18 de novembro, de 2010 | 23:00
Enfrentamento de casos de violência familiar
Profissionais trocam experiências para capacitar equipes e ganhar eficácia
FABRICIANO Cinquenta participantes concluem hoje o curso de Enfrentamento contra a violência nas relações familiares, realizado no Centro Universitário do Leste de Minas Gerais (Unileste-MG). O aperfeiçoamento com carga horária total de 64 horas foi organizado pela Secretaria de Assistência Social para técnicos e funcionários da rede socioassistencial, membros de entidades e conselhos municipais de Coronel Fabriciano.
O objetivo é capacitar equipes técnicas, educadores e demais atores sociais para o enfrentamento à violência contra crianças, adolescentes, pessoas com deficiência, idosos e mulheres, bem como para o atendimento às vítimas, familiares e agressores. Além de discutir e aprofundar o uso de instrumentos e técnicas no atendimento das famílias atendidas no Centro de Referência de Assistência Social (Creas) do município.
A qualificação foi dividida em quatro módulos de dois dias, explorando noções conceituais de violência, tipificação, planejamento e organização do atendimento a vítimas e agressores.
De acordo com a gerente de Proteção Social e Especial do município, Patrícia Nunes Silva Elias, a grande dificuldade no enfrentamento a violência é a articulação da rede de atenção à violência com o comprometimento de todos os membros. É preciso qualificar e instrumentalizar a equipe para o trabalho com as vítimas de violência porque o atendimento exige o envolvimento de toda a rede”, afirma.
Para a orientadora social do ProJovem, Shirley Ribeiro Paschoal, o curso ajudará no aperfeiçoamento prático do atendimento. Devido à realidade prática explorada durante o curso começamos a perceber casos de violência que antes não eram tão claros”, reconheceu.
Abuso
Segundo Patrícia Nunes, 80% dos casos atendidos no Centro de Referência de Assistência Social (Creas) de Coronel Fabriciano são fruto de violência sexual. Atualmente, existem 180 famílias que são acompanhadas pelo Creas, um processo de tratamento que pode se estender durante anos. Às vezes conseguimos romper o ciclo de violência, mas a restauração do sujeito pode levar em média de cinco anos”, explicou.
A assistente social esclarece que, neste caso, o agressor necessita de tratamento na mesma proporção que o vitimado, porém em quase todo o Brasil faltam instituições e investimentos direcionados à recuperação de quem pratica abusos.
Soluções
A psicóloga e assistente social Adriana Turthay, responsável pela explanação durante o último módulo do programa de qualificação, explica que o sucesso de cursos como este se dá devido à troca de experiências que permeiam entre a academia e o atendimento prático das instituições. Nada melhor que a prática e discussão para saber o que funciona ou não no enfrentamento à violência”, acredita.
Em relação à punição dos agressores, Adriana entende que é preciso uma reformulação e adequação do sistema carcerário com disponibilidade de uma equipe técnica para o acompanhamento do agressor.
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