17 de maio, de 2011 | 00:00

“As pessoas têm medo de denunciar”

Campanha quer conscientizar comunidade para o enfrentamento à exploração sexual de menores

Wôlmer Ezequiel


ESPECIALISTAS

TIMÓTEO – Nesta quarta-feira (18), será lembrado o Dia Nacional de Enfrentamento ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. A administração municipal de Timóteo inicia, nesta data, uma campanha para o combate desse problema na cidade. Serão distribuídas cartilhas informativas nas 15 unidades básicas de saúde, entre as equipes do Programa Saúde da Família e nos sete Centros de Referência de Assistência Social (Cras) do município.
Além do material impresso, os profissionais do Centro de Referência Especializada de Assistência Social (Creas), que é responsável por desenvolver o Serviço de Enfrentamento ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, irão orientar a comunidade para os cuidados e as ações que devem ter em caso de constatação de violência sexual contra os menores.
A expectativa é que, inicialmente, cerca de 4 mil pessoas recebam informações sobre a questão. “A nossa intenção é atingir o maior número de pessoas possível. É bom lembrar que a campanha se inicia no dia 18, mas nossas ações são continuadas. Nosso objetivo é reduzir ao máximo os casos de abusos contra crianças e adolescentes em Timóteo. A conscientização da população é fundamental para isso”, considera a assistente social do Creas, Rosana Borges Moura.
Segundo a profissional, atualmente o Creas atende 84 menores. No entanto, somente em dois desses casos os autores dos abusos foram punidos. “A gente acredita que a quantidade de casos é ainda maior. Ocorre que, normalmente, as pessoas têm medo de denunciar e optam pelo silêncio. Isso para evitar a exposição do fato ou por conta de ameaças feitas pelos próprios agressores, seja física, ou mesmo de cortes financeiros, uma vez que, muitas vezes, os autores dos abusos é que são os responsáveis pelo sustento da casa”, pontuou o conselheiro tutelar Robson Pereira dos Santos.
Família
Rosana Borges disse que cerca de 80% dos casos de exploração sexual contra crianças e adolescentes ocorrem no interior do núcleo familiar. Ela reforça a necessidade da campanha de conscientização, para que as pessoas façam as denúncias em caso de suspeita e os agressores recebam a devida punição, a fim de evitar o cometimento de novos abusos sexuais contra menores.
A violência sexual não consiste apenas nos casos em que há agressão física, conforme explica o psicólogo do Creas, Vinício Araújo Martins: “A violência sexual é aquela na qual a criança ou adolescente é usada para a satisfação sexual por outros que, muitas vezes, se utilizam da força, chantagem ou relação de confiança que têm com a vítima para cometer a violência. Mas não necessariamente é utilizada de força física. Os toques, exibição ou utilização de menores como modelos para imagens eróticas ou até mesmo conversas inadequadas para a idade também são considerados abusos. Essa questão é, inclusive, um dificultador para a punição, porque muitas das vezes não existe a materialidade da violência. Por isso, a importância da denúncia”, resume o psicólogo.
Consequências
O médico pediatra especialista em psiquiatria infantil, André Luiz Brandão Toledo, falou que independentemente do tipo de abuso sexual sofrido pelas vítimas, fica o trauma. Ele disse que as reações variam de acordo com a idade, mas as consequências são inevitáveis e podem variar desde irritabilidade, choro constante, apatia ou diminuição do rendimento escolar, a problemas psicológicos mais sérios, como transtornos de estresse pós-traumático e de ansiedade, depressão e psicoses.
O médico diz que nesses casos, o tratamento e acompanhamento são de extrema importância. “O principal é o afastamento da vítima de abuso sexual do agressor e, conjuntamente, iniciar o tratamento para os sintomas associados a uma abordagem familiar integral. Essa observação do ambiente familiar é necessária, até mesmo para saber se tem outros casos”, disse.
Em Timóteo, o Creas faz esse acompanhamento. As crianças e adolescentes contam com psicólogos, educadores e assistentes sociais, que desenvolvem atividades psicossociais no intuito de que esses menores possam superar os traumas.
Qualquer pessoa da comunidade pode denunciar, caso observe situações de violência, maus tratos, negligência ou abuso sexual contra menores. Para isso, deve entrar contato por quaisquer dos telefones: (31) 3849-6716 (Creas), 0800-0304555 (Conselho Tutelar) ou 0800-0311119 (Disque denúncia de Minas Gerais). A denúncia é anônima e basta o denunciante citar o nome e endereço da vítima.
 
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