20 de outubro, de 2010 | 22:00
Estudo avalia tratamento do solo em Ipatinga
IPATINGA Uma ação inédita desenvolvida em parceria pela prefeitura, Infrater e alunos da Escola Educação Criativa acompanhou a eficiência de um equipamento instalado no viveiro municipal para aumentar a produtividade de plantas ornamentais.
O projeto analisou o solo submetido a tratamento com energia solar. Com a avaliação final dos dados será possível propor uma mudança no processo de produção de mudas, gerando plantas mais robustas, de maior porte e com maior floração.
Foram analisados dois tipos de solos. Uma amostra foi coletada no canteiro central da avenida Cláudio Moura, e outra do gramado do Ipatingão. Parte das amostras coletadas foi tratada por um equipamento que possibilita a captação da energia solar para aquecer o solo.
O equipamento foi desenvolvido pela engenheira agrônoma Raquel Ghini, do Centro de Meio Ambiente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em Jaguariúna (SP).
O tratamento solar faz com que os patógenos - micro-organismos prejudiciais às plantas - sejam eliminados pelo calor. A planta utilizada no experimento para verificação da eficiência do tratamento foi o Tagetes (Tagetes erecta), comum na cidade e muito utilizada em jardinagem pela sua beleza e diversidade.
De acordo com o diretor do Departamento de Meio ambiente (Demam), o engenheiro florestal Nilberto Paulino, a proposta da pesquisa foi verificar a eficiência do equipamento para o uso no viveiro municipal.
Percebemos que há o aumento da produtividade das plantas. Uma grande vantagem é a possibilidade de tratar o solo, com a eliminação dos patógenos através de um meio não poluente, econômico e prático”, explica.
Quem também acompanhou a pesquisa, juntamente com os alunos da escola Educação Criativa, foi o professor Daniel Martins.
O seu uso elimina a utilização de brometo de metila que, além dos riscos à saúde humana, contém metal pesado, que é um grande poluidor. Dos solos coletados no viveiro e na Cláudio Moura foram retiradas amostras para o plantio de mudas sob condições obrigatórias”, esclarece.
Metodologia
O desenvolvimento das plantas foi analisado nos dois solos escolhidos sob três condições diferenciadas: 1) solo sem tratamento ou exposição ao sol; 2) solo com exposição de 48 horas ao sol no equipamento da Embrapa e; 3) solo com exposição de 96 horas ao sol no mesmo equipamento.
Para cada um desses três tratamentos foram plantadas seis mudas de Tagetes separadamente em saquinhos com capacidade para um litro de solo.
Ou seja, para o solo do viveiro, foram plantadas seis mudas em solo sem tratamento, seis em solo com 48 horas de exposição ao sol e a mesma quantidade em solo com 96 horas de exposição ao sol”, explicou Daniel. Essa mesma medida foi feita para o solo da avenida Cláudio Moura.
Entre os tratamentos foram comparados: comprimento da parte aérea, comprimento do sistema radicular, comprimento total, peso da parte aérea, peso do sistema radicular, peso total, número de flores, número de botões, total de floração e diâmetro do caule.
Os resultados apontaram que, de uma forma geral, tanto o tratamento com 96 como para o de 48 horas de exposição ao sol obteve-se aumento significativo de produtividade em todos os itens em relação ao solo sem tratamento.
Mudança
No entanto, observa-se que, para o solo do viveiro, o tratamento com 48 horas de exposição se mostrou mais eficiente (35,53%) do que aquele tratado com 96 horas (32,26%), e no solo da Cláudio Moura a eficiência foi maior com o solo exposto 96 horas (33,14%), em detrimento do solo tratado com 48h (25,69%).
Contudo, ambos mostram um aumento significativo da produtividade das plantas em relação ao solo sem tratamento. Para fim de agilidade no processo de tratamento de solo, pelos percentuais apresentados pode-se concluir que 48 horas de exposição ao sol já são suficientes para se ter um bom resultado de aumento de produtividade das plantas (30,61%).
A pesquisa será apreciada pela Embrapa antes de ser enviada para a publicação em revista especializada e apresentada pelos alunos da Escola Educação Criativa na Feira Brasileira de Ciência e Tecnologia Febrace, promovida pela Universidade de São Paulo.
O diretor do Demam, Nilberto Paulino, e o professor Daniel Martins entendem que com os resultados da experimentação científica a PMI poderá propor mudança no processo de produção de mudas do viveiro municipal.
Proporcionando plantas mais robustas, de maior porte e com maior floração. Outras plantas ornamentais e hortaliças serão testadas para verificarmos o aumento da produtividade, o que poderá levar-nos a disseminar a tecnologia entre os produtores rurais do município e região”, avalia Nilberto.
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