12 de maio, de 2011 | 00:00
Protestos marcam Semana de Mobilização pela Educação
Professores cobram agilidade na implementação do piso salarial e questionam veto de prefeito
IPATINGA Professores da rede pública de ensino paralisaram suas atividades na tarde desta quarta-feira (11). Os profissionais se concentraram na praça dos Três Poderes, e realizaram uma manifestação em virtude do Dia Nacional de Paralisação dos Trabalhadores em Educação.As ações, puxadas pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), ocorreram em diversas cidades do Brasil e a paralisação é o ponto alto da Semana de Mobilização pela Educação.
Em Ipatinga, o movimento foi articulado pelo Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG). Como já tem sido comum, o impasse da categoria junto à administração municipal deu o tom dos protestos.
Eles foram motivados pela não implantação do piso salarial do magistério e pelo recente veto do prefeito Robson Gomes (PPS) ao projeto aprovado por unanimidade pelos vereadores que versa sobre a extensão da carga horária dos professores da rede municipal.
Dobra
Esse sistema também é conhecido por dobra”. A lei regulamentaria essa situação, que já ocorre na rede pública. A dobra já acontece desde os anos 70. Ela faz parte, inclusive, do nosso Plano de Carreiras. A lei era mesmo para regularizar essa situação.
A recusa nos deixa preocupados, porque a gente entende que, com isso, o governo pode, sem mais nem menos, cortar”, explicou a coordenadora do departamento Jurídico do Sind-UTE/MG, Márcia Leal.
Segundo ela, caso isso ocorra, vai ter um impacto muito grande. Hoje, a grande maioria dos professores já trabalha com extensão de carga horária. Caso a prefeitura resolva acabar com esse sistema, vai ser um baque. Como o sistema já é antigo, muitas pessoas dependem desses ganhos. Seria 50% a menos da renda”, pontuou.
A assessoria de Comunicação Social da PMI informou, por meio de nota, que o veto ao projeto de lei do legislativo que estende a carga horária para os profissionais de educação foi embasado na Constituição Federal, no sentido que a competência da matéria é de exclusividade do Executivo, pois onera os cofres públicos”.
Apoio
A matéria volta agora à Câmara Municipal, na reunião ordinária do próximo dia 20, para que os legisladores realizem nova votação sobre o veto. O vereador Roberto Carlos (PV), membro da Comissão de Educação, disse que os vereadores sinalizam a tendência de derrubar o veto do prefeito Robson Gomes.
A comissão é totalmente favorável à derrubada do veto. Até porque a extensão da carga horária dos professores já acontece e a lei só iria legitimar essa situação, garantindo mais segurança a esses profissionais. Acredito que os outros parlamentares vão seguir a mesma linha, até porque o projeto, quando apresentado, foi votado favoravelmente, por unanimidade”, disse Roberto Carlos.
O presidente da Câmara Municipal, vereador Nardyello Rocha (PMDB), também se posicionou sobre o tema. Caso o veto seja derrubado e o prefeito não sancione o projeto, garanto à categoria que vou promulgá-lo e transformá-lo em lei”, afirmou.
Valorização
Com relação à implantação do piso salarial da categoria, o Sind-UTE cobra mais agilidade para que seja implementado. A professora Ana Glaicy, que há 21 anos leciona na rede municipal, considera a questão do piso uma das prioridades da educação.
Essa luta pela implementação do piso do magistério já vem desde 2008. Só que foi parar na Justiça e só recentemente, felizmente o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu a favor da sua implantação. Mas o governo ainda não está cumprindo. A manifestação de hoje serve para mostrar que estamos mobilizados e vamos cobrar pela valorização da educação municipal”, finalizou a educadora.
Protesto de professores da rede municipal de Ipaba
IPABA Dezenas de professores da Escola Municipal Padre João Geraldo Rodrigues, em Ipaba, protestaram na tarde desta quarta-feira (11), em frente à prefeitura, por melhores salários. Os profissionais seguiam pelas ruas da cidade com faixas, carro de som, fogos de artifício e apitos, pedindo que a administração municipal cumpra a lei e aumente o salário dos professores, de R$ 680 para R$ 1.187.
Segundo a coordenadora da Secretaria de Educação, Sara Franco, a reivindicação pelo aumento do salário é justa, mas o município não tem condição financeira para pagar esse valor aos professores. Esse salário de R$ 1.187 é para quem trabalha 40 horas semanais. Nossos professores trabalham 20 horas. E muitos deles dobram a jornada para completar a renda. A prefeitura não tem recursos para isso”, reitera Sara.
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]














