23 de outubro, de 2010 | 23:55
Carne de primeira sobe 27%
Consumidores assustados com disparada do preço nos supermercados buscam alternativas para driblar a alta do produto
IPATINGA Quem foi ao supermercado neste fim de semana em busca da carne de boi, para o tradicional churrasco, deve ter levado um susto. A carne bovina, que vinha apresentando seguidas altas nos seis meses anteriores, teve o preço disparado na sexta-feira. A alta que deságua no bolso do consumidor no Vale do Aço vem de cima.
E os pecuaristas e indústrias frigoríficas acreditam que o preço da arroba do boi, que já oscila entre R$ 87 e R$ 88 nos principais estados produtores deve continuar subindo nos próximos meses, por causa da menor oferta de animais para abate nas propriedades, do período prolongado de seca e do aumento das exportações.
A explicação dos produtores é que os europeus e chineses nunca consumiram tanta carne quanto agora. Isso, associado ao aumento da demanda interna estimulou o movimento de alta. O que é muito bom para o produtor é ruim para o consumidor que acaba optando por outros tipos de carne para não pesar no orçamento.
Nos supermercados de uma grande rede, no Vale do Aço, o quilo do contra-filé, carne de primeira amplamente utilizada no churrasco chegou neste sábado a R$ 18,90. A alcatra também custava R$ 18,90. Em relação aos preços da semana passada (R$ 14,90), a alta foi de 27%.
Considerada a estrela” do churrasco, a picanha custava ontem R$ 36,90 o quilo. A carne de segunda, consumida moída ou cozida (maçã de peito, paleta, músculo, acém) custava R$ 10,69. Para muitos consumidores, a alternativa foi comprar a carne suína. Ontem, o pernil dianteiro estava cotado a R$ 7,99 o quilo e a costelinha R$ 5,46. Outros preferiram o frango, vendido a R$ 3,40 ou o filé de peito que custava R$ 6,99 a bandeja de um quilo.
Morador do bairro Veneza I, Mateus Rodrigues de Alvarenga disse que já tinha ouvido falar da alta no preço da carne, mas confessa que se assustou. O contra-filé a R$ 18,90 é um absurdo. Não acredito nessas explicações, não. O Brasil é um dos maiores produtores de carne bovina do mundo. Eu me recuso a comprar carne nesse preço. Vou comprar frango lá perto de casa mesmo e, inclusive, está mais barato que no supermercado”, dispara.
Outro consumidor, Angelino Bastos Silva, morador do bairro Iguaçu, disse que já sabendo da alta no preço da carne bovina foi direto na carne suína. Comprei pernil”, explicou.
O casal Mariane Costa e Felício Ignácio, saiu assustado do balcão de carnes. Que é aquilo? O preço do contra-filé está custando o mesmo que custava a picanha na semana passada”, indagava Mariane.
Tendência é produto ficar ainda mais caro
Segundo avaliação de especialistas do setor, a alta vai chegar ao consumidor de forma permanente. O motivo é a inserção de novos consumidores, principalmente de países emergentes (Brasil, China e Rússia). Há fatores mais abrangentes, como mudanças no clima, novas exigências de sustentabilidade e perda de espaço da pecuária (em relação a outros produtos agrícolas) também são motivos que elevam os custos de produção.
Ainda segundo nota da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária, os preços baixos da arroba de boi nos últimos anos provocaram o abate de fêmeas em ritmo acima do normal. Com isso, houve redução na oferta de bezerros e, consequentemente, de bois prontos para o abate. No entanto, de acordo com Paulo Sérgio dos Santos, dono de um frigorífico no Paraná, não é fácil dizer por que o preço da carne subiu tanto.
São muitas variáveis a serem consideradas. Há um tempo foram abatidas muitas fêmeas e agora estamos sentindo a diminuição na oferta de animais.” Além disso, ele afirma que o longo período de seca em 2010 levou à escassez de grãos que alimentam os animais, o que encareceu o produto final. Nessa época, em anos anteriores, as culturas de inverno ajudavam bastante no pasto, aveia principalmente. Como houve uma estiagem, os pecuaristas tiveram de buscar alternativas”, completa.
A pesquisa de preços, no entanto, mostra uma discrepância. Os pecuaristas dizem que perceberam alta de até 12% na semana que passou, bem abaixo dos 27% que o consumidor ipatinguense encontrou no preço da carne bovina neste final de semana.
Os analistas menos otimistas dizem que os consumidores podem esperar recomposição de preços em todo o mundo, visto que os problemas de produção não ocorrem apenas no Brasil e na Argentina, mas também nos EUA, na Austrália e na União Européia.
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