15 de abril, de 2011 | 00:00
Comunidade escolar quer segurança
Conselhos de Segurança Pública Escolares é uma nova alternativa para propor ações de combate à violência
IPATINGA - O ambiente de aprendizado dos alunos da rede escolar de Ipatinga carece de mais investimentos que garantam a segurança. A conclusão é resultado de entrevistas feitas pela reportagem do DIÁRIO DO AÇO junto à comunidade escolar e Conselho Tutelar do município.
As salas de aula tornaram-se um ambiente desafiador para professores. Durante a relação cotidiana com os alunos, os docentes têm enfrentado toda sorte de dificuldades, seja por parte de agressões verbais ou até mesmo físicas. O esforço para conciliar o aprendizado dos alunos com as ameaças sofridas é muito grande”, relatou Márcia Leal, representante do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Ipatinga (Sind-UTE).
Para a mãe de um aluno da Escola Municipal do Game, os maiores problemas enfrentados na comunidade estão relacionados ao aliciamento de crianças para o tráfico e consumo de drogas.
Nossas crianças praticamente não contam com opções de lazer. É quase impossível segurar um jovem de 13 anos dentro de casa. Diante disso, só Deus mesmo para proteger nossos filhos dos traficantes que rondam nossas casas”, disse a mãe, que preferiu não se identificar.
Outro problema apontado pela dona de casa está relacionado à falta de fiscalização sobre a venda de bebidas alcoólicas e cigarros para menores de idade.
Em qualquer bar que um adolescente entrar, ele sai com uma cerveja na mão e um cigarro na outra. Isso deveria ser combatido de maneira muito mais forte”, defende a mulher, mãe de três filhos em idade escolar.
Moradora do bairro Cariru, a advogada Célia Antunes reforça a reclamação da mãe que vive no Game, bairro considerado de alta vulnerabilidade social em Ipatinga.
Quem mora em áreas nobres não está protegido de ter seus filhos envolvidos com drogas ou brigas de turmas. Muito pelo contrário. Todas essas coisas são reflexos de nossa sociedade como um todo. A educação e a participação de pais, alunos, professores e polícia deve ser trabalhada de maneira conjunta. Aqui no Cariru é muito comum encontrar jovens de 15 e poucos anos tomando cerveja e fumando perto das escolas sem o menor constrangimento. E ninguém faz nada”, declarou Célia.
Patrulha
Retomada em Ipatinga em novembro do ano passado, a Patrulha Escolar é a principal arma de combate e prevenção aos crimes e contravenções promovidas dentro do ambiente estudantil.
Segundo o capitão PM Luis Antônio, responsável por coordenar o projeto, a Polícia Militar tem tomado uma série de atitudes para otimizar as ações e propiciar mais segurança aos estudantes e professores.
Incluímos ao projeto da Patrulha Escolar o programa Polícia Protagonista na Proteção Integral de Crianças e Adolescentes (Popi). Essa iniciativa é totalmente voltada para a prevenção nas escolas e interação entre diretoras, policiais e toda a comunidade envolvida. Posso garantir que, em breve, Ipatinga servirá de referência para Minas e até mesmo para o país quando se falar em segurança escolar”, garantiu o capitão.
Para realizar os trabalhos, a Patrulha conta com um efetivo de 23 policiais militares treinados especificamente para lidar com jovens e adolescentes, 13 carros, oito motos e oito bicicletas. Certamente precisamos de um efetivo maior. Mas dentro de nossas condições estamos estudando e realizando as melhores ações possíveis”, completou o policial.
Consep escolar
Uma das novas iniciativas mencionadas foi a criação de Conselhos de Segurança Pública (Consep) escolares. Ainda segundo Luis Antônio, as discussões já começaram a ser realizadas com as partes envolvidas e a expectativa é de que, em 40 dias, ocorram as eleições dos Conseps escolares.
Em nota, a Prefeitura de Ipatinga informou que mais de 220 câmeras estão instaladas em escolas públicas do município para contribuir com a prevenção de agressões físicas ou verbais por parte de professores e alunos. Além disso, vigilantes auxiliam os trabalhos em todas as instituições de ensino”, garante a PMI.
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