço parcial de 2010 já foram registrados 325 acidentes, dos quais 162 na regional de Caratinga, 44 na regional de Fabriciano e 119 na microrregional de Ipatinga. O município de Ipatinga registrou, isoladamente, 22 acidentes no ano passado e 11 casos no acumulado de 2010.
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