28 de novembro, de 2010 | 00:25

Altíssima prioridade

"O Vale do Aço frente ao desafio do câncer" aponta prevenção como caminho para reduzir avanço do câncer

Arquivo DA


POLUIÇÃO USIMINAS

IPATINGA – Na última semana o município sediou o seminário "O Vale do Aço frente ao desafio do câncer", onde os profissionais da área de saúde puderam discutir os rumos do combate à doença na região. O evento contou com a participação de diversas referências médicas nacionais na área de oncologia, que ministraram palestras e finalizaram o encontro com uma mesa redonda, quando todos puderam compartilhar experiências e ampliar o debate sobre o assunto.
Entre as palestrantes estava a médica epidemiologista e coordenadora do Programa de Avaliação e Vigilância ao Câncer (PAV) da Secretaria Estadual de Saúde, Berenice Navarro Antoniazzi, que conversou com a reportagem do DIÁRIO DO AÇO, apresentando os dados referentes à doença na região.
Um estudo realizado pelo PAV apontou que em Ipatinga, o câncer de pulmão, o câncer de cólon e reto e o câncer do tecido linfático (linfomas) já estão classificados como de altíssima prioridade, enquanto os cânceres de esôfago, estômago e próstata já se instalaram na categoria alta prioridade. Segundo ela, isso quer dizer que no período analisado, esses tipos da doença foram mais detectados e que, a prioridade se dá com relação à prevenção da enfermidade. 
A coordenadora do PAV disse que os fatores de risco são classificados em não-modificáveis e modificáveis. Entre os não modificáveis, destacam-se a idade, o gênero e os fatores hereditários das pessoas. Já os modificáveis são aqueles que podem ser evitados, como o consumo de tabaco, álcool e agrotóxicos, dieta, infecção (HPV, H.Pyloris, hepatite B e C, etc...) e a exposição solar. 
Berenice também chamou a atenção para os fatores ambientais, que, segundo ela, são altamente influenciáveis e variam de acordo com a região. Em levantamento realizado pelo PAV, as doenças do aparelho respiratório somadas às neoplasias (tumores) são responsáveis por 26% taxa de mortalidade na região. Apesar do Vale do Aço estar numa área de grande concentração industrial, Berenice disse que não existem estudos que apontem esse fator como sendo determinante para o desenvolvimento dessas doenças. 
“Pode ser que os fatores ambientais podem estar mais exarcebados no Vale do Aço, mas não existem estudos que forneçam dados concretos nesse sentido. Mas nesse caso se faz ainda mais importante o desenvolvimento de trabalhos preventivos”, explica Berenice.
De acordo com levantamento realizado em 2007, a taxa bruta de mortalidade por neoplasia para os municípios do Vale do Aço é de 77,4 para cada 100 mil habitantes. Juntos, os cânceres de traquéia, brônquios, pulmão, esôfago, estomago, próstata e mama correspondem a 43% do total das neoplasias. Dos 362 casos registrados no Vale do Aço em 2007, esses tipos foram responsáveis por 157 deles. O estudo ainda constatou que 38% dos óbitos por câncer ocorreram na faixa etária entre 20 e 59 anos.
 
 
Diagnóstico precoce

Berenice destaca a necessidade de investimento por parte do poder público no diagnóstico precoce, que segundo ela, diminuiria consideravelmente a quantidade de óbitos. Ela exemplificou dizendo que do total de casos de câncer procedentes do Vale do Aço, apenas 8,2% dos pacientes têm diagnóstico e estão em tratamento. Em 46,2% dos casos não existe o diagnostico nem o tratamento; e em 45,5% tem o diagnóstico, mas o paciente não faz o tratamento.
“O principal objetivo do PAV é evitar a morte por câncer, mas para isso, é necessária uma melhor organização do sistema de saúde pública. Hoje as funções ainda se misturam. É preciso a criação de um modelo de atenção mais eficiente voltado para a prevenção dos fatores de risco e detecção precoce. Numa analise feita pelo PAV, 45% da mortalidade em Minas Gerais por câncer tem potencial para diminuição com a adoção de medidas de prevenção e controle”, afirmou Berenice. 
Sendo assim, a coordenadora do PAV considera a prevenção importantíssima para o combate das neoplasias. “O câncer é hoje uma problema de saúde pública mundial. A prevenção é, sem dúvida, mais importante do que o tratamento. Tanto é que nos países desenvolvidos o controle tem sido feito através da adoção de políticas públicas baseadas em ações preventivas. O combate da doença crônica tem que ser global. Se tratados isoladamente não apresentam impactos significativos”, defende.
E finaliza: “A maioria dos fatores de risco estão relacionados a exposições de longa duração, com efeito cumulativo. Boa parte diz respeito a comportamentos construídos nas duas primeiras décadas de vida. Sendo assim, trabalhos educativos são essenciais para a redução dos casos”. 
 
 
 
 
Cléria Figueiredo


BERENICE
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