18 de maio, de 2011 | 00:00
Proteja nossas crianças”
Lançada campanha de combate ao abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes
IPATINGA Dezenas de pessoas compareceram, na manhã desta terça-feira (17), ao auditório João Paulo II, no 14º Batalhão da Polícia Militar de Ipatinga, para o lançamento da campanha Proteja as nossas Crianças”, destinada a combater o abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes.
O evento foi realizado pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese), com apoio da Aliança de Ministros Evangélicos do Vale do Aço (Amevaço) e da Polícia Militar. Após a assinatura de um termo de parceria, houve a entrega do Estatuto da Criança e Adolescente.
Nesta quarta-feira (18) serão realizadas treze blitze no Vale do Aço, com distribuição de panfletos e adesivos nas principais cidades do Vale do Aço, a cargo da Sedese, dos pastores e do 14º BPM. O evento comemora a passagem do Dia Nacional de Combate a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.
De acordo com o diretor regional da Sedese, Mauro Nunes, os dados de abusos e exploração sexual de crianças e adolescentes são alarmantes. O que a gente deseja com esta campanha é aumentar o número de denúncias e, por outro lado, continuar inibindo os agressores. Se a pessoa não denuncia se torna parte daquilo, tornando-se cúmplice com o que está ocorrendo”, afirmou Mauro.
O diretor da Sedese destaca que existe um problema grave em relação às denúncias referente à questão de abusos com crianças dentro da família. Oitenta por cento dos abusos ocorrem dentro de casa. E muitas vezes a dona de casa, a mãe, negligencia muito. Ela não denuncia, por medo ou por uma questão econômica, por depender do marido ou padrasto da criança”, explicou Mauro.
Mauro Nunes afirma que, fora da família, ocorrem casos também de exploração sexual com crianças e adolescentes que envolvem dinheiro ou troca de alguma coisa que completam os 20% de ocorrências. Em casa, é fácil descobrir se há casos de abusos com as crianças e adolescentes, pois elas emitem sinais. Elas costumam recuar, têm dificuldade de se relacionar com outros amigos, começam a se comportar diferente numa sala de aula. Pedimos aos pais que, ao ver os filhos comentarem qualquer coisa, que dêem atenção”, disse Mauro.
Segundo o reverendo Ideildo Aquino, presidente da Aliança de Ministros Evangélicos do Vale do Aço (Amevaço), a participação da igreja nessa campanha amplia bastante os trabalhos e projetos sociais que são desenvolvidos com crianças, adolescentes e também com os adultos.
Araceli
O coronel Alfredo Ramalho, secretário executivo da Amevaço, lembra que no dia 18 de maio, há 38 anos, a menina Araceli Cabrera Crespo, de oito anos, foi sequestrada, drogada, estuprada e morta em Vitória (ES). Ela desapareceu quando voltava da escola e foi encontrada morta com o rosto desfigurado, marcas de agressão física e sexual. Os suspeitos do crime pertenciam a importantes famílias da cidade e, apesar de terem sido condenados, recorreram da decisão e foram posteriormente inocentados. Ninguém foi punido pelo crime até hoje. A menina morta em 18 de maio de 1973 tornou-se símbolo do combate à exploração sexual de crianças e adolescentes e, em homenagem a ela, houve a instituição da data, em 2000.
Conforme relatou o tenente-coronel Francisco de Assis Oliveira, a participação da polícia nessa campanha é no sentido de contribuir para a construção de soluções preventivas. O grande foco é a prevenção, evitar que crianças e adolescentes sejam exploradas. A campanha serve para sensibilizar a comunidade, no sentido de cuidar melhor de suas crianças”, finalizou o oficial.
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