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07 de abril, de 2011 | 00:00

Fabricianense estuda método biológico de combate à dengue

Daniel Simões pesquisa o mosquito elefante há oito anos, inseto predador do Aedes aegypti

Arquivo pessoal


LARVA

DA REDAÇÃO – Os índices de infestações por dengue no Vale do Aço sempre fizeram com que a região obtivesse um destaque negativo em Minas Gerais. Motivado por essa problemática, o fabricianense Daniel Albeny Simões, desde 2003, desenvolve uma pesquisa que visa o combate do Aedes aegypti. Seu estudo consiste na utilização do mosquito elefante para o controle biológico do transmissor da dengue. Nesta sexta-feira (8), Daniel embarca para os Estados Unidos, onde continua sua pesquisa e pretende aprimorar seus conhecimentos sobre ecologia de mosquitos, área ainda incipiente no país e carente na pós-graduação brasileira.
O pesquisador contou ao DIÁRIO DO AÇO que teve o primeiro contato com larvas do mosquito elefante durante um trabalho de campo, na época da graduação, em 2003, quando era estudante do Centro Universitário do Leste de Minas Gerais (Unileste-MG). Ele e outros colegas de classe coletavam água de bromélias na serra da Piedade, na cidade de Caeté, quando se depararam com uma larva do mosquito elefante. “Nesta ocasião, começaram os primeiros ensaios laboratoriais sobre a criação destes mosquitos e avaliação da capacidade predatória, principalmente sobre larvas do Aedes aegypti. Motivado pelos resultados predatórios observados na graduação, em 2006 ingressei no curso de mestrado oferecido pelo programa de pós-graduação em Biologia Animal da Universidade Federal de Viçosa (UVF). Defendi minha dissertação de conclusão de curso mostrando a capacidade predatória de larvas do mosquito elefante e sugerindo seu uso como potencial agente de controle biológico no Brasil.
Durante os experimentos conduzidos no mestrado, observamos que uma larva do mosquito elefante pode comer até 400 larvas do mosquito do Aedes aegypti, do início ao fim de seu desenvolvimento. Em 2008, ingressei no doutorado em Entomologia, também na UFV, e concluirei em agosto de 2012”, disse.
Pesquisa
Daniel descobriu em suas pesquisas que, ao introduzir as larvas do mosquito elefante diretamente onde as larvas do Aedes aegypti se criam, conseguem um controle adequado. Entretanto, o pesquisador percebeu que esta introdução, para efeito de controle, não é viável. “Simplesmente porque a grande problemática encontrada no controle de focos das larvas do mosquito da dengue são aqueles criadouros que não são notados pelo homem, não podendo assim, ser eliminados”, completa. Daniel disse que um método mais viável de controle biológico seria liberar as fêmeas grávidas do mosquito elefante no ambiente urbano, porque, assim, elas poderiam localizar e depositar os ovos em locais onde se encontram larvas do Aedes aegypti. Dessa forma, as larvas do mosquito elefante, por consequência, comeriam as do Aedes aegypti.
Arquivo pessoal


MOSQUITO ELEFANTE

Aplicabilidade
No entanto, o doutorando falou que ocorreram alguns percalços durante os estudos. “Como biologia não é matemática, essa liberação não surtiu muito efeito. Por que isso? Porque as fêmeas do mosquito elefante voltaram para o ambiente silvestre. Sendo assim, estamos ainda avaliando em laboratório se fêmeas do mosquito elefante podem responder a substâncias químicas que são liberadas dos locais onde as larvas de Aedes aegypti se criam. Estas substâncias são chamadas de semioquímicos e, dependendo do nível de resposta que fêmeas do mosquito elefante apresentarem a estas substâncias químicas, nós poderemos aferir se elas têm ou não a capacidade de localizar e depositar ovos em locais onde se encontram larvas do mosquito da dengue”, explicou Albeny.
Segundo o especialista, isso se dá porque os adultos do mosquito elefante não copulam em ambientes artificiais. Uma alternativa seria a utilização de uma técnica chamada de cópula induzida ou cópula forçada, onde os machos e fêmeas são anestesiados e a cópula acontece artificialmente. Essa utilização da cópula forçada garante a manutenção da espécie para fins de experimentações laboratoriais. Contudo, ele acredita que para grandes liberações no ambiente, seria necessário o treinamento de pessoal qualificado para desenvolver tal técnica.
Vantagens
Sobre a possível vantagem do método estudado por ele, Daniel alega que o controle biológico não pode ser visto como vantajoso ou desvantajoso em relação ao controle químico convencional. “Na realidade, os métodos de controle biológico funcionam como métodos alternativos que por sua vez vem somar forças com o controle químico no combate ao Aedes aegypti. Entretanto, inseticidas podem selecionar genes que causam resistência e assim deixar de ser eficiente com o passar do tempo. Logo, o uso do controle biológico, aliado ao químico pode retardar esse efeito”, conclui.
Como minimizar os sintomas da doença
Febre alta, dor de cabeça, uma dor no corpo muito intensa, desânimo acentuado, dor atrás dos olhos e nas articulações. Essas são as primeiras manifestações dos sintomas da dengue, explica o infectologista Aloísio Benvindo de Paula. Segundo o especialista, os tipos de vírus são: 1, 2, 3 e 4. E apesar de possuírem características genéticas diferentes, a manifestação da doença é sempre igual, embora haja casos mais graves, como a dengue hemorrágica.
O infectologista explicou que é possível saber se a doença se agravou. “Início de sangramento, dor abdominal na região do fígado e olhos amarelados, significam que pode ser a apresentação mais grave da doença”, explica.
Para o tratamento da doença são utilizados medicamentos para febre e dor, e os recomendados são Paracetamol ou Dipirona. O médico chama a atenção das pessoas quanto ao uso incorreto de medicamentos e alerta que não se deve tomar aspirinas e antiinflamatórios.
A recomendação é que a pessoas que apresente os sintomas mencionados se hidrate. “Então, beber muita água e se houver necessidade de soro caseiro, tomar soro caseiro. E procurar atendimento médico”, reiterou.O mosquito está em toda parte. As pessoas têm que se preocupar com pequenos detalhes em suas casas. “É necessário eliminar os focos do mosquito Aedes aegypti, se preocupar com o lixo, vasos de plantas, tampar bem as caixas d’água, e conferir as calhas do telhado”, finaliza Aloísio Benvindo.
 

 
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