06 de novembro, de 2010 | 20:18

“Formação espiritual e intelectual”

Igreja do Cidade Nobre recebeu cerimônia de ordenação presbiterial neste sábado

Victor Tancredo


AUTORIDADES ECLESIÁSTICAS

IPATINGA – O Santuário Senhor do Bonfim, no bairro Cidade Nobre, recebeu na manhã de ontem a cerimônia de ordenação presbiterial do diácono Edson Alves da Costa, de 34 anos. A cerimônia contou com a presença de inúmeras autoridades eclesiásticas e foi conduzida pelo bispo emérito de Itabira – Coronel Fabriciano, Dom Lélis Lara, que presidiu também a ordenação do jovem padre da Congregação Santíssimo Redentor.
O processo de formação se estendeu por 12 anos. Edson lembra que passou os seis primeiros anos de sua jornada num seminário na cidade de Juiz de Fora (MG), onde “se encontrou espiritualmente e estudou Filosofia”. Após esse período, o seminarista partiu para Coronel Fabriciano, onde ficou por um ano para se preparar para o noviciado, que foi concluído no ano seguinte, em Campina Grande (PB). Ao fim desse processo, o noviço foi para Belo Horizonte, onde concluiu a última etapa antes da ordenação. Ficou por três anos na comunidade vocacional, cursando aulas de Teologia.
Edson considera todo o período de formação muito importante para a sua vida. “Esses 12 anos são muito mais do que a ordenação presbiterial. Foi para mim um período de formação humana, espiritual e intelectual”, avalia.
Edson é nascido em Itabira (MG), mas sua criação ocorreu na Vila da Paz, em Ipatinga. Ele recordou que, desde os nove anos, já pensava em se tornar padre. Porém, devido à origem humilde, precisou trabalhar para ajudar no sustento da família. O religioso foi jardineiro, cobrador de ônibus e vendedor, antes de completar 22 anos, sua idade à época em que iniciou a carreira de seminarista.
Ele vai agora exercer a função de padre no Santuário Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Campos dos Goytacazes (RJ). Foi nessa comunidade que o padre fez o estágio pastoral por cinco meses, antes de se preparar para o sacerdócio.
Formação de padres tem se reduzido ao longo dos anos
A ordenação de padres tem se tornado cada vez mais rara na atualidade. O caso de Edson é um exemplo disso. O pároco disse que, quando iniciou o processo de formação, sua turma contava com nove jovens. Contudo, passados os 12 anos da preparação, somente ele e mais um finalizaram a formação sacerdotal, tornando-se, finalmente, padres. “Normalmente, a pessoa inicia a preparação muito jovem. Ao longo dos anos vai havendo um amadurecimento natural de cada um. Acontece que muitos optam por outros caminhos. Não basta só querer ser padre. É preciso descobrir suas aptidões e vocações”, justifica.   
Antigamente, as famílias tinham o hábito de encaminhar um de seus filhos para o seminário, a fim de que se tornassem padres. Padre Ferreira, que exerce o sacerdócio há 12 anos e foi diretor da Rádio Educadora, de Coronel Fabriciano, acredita que a redução do número de filhos nas famílias ao longo dos anos acabou influenciando na reversão desse procedimento. “No passado, as famílias tinham muitos filhos e era tradição que um dos filhos homens fosse mandado para o seminário. Hoje, as famílias são mais reduzidas”, comentou. Para ele, a população cresceu muito e a formação de padres não acompanhou (essa mudança).
Outro fator apontado pelo padre, que atuou na paróquia de São Sebastião, é que antigamente o Brasil era basicamente católico e, nos dias de hoje, existe um grande número de denominações religiosas. Ele considera também que os jovens estão mais críticos à religião. “Os desafios para atrair os jovens para a religião são muitos, mas a gente dedica muitos trabalhos para que o envolvimento deles seja mais significativo”, acrescentou.
Além disso, padre Ferreira também considera o processo de formação ainda é muito “radical”. “O processo de formação acaba assustando os jovens. Muitos não estão preparados, por exemplo, para o celibato ou o desapego material”, finalizou. 
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