15 de maio, de 2011 | 00:00

Em defesa da sustentabilidade

Ambientalista fala em Fabriciano da luta para criação do Parque Nacional da Gandarela

Agência Minas


CARAÇA

FABRICIANO – Um dos destaques do Seminário Metropolitano de Sustentabilidade Ambiental realizado neste sábado, no Instituto Ethos de Educação em Fabriciano, foi a experiência do movimento em defesa da criação do Parque Nacional da Serra da Gandarela, entre os municípios de Santa Bárbara, Caeté, Rio Acima e Raposos, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O parque abrangerá também os municípios de Nova Lima, Barão de Cocais, Itabirito e Ouro Preto, atingindo uma área total de 38,2 mil hectares. A iniciativa, porém, está ameaçada por um projeto da Vale para a instalação da mina Apolo, que ficaria localizada entre os municípios de Santa Bárbara, Caeté, Rio Acima e Raposos.
Educadora ambiental, Maria Teresa Viana de Freitas Corujo explica que a criação do parque é importante, não só para processo de sustentabilidade dos recursos hídricos, da fauna e da flora do local, mas principalmente da espécie humana. “A sustentabilidade hoje não é apenas da Ararinha Azul e do Lobo-Guará como se falava há 15 anos. Agora nós estamos falando da sustentabilidade da espécie humana junto, porque tem tudo a ver com o abastecimento de água para o uma região de cinco milhões de habitantes”.
Maria Teresa destaca que a luta do movimento já dura quatro anos, desde quando começaram as movimentações de empresas e técnicos realizando estudos e análises do local. Quando posteriormente surgiram publicações na mídia sobre uma possível instalação de uma mina, que seria considerada a maior mineração a céu aberto do país, já havia a mobilização ambiental. “Ao mesmo tempo havia estudos que confirmando que aquele lugar tinha todas as características para se tornar uma unidade de preservação ambiental”, completou. Com a notícia surgiram vários movimentos paralelos em várias partes da região, em outros municípios e comunidades preocupadas com o futuro do complexo.
Há quase dois anos os vários grupos se uniram em torno de pesquisas para comprovar a importância da preservação para toda a comunidade local. O pedido foi enviado ao Instituto Chico Mendes, e hoje existe uma proposta técnica concluída, provando que o Gandarela tem potencial e qualidades para se tornar uma unidade de proteção integral, ou seja, um parque de preservação. “Agora estamos na etapa consultiva, quando o instituto começa a visitar as comunidades do entorno, divulgando e participando do processo de orientação da população para a criação do parque”, explica à educadora.
Grupo
Maria Teresa explica que não é possível contabilizar o número de pessoas envolvidas no movimento para a preservação do Gandarela mas já existem mais de 12 mil assinaturas a favor da criação do parque. “Temos 50 pessoas ligadas no trabalho diário, mas o movimento é maior e isso tá chegando inclusive a outros Estados e, mesmo distantes, as pessoas estão divulgando e ajudando a multiplicar essa informação”, destacou.
Promessa de luta permanente
Sobre o tempo para a efetivação do Parque Nacional da Gandarela, Maria Teresa afirma que não há previsão, mas a luta não vai cessar. “Nós trabalhamos assim: Cada dia é um dia de continuar dizendo a importância desse lugar para o futuro de todos nós e esse é o movimento para preservação da serra do Gandarela”, considerou. Maria Teresa disse ainda que seja preciso uma posição do governo federal para decretar a criação da área de preservação.
Impactos
Sobre os impactos ambientais previstos, caso a mineração seja de fato instalada, Maria Teresa ressalta que os próprios estudos feitos pelas empresas comprovam a degradação. A abrangência dos impactos chegaria ao Vale do Aço de forma indireta, pois a área atingida tem influência na bacia Hidrográfica do Rio Piracicaba, que corta a região. “Interfere na flora, fauna, recursos hídricos superficiais e subterrâneos. Altera todo o sistema geomorfológico que possibilita aquela água, então aquelas nascentes que existiam ali deixam de existir”, explicou. A ambientalista lembra que os impactos sociais também são considerados agravantes, pois a chegada de quase dois mil profissionais previstos para a fase de implantação ameaça o funcionamento do sistema de transporte, saúde e habitação que até então não estarão preparados para receber a grande demanda.
Caraça
A bióloga responsável pela gestão da Reserva Particular de Preservação Natural da Serra do Caraça, Aline Cristine Lopes de Abreu é taxativa. Ela avalia que o movimento do Gandarela foi importante na motivação para a luta que conquistou o bloqueio dos títulos minerários inseridos na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Santuário do Caraça, localizada nos municípios de Barão de Cocais, Santa Bárbara, Catas Altas, Mariana, Itabirito e Ouro Preto, decretada em abril deste ano. “O movimento do Gandarela serviu de impulso para que nós acreditássemos que não é preciso se conformar com os problemas trazidos ao meio ambiente pela mineração”, definiu. Quando criado, o Parque do Gandarela será conectado à unidade do Caraça, formando um corredor ecológico no Estado de Minas Gerais.
 
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