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18 de novembro, de 2010 | 23:30

“A situação é desesperadora”

Fechamento de parte de abrigo leva entidade a reduzir vagas para atendimento e apoio a pacientes com câncer

Hermes Quintão


SEDE CASA DE APOIO SE TOQUE

IPATINGA – Até outubro passado a Casa de Apoio ao Paciente Oncológico funcionava em duas residências “geminadas” localizadas no bairro Ferroviários e oferecia 45 leitos, sendo 29 para pacientes com câncer e 16 para seus acompanhantes.
Mas como o proprietário de uma das casas resolveu vendê-la, agora somente um dos imóveis permanece alugado para a entidade, que acabou obrigada a reduzir o número de vagas para 21, das quais somente 13 são para pacientes.
 
A residência que restou também está à venda e o contrato de aluguel que vence no ano que vem corre o risco de não ser renovado para que seja facilitada a transação comercial.
Hermes Quintão


CASA DE APOIO SE TOQUE
 
“A situação é desesperadora porque hoje nós já temos uma fila de espera de 25 pessoas, justamente aquelas que ocupariam os leitos que perdemos. Gente que não tem parentes em Ipatinga e nem condições de pagar hospedagem, mas que precisa continuar lutando pela vida fazendo o tratamento em Ipatinga”, lamenta a assistente social Elza da Silva.
 
Um desses ‘lutadores’ é o aposentado Antônio Leite de Oliveira, de 74 anos, do Vale do Jequitinhonha, a mais carente das regiões mineiras. Há cinco meses ele faz o tratamento contra a doença que ataca o estômago e o impede de comer alimentos sólidos.
 
“Eu sou muito bem tratado aqui na casa. Graças a Deus não me falta nada, não sinto fome nenhuma porque tem pessoas boas e preparadas para fazer minhas refeições que devem ser sempre líquidas”, elogia.
Antiga escola
Elza informa que a direção está tentando alugar um outro imóvel que no passado serviu como escola e também está localizado no bairro Ferroviários, próximo ao Centro de Oncologia e Radioisótopos de Ipatinga (COR), onde são realizados os tratamentos contra o câncer.
Se a negociação for adiante, a instituição poderá ampliar para 50 o número de leitos e aumentar as chances de mais doentes recuperarem a saúde. Além de abrigo, os pacientes também recebem alimentação, remédios e cuidados intensivos prestados em sua maioria pelos cerca de 40 voluntários.
 
“Temos somente sete funcionários, todos os outros que nos ajudam a tocar esse trabalho o fazem de forma voluntária. Mas precisamos de mais ajuda, especialmente das autoridades políticas e empresariais, pois esta é uma causa humanitária”, diz a voluntária Agda Maria Pinto, que em 1991 venceu um câncer de mama e desde então vem se dedicando a ajudar outras pessoas a enfrentar a doença.
 
 
Hermes Quintão


ANTONIO LEITE

Apelo ao presidente da Usiminas por sede própria
 Josefina Barroso, presidente da Casa de Apoio ao Paciente Oncológico, diz que o ideal não é alugar um outro imóvel e sim que seja construída a sede definitiva da instituição.
Afinal, lembra ela, para atender os portadores de câncer, a vigilância sanitária, bombeiros, entre outros órgãos, exigem que sejam feitas várias adaptações, como aconteceram nos imóveis que foram ou que ainda está sendo ocupado pela instituição. Acontece que quando uma casa precisa ser desocupada, os investimentos acabam perdidos.
 
Por isso, a esperança de Josefina é que a Usiminas concretize a intenção de doar um terreno para que enfim seja construída a sonhada sede própria.
“Em nome dos pacientes e voluntários do grupo Se Toque e da Casa de Apoio ao Paciente Oncológico, faço um apelo ao presidente da Usiminas, sr. Wilson Nélio Brumer, para doar o terreno que vai nos possibilitar ampliar o trabalho de acolhimento aos pacientes que vem de outras cidades lutar contra o câncer em Ipatinga”, conclama.
 
 
Hermes Quintão


VOLUNTÁRIAS SE TOQUE CASA DE APOIO

Despesa mensal da casa já ultrapassa R$ 12 mil
 
A Organização Não Governamental Se Toque foi criada em 2002 e é dela a responsabilidade pela Casa de Apoio aos Portadores Oncológicos. Para manutenção dos trabalhos são desenvolvidas várias atividades filantrópicas, como é o caso de um almoço italiano que acontecerá neste domingo, na Casa do Rotariano.
Há também um convênio com a prefeitura, no valor de R$ 72 mil, mas somente a partir de agosto a primeira das 12 parcelas de R$ 6 mil começou a ser repassada para a entidade.
Um dinheiro que, além de ter demorado a chegar, ainda não consegue suprir nem metade das despesas da casa, que atualmente giram em torno de R$ 12 mil.
Por isso, frisa a presidente Josefina Barroso, toda e qualquer ajuda é muito bem vinda. Informações adicionais podem ser obtidas nos telefones (31) 3824-6005 e 3822-1285.
 
 
 

 
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