13 de fevereiro, de 2011 | 00:00
Água que vale mais do que ouro
1.044 empresas da região terão de pagar pelo uso da água do rio Piracicaba
IPATINGA O rio Piracicaba nasce na região de Ouro Preto, conhecida mundialmente pelo metal precioso explorado desde os tempos do Brasil Império. Como se sabe, o ouro naquela região já está quase todo extinto e o mesmo poderá acontecer àquilo que, desde sempre, há de mais valioso e realmente importante na localidade: a água que é fonte de vida e de prosperidade regional. Daí a necessidade de cobrar pelo seu uso, para torná-lo mais racional e sustentável, segundo avaliação do presidente do Comitê da Bacia do Rio Piracicaba (CBH), Iusifith Chafith Felipe.
Segundo projeções da ONU, em menos de 40 anos, em 2050, mais de 45% da população mundial não poderá contar com a porção mínima individual do líquido para suas necessidades básicas, como matar a sede, por exemplo.
Os seres humanos precisam de água para viver, pois perdem líquidos através do suor, da urina, das fezes e até da respiração. Essa água precisa ser substituída para que os órgãos continuem a funcionar normalmente. Por isso, a urgente necessidade de proteger os recursos hídricos.
A cobrança está prevista na lei nº 9.433/97, conhecida como Lei das Águas e, de acordo com a Agência Nacional das Águas (ANA), os recursos são integralmente repassados ao comitê de bacia onde o tributo é recolhido, a fim de serem aplicados em ações de recuperação do rio.
Em setembro do ano passado, o Comitê da Bacia do Rio São Francisco começou a cobrar pelo recurso hídrico. De acordo com a ANA, a arrecadação deveria chegar a R$ 10 milhões até o final do ano, já que o valor cobrado das empresas correspondia ao período de julho a dezembro.
No rio Piracicaba, informa Chafith, não há data ainda para o início da cobrança, mas a estimativa é que 1.044 empresas instaladas nas 21 cidades banhadas pelo rio paguem cerca de R$ 4,5 milhões por ano pelo uso da água.
Para o ambientalista, a obrigatoriedade de as empresas pagarem por cada gota que captarem do rio forçará o uso mais racional do recurso pois, quanto menos água for destinada às atividades industriais, menor será a fatura a ser paga ao Comitê do Piracicaba.
Recirculação
Nesse sentido Chafith destaca a experiência de grandes empresas do Vale do Aço como Aperam (antiga Acesita), Cenibra e Usiminas, que dominam há vários anos a tecnologia de reutilização da água de seus processos industriais. Segundo ele, o volume de água captado da bacia reduziu drasticamente porque o líquido usado para resfriar um equipamento, por exemplo, permanece armazenado e circulando dentro das empresas, sendo usado em outras atividades, por um tempo de até três meses.
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