10 de maio, de 2011 | 00:02
Secretário defende redução da tarifa dos ônibus em Ipatinga
Para Alexandre Silveira o Sistema Integrado de Transporte deve ser revisto
BELO HORIZONTE - O secretário de Estado de Gestão Metropolitana, Alexandre Silveira, posicionou-se contrário às mudanças realizadas no transporte urbano em Ipatinga.Desde que foi implantado o sistema de integração no município, no dia 29 de abril, quem precisa se locomover no transporte público tem enfrentado uma série de dificuldades. Além do desconforto, com veículos sempre lotados, os atrasos dos passageiros em seus compromissos, principalmente ao trabalho, têm sido constantes.
O caos instalado no município, com depredação e até ameaça de incêndio contra veículos, comprometendo a segurança de trabalhadores, tem levado preocupação às autoridades. Temos que zelar pelo bem-estar dos trabalhadores do município e cidades circunvizinhas”, disse Alexandre Silveira.
O secretário informou que tem sido procurado por lideranças de vários segmentos. Diversas pessoas foram prejudicadas e a nossa posição é a mesma: não concordamos com a maneira como foi implantado o Sistema Integrado de Transporte em Ipatinga”. Ele lembrou que numa mudança desse porte, que afeta milhares de trabalhadores, precisa de uma ampla discussão, o que não ocorreu em Ipatinga.
Alexandre Silveira defendeu a revisão de todos os pontos prejudiciais ao trabalhador. Em sua avaliação, atualmente há um lucro exorbitante por parte do prestador do serviço de transporte que, em dezembro, reajustou o valor da tarifa. Caso não ocorra redução da passagem, Alexandre Silveira entende que o sistema não deve ser colocado em prática.
Segundo o secretário, não bastasse o aumento no valor da tarifa, os serviços à população ficaram comprometidos, já que houve redução de 10 veículos, que passaram de 118 para 108. Na prática, há apenas 98 ônibus rodando, considerando que 10 veículos são para a reserva, para os casos de substituição.
Custos
O secretário Alexandre Silveira observa que a redução no número de ônibus em circulação no município de Ipatinga diminui em 10% os custos variáveis e operacionais da empresa, levando em conta que a frota está circulando menos 2.800 quilômetros por dia. Na avaliação dele, o Sistema de Integração, da forma como foi implantado, também prejudica o desenvolvimento da cidade.
Confrontando os dados, é possível verificar que a redução do número de veículos diminui em R$ 2 milhões os investimentos da empresa na cidade, pois são dez ônibus a menos em circulação. Cada veículo custa, em média, R$ 200 mil. Enquanto a expectativa de aumento no número de passageiros em Ipatinga é de 9 mil ao dia”, assinala.
Alexandre Silveira ainda destacou que é inconcebível um projeto funcionar sem que a população tenha sido consultada. Do jeito como foi implantado, não poderia acontecer outra coisa senão os veículos circularem com um número bem maior de passageiros, gerando um grande desconforto a todos”, concluiu, deixando claro que, na condição de secretário de Gestão Metropolitana vai estar atento a políticas que contrariem o interesse público.
Audiência debate alteração no transporte coletivo
IPATINGA - Os vereadores Agnaldo Bicalho (PT), Sebastião Guedes (PT) e Roberto Carlos (PV) reiteraram, nesta segunda-feira (09), o convite à população para participar da audiência pública para discutir alterações no transporte coletivo no município. O encontro ocorrerá nesta terça-feira no plenário da Câmara. Os parlamentares são membros da Comissão de Urbanismo, Transporte, Trânsito e Meio Ambiente da Câmara.
Em operação desde o fim do mês passado (29), a integração alterou a forma como os passageiros utilizam os ônibus na cidade, motivo de muita reclamação por parte dos usuários de ônibus em Ipatinga.
Diversas reclamações têm chegado a seus gabinetes desde que a mudança foi implantada. Para usar o sistema, é preciso ter o cartão fornecido pela Autotrans, empresa responsável pelo transporte público no município. Ao entrar em um ônibus, o passageiro poderá fazer o trajeto até um local e, dentro de um prazo de até 45 minutos, pegar mais um ônibus para outro bairro, sem pagar uma nova passagem. O sistema não permite, porém, que seja utilizada a integração para voltar ao mesmo local de origem.
Houve mudanças também em outras linhas que circulam pelo município. Novas linhas foram criadas e algumas também foram extintas, o que gerou protestos no primeiro dia útil depois da mudança. Segundo o vereador Agnaldo Bicalho, foram convocados a Secretaria de Serviços Urbanos da Prefeitura e representantes da Autotrans e convidados representantes do Ministério Público e das associações de moradores.
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