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24 de abril, de 2011 | 18:01

Rinaldo é velado em Ipatinga

Homenagens marcaram despedida do engenheiro

Bruno Soares


VELORIO RINALDO EM IPATINGA
Ipatinga - O corpo de um dos homens mais notáveis da história de Ipatinga chegou ao aeroporto da Usiminas, em Santana do Paraíso, às 7h30 deste feriado de Sexta-feira da Paixão (22).
Ex-presidente da maior indústria siderúrgica de aços planos da América Latina, Rinaldo Campos Soares faleceu na última quinta-feira (21), em Belo Horizonte, vítima de um câncer no pâncreas, descoberto há cerca de seis meses.
Segundo informações do hospital Felício Rocho, onde Rinaldo ficou internado por oito dias, sua morte foi conseqüência de falência múltipla dos órgãos. De acordo com a viúva de Rinaldo, dona Conceição Soares, a decisão de trazer o corpo do marido para ser velado em Ipatinga foi iniciativa da própria família.
“Aqui ele deu início a sua vida profissional e conquistou todas as posições possíveis dentro da Usiminas. Trazê-lo foi uma demonstração de carinho aos milhares de amigos que ele fez durante todos estes anos de trabalho e dedicação a essa cidade”, declarou a viúva, ainda no aeroporto. Rinaldo Campos Soares foi funcionário da Usiminas por 37 anos, por 17 atuou como presidente da empresa.
Velório
Carinho, dedicação e trabalho. O significado destas três palavras - sempre presentes nas ações de Rinaldo – foi também o que mais marcou as cerca de seis horas que milhares de amigos, ex-funcionários da usina, autoridades e lideranças religiosas tiveram para se despedir do “professor”, como ficou conhecido na cidade.
Logo em seguida ao desembarque no aeroporto, um grupo de representantes da Associação dos Metalúrgicos e Pensionistas de Ipatinga fez questão de carregar o caixão até o carro dos Bombeiros. À exemplo do que acontece com cidadãos de destaque, o corpo de Rinaldo seguiu em cortejo até o Centro da cidade para ser velado no hall da Prefeitura Municipal. Às oito horas, o prefeito Robson Gomes recebeu os familiares e o velório foi iniciado.
“Rinaldo foi uma pessoa única para o desenvolvimento da siderurgia brasileira e para a consolidação do município de Ipatinga como uma das maiores cidades de Minas. É difícil encontrar em nossa cidade um setor social ou econômico que não tenha as mãos do trabalho dele. Ipatinga está em luto”, afirmou Robson Gomes.
Ao redor do pátio da PMI, dezenas de coroas de flores encaminhadas pelos mais diversos setores da sociedade davam noção do carinho desprendido ao ex-presidente da Usiminas.
“Se a Usiminas é a mãe da cidade, o Rinaldo foi o pai. Esse homem dedicou sua vida a fazer o bem por Ipatinga”, disse com lágrimas nos olhos um dos primeiros populares a se despedir do ex- chefe. E conforme foi demonstrado no velório, a declaração não foi exagerada. Representantes do Lions, Rotary, Comunidade Japonesa, Juízes, Promotores, políticos, entidades assistenciais, empresários e milhares de pessoas passaram para dar o último adeus ao “maior benfeitor de Ipatinga”.
“Falar sobre a história de vida do Rinaldo é praticamente falar sobre a evolução de Ipatinga. Aliás, esses dois temas se confundem. Foi durante sua gestão que diversos clubes de lazer da cidade foram criados, milhares de árvores foram plantadas, a Unidade II do Hospital Márcio Cunha foi concretizada, o Colégio São Francisco nasceu, enfim... Certamente a Usiminas foi um fator determinante para o desenvolvimento de Ipatinga. Mas a administração e a preocupação do Rinaldo com o lado social foi importantíssima para todos os cidadãos”, destacou Gabriel Pacheco, engenheiro aposentado e amigo pessoal de Rinaldo por mais de 30 anos.
Também presente ao velório, o atual presidente da Usiminas, Wilson Brumer, destacou o papel do antecessor.
“Falar sobre a administração do Rinaldo é enaltecer sua preocupação com o desenvolvimento sustentável e social das comunidades. Esse papel foi executado com brilhantismo por ele e cabe a nós agora darmos seqüência ao seu legado. A siderurgia brasileira perdeu um grande homem”, avaliou Brumer.
Ecumenismo
Para confortar a dor dos familiares e amigos, o bispo emérito da Diocese de Itabira/Coronel Fabriciano, Dom Lélis Lara, e o presidente das Igrejas Assembleias de Deus do Vale do Aço, Pastor Antônio Rosa, realizaram duas celebrações religiosas.
Conterrâneo de Rinaldo, natural de Divinópolis, Dom Lara citou o evangelho de São Mateus para falar do amigo. “Rinaldo foi um homem que nunca negou ajudar ao próximo e sempre estendeu sua mão aos necessitados. Certamente parte agora para descansar ao lado de Deus”, disse o padre. Já o pastor Antônio Rosa aproveitou a oportunidade para tornar público uma carta escrita por Rinaldo a ele recentemente. “Tive o prazer de ser considerado amigo por esta pessoa maravilhosa que foi o presidente Rinaldo. Sua vida foi dedicada ao bem e ao trabalho. Fiquemos tranqüilos e confortados, pois agora ele irá descansar ao lado do Pai”, disse o evangélico.
Ao final do velório na PMI um grupo de músicos tocou uma música de Nélson Rodrigues para acompanhar o transporte do caixão até o carro dos Bombeiros. “Naquela mesa ta faltando ele, E a saudade dele ta doendo em mim”, cantarolava uma multidão de pessoas emocionadas.
Às 13 horas o corpo de Rinaldo Campos Soares foi levado ao aeroporto para ser transportado novamente a Belo Horizonte. Acompanhado pelo prefeito de Ipatinga, Robson Gomes, pelo Secretário de Gestão Metropolitana, Alexandre Silveira e pelo presidente do Conselho Consultivo de Ipatinga, José Edélcio, a viúva de Rinaldo recebeu as bandeiras de Ipatinga, de Minas e do Brasil. Rinaldo foi cremado na capital mineira no final da tarde desta Sexta-feira da paixão aos 73 anos.
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