15 de abril, de 2011 | 00:00
Acordo criticado por comerciantes
Empresários acreditam que fechamento do comércio no feriado trará prejuízos
IPATINGA Comerciantes do município estão preocupados com a queda das vendas durante a Semana Santa. O receio deles se fundamenta no acordo coletivo firmado, no ano passado, entre o Sindicato do Comércio Varejista e Atacadista de Bens e Serviços do Vale do Aço (Sindcomércio) e o Sindicato dos Empregados no Comércio e Serviços de Ipatinga (Seci). O documento garante folga, no sábado de Aleluia, aos comerciários que trabalharam durante o último período natalino.Dessa forma, o comércio do município ficará fechado por quatro dias - quinta-feira (21), sexta-feira (22), sábado (23) e domingo (24) o que consequentemente, causará perda de receita. A preocupação é reforçada pelo fato de, na semana seguinte, no dia 29, data do aniversário de Ipatinga, o comércio novamente fechará as portas em respeito ao feriado municipal.
Segundo os comerciantes, outro fator agravante é que os primeiros meses do ano sempre são difíceis para o setor. É nesse período que são cobrados a maioria dos tributos. Além disso, no comparativo com os anos anteriores, em 2011 houve uma redução dos lucros no comércio local.
De acordo com Helvécio Thomaz Martins, proprietário da rede de farmácias São José, a insatisfação por parte dos empresários do comércio é generalizada. Ele considera que faltou diálogo entre todas as partes envolvidas, visto que os comerciantes estão inseridos no contexto e não foram convidados para participar da discussão que envolveu a assinatura do acordo.
O acordo foi firmado arbitrariamente e só fomos informados da decisão. Assim como os comerciários, nós, comerciantes, somos parte importante desse processo. Do jeito como foi feito, o acordo beneficia os comerciários, mas acaba prejudicando os comerciantes e também os consumidores. Esse problema poderia muito bem ter sido evitado caso todas as partes participassem da discussão. Remediar agora uma situação já criada é mais complicado. O combinado tem mesmo que ser cumprido, mas não dessa forma, que prejudica um dos lados”, analisa o empresário.
Ele ainda teceu críticas ao Sindcomércio que, na sua concepção não vem agindo de maneira correta e acaba prejudicando os comerciantes”. Nós (comerciantes) temos que tomar atitudes urgentes, não em represália, mas devemos, sim, repensar esse sistema que hoje está instituído. Não descarto até a saída da tutela desse sindicato patronal”, contou Helvécio.
Obstáculo
Marconi Mendanha, dono da papelaria Mendanha, disse que a Semana Santa, tradicionalmente, é um período no qual o comércio fica bastante aquecido e, com o fechamento das lojas no período, os empresários vão deixar de ter faturamento.
Essa medida acaba sendo um obstáculo para o comércio local. Historicamente, os sábados que vêm em seguida a feriados são bastante bons em vendas. Ainda mais na Semana Santa, que é um feriado quando muitas pessoas que moram fora vêm à região visitar seus familiares”, pontuou.
O proprietário da fábrica de roupas íntimas Flor de Seda, Eduardo Roger, fez questão de citar que os comerciantes não são contra o sistema de compensação, mas que essa medida deveria ser feita de outra forma.
Acho, sim, que deve haver a compensação das horas trabalhadas no período natalino, mas não do jeito como fizeram. Não fomos consultados e, se fôssemos, com certeza não concordaríamos. Existem outros métodos que não prejudicam o comerciante, como um sistema de revezamento entre funcionários. Assim, o trabalhador descansa e também não prejudica a produção. O prejuízo atinge ainda o consumidor, que ficará sem opções de compra, porque as lojas vão estar fechadas”, finalizou.
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