15 de maio, de 2011 | 00:00
MP conta com sistema automático de monitoramento de chaminés
IPATINGA - O titular da Promotoria de Defesa do Meio Ambiente e Urbanismo em Ipatinga, Walter Freitas de Moraes Júnior, faz o acompanhamento do sistema de monitoramento automático dos emissores de poluentes nas fontes, no caso, as chaminés da Usiminas. Em entrevista ao DIÁRIO DO AÇO, o representante do Ministério Público mostrou como se dá o funcionamento do novo mecanismo eletrônico, que começou a funcionar parcialmente em seu gabinete há cerca de 30 dias.
Atualmente, o controle é feito em seis chaminés da siderúrgica. Walter Freitas disse que a previsão é de que, em no máximo dois anos, todas as fontes da Usiminas já estejam sendo monitoradas. O projeto está em fase de implementação e funcionando parcialmente. Inicialmente, o monitoramento está sendo feito nas chaminés de maior volume. Até 2013 a intenção é que todos já estejam em pleno funcionamento”, afirmou.
Os estudos para a implantação de um sistema para medir o nível de poluentes diretamente das fontes já vêm desde 2009 e foi desenvolvido em conjunto com a rede de monitoramento da qualidade do ar. Desde 2010, painéis com leituras de monitoramento instalados na Praça dos Três Poderes, Parque Ipanema e bairros Cariru e Horto (Shopping do Vale do Aço), informam, em tempo real, a qualidade do ar medida em quatro estações localizadas em pontos distintos da cidade: Cariru, Veneza, Bom Retiro e Cidade Nobre.
O novo sistema foi criado para que o Ministério Público pudesse acompanhar de perto a emissão de gases danosos ao meio ambiente pela Usiminas. O principal objetivo do sistema de monitoramento é medir a quantidade de SO2 (dióxido de enxofre) emitidos pelas fontes da usina ligadas à área de coqueria. Esse gás é o causador direto de impactos ambientais, como a chuva ácida”, explicou Walter Freitas.
O objetivo é verificar se a Usiminas cumpre o acordo estabelecido junto à promotoria, no qual a empresa se comprometeu a controlar a quantidade de poluentes emitidos ao meio ambiente respeitando as limitações estabelecidas pela legislação. Numa avaliação do sistema desde que começou a operar, Walter avalia que, aparentemente, está funcionando bem”. Ou seja, os níveis alcançados até agora estão dentro da normalidade.
Avanços
Mais adiante, após o início das atividades da já anunciada coqueria 3, o sistema também vai monitorar, além do SO2, a emissão de material particulado e de NOx(nitróxido de oxigênio). Com relação ao material particulado, o promotor disse que a promotoria já faz um acompanhamento das áreas de sinterização, um dos principais responsáveis pela produção desses resíduos. Foi constatado que a Usiminas tem um problema com o sistema de despoeiramento na área de sinterização, mas já requisitei informações mais atualizadas para buscar a melhor forma de solucionar essa questão”, adiantou.
O representante do MP contou que esse sistema é pioneiro no Brasil. Esse sistema de monitoramento de empresas interligado com o Ministério Público, eu, pelo menos, não conheço a existência em outro lugar. A iniciativa é muito interessante e acaba sendo mais uma garantia em prol da sociedade”, finalizou Walter Freitas.
Usiminas garante que emissões estão dentro da normalidade
Moradores de diversos bairros em Ipatinga, entre eles o Bela Vista, Novo Cruzeiro, Caravelas e Centro, reclamaram durante a semana que passou, do aumento do material particulado (pó preto) nas casas, estabelecimentos comerciais e nas ruas.
A poluição aumentou consideravelmente, segundo reclamaram os moradores. A origem da poluição é incerta, mas a maior suspeita recai sobre as emissões de material particulado pela Usiminas, uma vez que o pó preto chegou acompanhado de material brilhoso, semelhante a minério de ferro.
A assessoria de comunicação da empresa afirma que as emissões da Usina Intendente Câmara estão dentro dos padrões normais. No entanto, o setor ambiental da empresa admite que, no período frio, a inversão térmica permite uma maior percepção da poluição porque a dispersão do material fica mais concentrada.
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