06 de fevereiro, de 2011 | 00:02
Meu coração partiu”
Pai manifesta revolta e indignação com sentença que arquivou o caso Burn”
IPATINGA Não era de se estranhar que, após o arquivamento do caso Burn”, surgissem manifestações de indignação, revolta e sensação de impunidade.
O adolescente Marcos Vinícius Gonçalves Souza, 17 anos, foi morto com um tiro na cabeça no dia 7 de julho de 2009. O caso teve grande repercussão e deixou por quase dois anos familiares e amigos apreensivos sobre a elucidação do homicídio.
Mas, apesar das manifestações em frente à Delegacia Regional e do Fórum de Ipatinga, o caso não teve o fim desejado por familiares da vítima.
Primeiro o Ministério Público pediu o arquivamento do processo por falta de provas para acusar o suspeito um adolescente de 16 anos, amigo de Burn”.
O juiz da Vara da Infância e Juventude José Clemente acatou o parecer do MP e, na sentença, excluiu o processo com pedido de arquivamento.
Em entrevista ao DIÁRIO DO AÇO, o pai do adolescente morto, José Geraldo Rosa, 46 anos, disse que, embora não esperasse por esta decisão da Justiça, acredita que o caso ainda não está encerrado.
Esse caso ainda vai ter reviravolta, pois vamos ter pessoas competentes para entrar com recurso contra esta sentença”, pontua.
DIÁRIO DO AÇO Como o senhor se sente com a decisão da Justiça?
JOSÉ GERALDO Para mim, a decisão foi outra fatalidade em nossa família. Esperávamos uma coisa e foi outra. Quando o Ministério Público pediu o arquivamento, ainda tive esperanças que o juiz fosse julgar diferente, mas foi uma tragédia para toda a família e a população. Eu acho que ele não leu o processo direito e nem deu importância ao trabalho dos policiais que investigaram o crime. Será que a arma atirou sozinha contra meu filho?
DA O que o senhor pretende fazer agora?
JOSÉ GERALDO Vamos contratar advogados competentes para entrar com uma ação contra essa sentença do juiz. Este caso ainda terá reviravolta.
DA Como é conviver com esta decisão depois de mais de um ano lutando para que o caso não caísse no esquecimento?
JOSÉ GERALDO Meu coração partiu desde a morte do meu filho. Quando Marquinhos morreu, abandonei meu emprego no Espírito Santo, vim para cá em busca de resposta, e agora me deparo com o arquivamento do caso. É muito tempo de angústia e pensando o que a justiça ia ser feita, mas jamais cheguei a pensar que o processo seria arquivado. A mãe dele nunca confiou na Justiça, mas eu acreditei.
DA O senhor acredita que a morte de seu filho ficará impune?
JOSÉ GERALDO Não acredito nisso. Mas, se ficar impune, outros crimes irão acontecer e será que a população vai acreditar na justiça?
DA O senhor acredita que houve falhas no decorrer do processo investigatório?
JOSÉ GERALDO Sim. Eu acho que deveriam ter investigado mais os outros amigos que estavam com ele no dia do crime, porque um deles atirou. A busca pela arma do crime foi feita só 30 dias depois, a demora da perícia nos computadores e houve ainda o troca-troca de delegados. Mas, mesmo assim, todos fizeram a sua parte e o juiz não valorizou o trabalho da polícia.
DA O senhor acredita que a Justiça ainda será feita?
JOSÉ GERALDO Mesmo que a justiça da Terra não faça nada, nós temos a Justiça de Deus. Esta não tem promotoria e nem juiz para julgar.
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