08 de maio, de 2011 | 00:00
Destinação correta de lixo eletrônico
Comerciante encontra solução para evitar danos ambientais com inservíveis da vida moderna
IPATINGA O avanço tecnológico, que torna arcaico em pouco tempo as invenções eletrônicas, tem gerado um desafio a mais para a humanidade: para onde destinar tubos de imagem dos televisores, agora substituídos pelas placas de LED e LCD, monitores de computador, teclados, gabinetes, placas de circuitos eletrônicos, processadores, aparelhos de DVD, painéis digitais, centrais telefônicas, pilhas, baterias e até aparelhos de telefonia celular que não funcionam mais?
Sem recolhimento pelo serviço convencional de limpeza urbana, o lixo eletrônico acaba abandonado pelas ruas ou misturado ao lixo comum, gerando riscos ambientais. A reportagem do DIÁRIO DO AÇO tem mostrado frequentemente reclamações de moradores incomodados com o lixo eletrônico abandonado nas calçadas e canteiros centrais das avenidas. Essa situação ocorre porque o lixo eletrônico não pode ser jogado em aterros sanitários covencionais por causa de seus componentes altamente contaminantes.
Em Ipatinga uma experiência piloto promete dar um destino diferente para essa situação. A proposta é do comerciante Robson Martins Lima. Ele firmou um contrato com a empresa Lorene Sucata Eletrônica, sediada em São Paulo e se propõe a juntar o lixo eletrônico em Ipatinga para, a cada meia tonelada ou mais, enviar a carga para a capital paulista. A empresa vai comprar o material oriundo do Vale do Aço.
O comerciante conta que a ideia surgiu a partir da observação do que ocorria na sua própria empresa de informática, desde 2003. A quantidade de sucata era imensa todo mês e não havia para onde destinar corretamente o material. Pesquisei e descobri que a Lorene é uma das poucas empresas que reciclam o lixo eletrônico”, revela.
Riscos
O lixo eletrônico é composto por peças que contém metais pesados e polímeros tóxicos como mercúrio, berílio, chumbo, cádmio e índio usados na fabricação dos componentes eletrônicos ou mesmo o benzeno, usado nos gabinetes, teclados, capas de monitor e outras peças. A maioria desses elementos é altamente prejudicial à saúde humana. Quando jogados na natureza os produtos acabam por atingir os cursos dágua e podem chegar aos seres humanos de variadas formas. O tratamento de água convencional não retira esse tipo de poluente. Então a contaminação pode chegar a água de poço artesiano, uma nascente, ou mesmo em plantas e animais”, observa.
Na prática, a empresa em São Paulo separa os materiais, reaproveita alguns insumos extraídos e processa o restante. Alguns dos produtos são exportados porque não têm utilidade no Brasil.
A empresa criada em Ipatinga já recolhe alguns materiais. O agendamento é feito por meio dos telefones 3821 0966 ou 8503 4027. As empresas não vão pagar pela retirada do lixo eletrônico de suas instalações. Também as pessoas físicas podem solicitar a retirada dos eletrônicos inservíveis.
Começamos esse trabalho por Ipatinga, mas a meta é expandir o recolhimento para outras cidades do Vale do Aço. Quem tiver monitores de computador, televisores que não funcionam mais, pilhas e baterias usadas, placas, circuitos eletrônicos, pode ligar que agendamos e retiramos o material”, explica. Atualmente há um depósito em uso pelo comerciante, mas haverá necessidade de mudança para um local ainda em adequação.
Ainda segundo Robson Martins Lima, a empresa que receberá os materiais, em São Paulo, é credenciada pelos órgãos ambientais. Detentora dos ISOS 9001 e 14001 e emite certificados de conduta ambientalmente correta. Para ter o documento, as empresas que dispensarem o lixo eletrônico podem optar pela emissão de nota fiscal de saída. Com a nota fiscal, a Lorene emite o certificado.
Se a empresa optar por não emitir nota fiscal, precisará preencher uma declaração de doação do lixo eletrônico para ter acesso ao certificado.
Conscientização
Para alertar sobre a importância da destinação correta do lixo eletrônico, Robson tem visitado sucateiras, oficinas de eletrônicos uma das grandes geradoras desse tipo de lixo associações de catadores de recicláveis e escolas. O comerciante conta que é um fato consumado. Atualmente o lixo ou é misturado à sucata comum ou lançado de forma clandestina na natureza. Já encontrei representantes de empresa que, sem ter para onde destinar o material corretamente, e sem o recolhimento por uma empresa especializada, adotaram a única saída possível, que foi soterrar o lixo eletrônico em algum lugar ermo, um crime contra a natureza”, afirma.
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