03 de dezembro, de 2010 | 23:00
Médico sugere universalização de exames preventivos da Aids
TIMÓTEO - Agilidade na coleta de material para exame é um item importante para qualquer Programa de DST/Aids que queira avançar na prevenção e no tratamento da doença. Para o médico infectologista Ulisses Strogoft de Mattos, não pode existir nenhum tipo de burocracia quando uma pessoa manifesta espontaneamente sua vontade de fazer um exame de HIV.
Quando uma pessoa procura um serviço de saúde querendo fazer um teste de HIV, ela deve ser atendida na hora exata”, pontua Ulisses Strogoft. O médico está participando do seminário Experiência de Ribeirão Preto (SP) no Tratamento e Prevenção do HIV/Aids”, realizado na quinta e sexta-feira desta semana. Promovido pela Secretaria Municipal de Saúde, através do Programa DST/Aids, o evento aconteceu no Projeto Oikós.
Cerca de 30 profissionais da SMS participam do encontro, que reuniu médicos, enfermeiros, e profissionais da saúde de Ipatinga e Coronel Fabriciano. Numa primeira etapa, os participantes tiveram uma visão geral sobre a progressão da Aids no mundo até os dias de hoje, que revela maior incidência da doença em cidades do interior, mostrando que o aumento do número de casos relaciona-se diretamente com a pobreza. O exemplo está na África, onde 70% do número de infectados concentra-se em pequenas cidades.
Conforme Ulisses de Mattos, a experiência de Ribeirão Preto é muito significativa por ter começado (o trabalho de prevenção) muito cedo, junto com os primeiros casos de Aids que surgiram no Brasil. O município é considerado um dos pioneiros tanto em termos epidemiológicos quanto pela experiência adquirida com o funcionamento do programa.
A abertura do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, na década de 90, é seguida pela montagem do ambulatório de Aids do município e representou um grande avanço no combate à doença. Ele ressalta ainda a necessidade de se investir mais na proposição de testes de HIV em escolas, clínicas médicas e na iniciativa privada.
Não se deve esperar que a doença se manifeste. Durante um atendimento médico, ao se levantar o histórico do paciente, deveria ser rotina o pedido de exame para detecção do HIV”, defende Ulisses de Mattos. O infectologista cita, como principais entraves, a resistência dos médicos para lidar com a situação e a dificuldade do paciente em aceitar se submeter ao exame.
Crianças
Segundo Marco Aurélio de Melo Souza, médico pediatra que atende no Programa DST/Aids de Timóteo, desde a implantação do Programa Nacional, o número de crianças infectadas pelo HIV caiu drasticamente. A mãe soropositiva é orientada a não amamentar seu bebê para não haver transmissão vertical (direta da mãe para o filho). Ela recebe o coquetel de medicamentos durante a gestação e, após o parto, recebe o AZT”, explica Marco Aurélio. Não há uma proibição para a mãe engravidar e o programa ainda fornece o leite para o bebê”, complementa o pediatra.
Para os especialistas, toda a população sexualmente ativa deveria realizar o exame para detecção do HIV a cada seis meses. Com um diagnóstico precoce, é possível ter maior sucesso no tratamento e evitar a disseminação do vírus HIV.
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