14 de abril, de 2011 | 00:12

Professora participa de Congresso de Psicologia

Docente do Unileste leva a Florianópolis estudos sobre o trabalho na construção civil

Divulgação


CONSTRUÇÃO CIVIL
FABRICIANO – De hoje (14) até sábado (16) a professora Anizaura Lídia Rodrigues de Souza, do Centro Universitário do Leste de Minas Gerais (Unileste-MG), participa do Congresso Iberoamericano de Psicologia das Organizações e do Trabalho (II Ciapot), em Florianópolis (SC). A docente vai apresentar pesquisas relacionadas à produção da subjetividade e significados atribuídos ao trabalho.
O Congresso tem como proposta firmar uma trajetória de encontros entre profissionais, pesquisadores, professores e estudantes interessados nos estudos da Psicologia e de suas aplicações na área da produtividade humana. Esta edição traz como tema “Processos Psicossociais nas Organizações e Trabalho”. 
A coordenadora do curso de Psicologia do Unileste, Regina Lúcia de Souza, comemora a participação da professora Anizaura no evento. “Em contato com pesquisadores e profissionais de países como Espanha, Portugal e Argentina, Anizaura representará muito bem o Unileste e promoverá um intercâmbio de informações que, certamente, enriquecerá as práticas do curso”, afirma.

Construção

Anizaura Souza ministra aulas nos cursos de Psicologia, Engenharia de Produção e Administração e é doutoranda em Psicologia pela UFMG onde, em parceira com as pesquisadoras Clara Leite (mestranda) e a professora doutora Lívia Borges (orientadora), desenvolveu os seguintes trabalhos aprovados no II Ciapot: “A Percepção dos Operários da Construção Civil sobre as Práticas de Gestão no Setor” e “A Organização do Trabalho Segundo os Operários da Construção Civil”, ambos baseados em relatos de profissionais e empresas de Belo Horizonte. 
O primeiro estudo objetivou investigar como os operários da construção civil percebem a forma como seus superiores lidam com os dilemas gerenciais do cotidiano, e as relações interpessoais estabelecidas entre eles. Anizaura Souza afirma que em 31,8% dos boletins sindicais analisados foram constatadas denúncias sobre violência física e verbal entre os operários. Os relatos pessoais indicaram, ainda, uma relação de pouca proximidade, com oportunidades pontuais de diálogo.

Valorização e autonomia

Já a pesquisa “Organização do Trabalho Segundo os Operários da Construção Civil”, em que a docente atuou como co-autora, buscou apreender como os operários vivenciam os processos de trabalho, descrevendo aspectos referentes às demandas e às competências do trabalhador, ao papel social, ao ritmo e ao controle e autonomia de suas atividades. Para tanto, a pesquisa contou com uma amostra de 360 trabalhadores de duas empresas da construção habitacional.
Dentre os resultados obtidos, ficou evidenciado que o ritmo de trabalho pode ser afetado pela interdependência entre as atividades dos colegas de serviço. Corroborando tal hipótese, 69,4% responderam que os chefes decidem sozinhos sobre a divisão das tarefas, enquanto apenas 17,3% apontaram que se sentem ouvidos, contra 10,9% que afirmaram participação da equipe nas tomadas de decisões. 
Para os pesquisadores, o conjunto dessas respostas aponta níveis moderados de controle e autonomia, embora limitados pela hierarquia. “Por esses fatores, reconhece-se a necessidade de modernização do setor de construção civil, mas numa direção que valorize os espaços de autonomia e de aprendizagem e não rompa o vínculo do trabalhador com o que ele produz”, completa Anizaura.
 
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