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03 de abril, de 2011 | 00:00

Para recuperar o tempo perdido

Programa da CNM/PNUD mostra novos caminhos para o desenvolvimento em Marliéria

Elvira Nascimento


DENISE GONÇALVES

MARLIÉRIA - Implantado há 18 meses no município, o projeto Fortalecimento de Capacidades para o Desenvolvimento Humano Local, coordenado pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), começa a colher resultados.
Um plano estratégico acaba de ser desenhado para estimular o desenvolvimento no município, a partir do fortalecimento das capacidades locais.
Gerente do projeto, Denise Bocorny Messias, técnica da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) em Brasília, esteve em Marliéria na semana que passou para mais uma etapa, a entrega do plano, montado a partir de um diagnóstico feito pelos próprios moradores.
Denise explica que a CNM existe desde 1988, mas pela primeira vez desenvolve um projeto com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, com o propósito de elevar o Índice de Desenvolvimento Humano de cidades brasileiras. Até agora, a ONU desenvolvia programas dessa natureza somente em países como um todo.
Denise relata que o trabalho desenvolvido em Marliéria, Abaetetuba (PA), Barbalha (CE) e Jaguarão (RS) é uma experiência piloto. “A aplicação do projeto em municípios é porque, embora o Brasil seja um país em desenvolvimento, ainda possui bolsões com baixos índices de desenvolvimento”, relata.
A expectativa é que programas como esse, implantado em Marliéria, mostrem a capacidade de alguns municípios em dar respostas e solucionar os bloqueios do desenvolvimento experimentado pelo restante do país.
Em 2008, o município de Marliéria foi selecionado em uma disputa com centenas de localidades brasileiras para receber o programa da CNM/Pnud. No Vale do Aço, além de Marliéria, Açucena também disputava o programa.
Ao fim do projeto, explica  Denise Messias, deverão estar formadas equipes qualificadas para serem multiplicadoras de ações desenvolvimentistas.
“Daqui pra frente, os dois vetores de desenvolvimento local, turismo sustentável e agricultura, deverão ser tratados de forma diferenciada pelas pessoas daqui”, destacou a gerente do programa CNM/Pnud. Na entrevista a seguir, Denise detalha como foi o desenvolvimento do programa de desenvolvimento humano local em Marliéria.
DIÁRIO DO AÇO - É possível falar em avanços e detectar na prática, os resultados?
DENISE – Foi um grande avanço na questão do grupo de trabalho e na articulação de três setores que começaram a trabalhar juntos: setor público, setor privado e sociedade civil. Onde não havia esse encontro ele passou a existir e vemos que a resposta às propostas é uma realidade.
DA – Como vocês da CNM e Pnud conseguiram essa mobilização?

DENISE – O primeiro passo foi um longo processo de identificação das capacidades e potencialidades locais. As pessoas fortaleceram suas capacidades e identificaram onde precisam desenvolver.
DA – Aqui não se trata da invenção de algo inexistente, certo?

DENISE – Nada foi criado. A ideia da CNM/Pnud é fortalecer a capacidade das pessoas para que façam melhor o que elas já sabiam. Trabalhamos com o capital humano, com a ideia de que, quanto melhor as pessoas, melhor a cidade.
DA – E as diferenças políticas, ideológicas, religiosas e culturais, não dificultam o entendimento entre grupos?

DENISE - A superação das diferenças parte de uma superação pessoal. As pessoas precisam entender que, se desenvolvem perante a um grupo, começam a se desenvolver consigo mesmas. A gente trabalha com a função social da cidade. As pessoas precisam superar as diferenças em nome de um bem coletivo. A função social das cidades é uma orientação do governo brasileiro.
DA – Há um plano de desenvolvimento local?

DENISE - Marliéria concluiu a elaboração deste plano no fim de março. Ele tem dois focos: Turismo Sustentável e Agricultura Familiar. São dois temas que mobilizaram as pessoas em torno de um interesse comum. Foi elaborado pelo grupo de trabalho após o diagnóstico das potencialidades locais. Aponta, ainda, a importância de ter o Parque Estadual do Rio Doce como aliado e o desenvolvimento de um plano diretor, um ordenamento urbano participativo.
DA – A senhora diria então que o município tem instrumentos para uma nova realidade social e econômica?

DENISE – As pessoas daqui têm mais conhecimento e capacidade para trabalhar as questões que a elas interessam, que interessam ao município. O desenvolvimento é um processo contínuo. Não acaba ao fim do trabalho da CNM e do Pnud. As pessoas serão multiplicadoras dos conhecimentos.
DA – Então não é um programa de governo, mas de município?

DENISE – Isso é importante destacar. Esse não é um trabalho da prefeitura, de um governo; é um projeto de município. O gestor público é legitimamente eleito pela população, mas neste caso a Prefeitura é apenas uma aliada. O projeto é apartidário, não tem foco político e trabalha com o município inteiro: prefeitura, câmara, iniciativa privada e organizações sociais.
 
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