19 de maio, de 2011 | 00:02
Unidades de negócios
Usiminas inaugura linha de produção, dobra a oferta de aços galvanizados e anuncia reorganização executiva
IPATINGA - A Usiminas vai buscar uma fatia maior do mercado de automóveis, construção civil e linha branca, potenciais consumidores de aços galvanizados. A disputa ficará mais acirrada com rivais CSN e ArcelorMittal. O anúncio foi feito pelos executivos da Usiminas, na inauguração da segunda linha de galvanização por imersão a quente da Unigal Usiminas. De um investimento inicialmente previsto em R$ 720 milhões, a unidade foi concluída ao custo de R$ 914 milhões e agrega uma tecnologia repassada pela acionista Nippon Steel.
Criada em 1999, a empresa é uma joint venture entre a Usiminas (70% de participação) e a Nippon Steel (30%). Com a elevação da capacidade produtiva em 550 mil toneladas, a Unigal colocará no mercado 1 milhão de toneladas de galvanizados/ano. Instalada em uma área de 25 mil metros quadrados, na usina em Ipatinga, a empresa passa a produzir laminados de 0,4 mm até 3mm. A unidade inaugurada em 2000 produzia no máximo até 2,3mm. As novas especificações atendem a demanda, sobretudo, do setor automobilístico, que busca soluções de aços galvanizados mais leves.
Sobre o valor agregado ao aço galvanizado, o gerente geral da Unigal, José Neves Fernandes, exemplificou: Uma bobina laminada a quente custa R$ 1,7 mil a tonelada. Após galvanizada, o preço sobe para R$ 2,5 mil”.
Antes da inauguração, o presidente da Usiminas, Wilson Nélio Brumer, reafirmou que o foco da empresa é o aumento da competitividade. O executivo apresentou uma bússola” com uma série de metas. A Usiminas espera alcançar um valor de mercado de R$ 50 bilhões em 2015. Atualmente, está avaliada em R$ 22 bilhões, mesmo com perdas de valor na Bolsa de Valores em 2010. A empresa também planeja uma geração de caixa, medida pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), de R$ 8,3 bilhões em 2015. A cifra representa o triplo do valor do Ebitda 2010, de R$ 2,65 bilhões.
Recuperação
Entre as medidas adotadas para alcançar as metas estão a inauguração da Unigal 2. A proposta é recuperar espaço perdido na indústria automotiva em uma época em que a empresa não tinha o produto para atender à demanda crescente. Com o aumento da produção, a Usiminas quer atingir em dois anos, 30% no mercado interno de aços galvanizados para setores não automotivos (linha branca e construção civil). Hoje a empresa detém de 5 a 10% desse mercado. No setor automotivo, nós continuamos líderes, com 50%, e pretendemos chegar a 60%”, destacou o vice-presidente de negócios, Sérgio Leite. A empresa também pretende focar mais o mercado interno e exportar menos, dos atuais 25% a Usiminas pretende exportar apenas 11% de sua produção.
O grupo deverá investir também na geração própria de energia. Atualmente, a Usiminas consome 500 megawatt e gera apenas 100. Os projetos em andamento prevêem o aproveitamento do potencial energético para gerar, até o ano de 2015, o total de 600 MW. A autossuficiência deverá levar a uma economia de R$ 350 milhões/ano.
Sobre o cenário mundial do aço, Brumer disse que permanecem as sobras acima de 600 milhões de toneladas. Defendeu um tratamento isonômico nas relações de importação e destacou que, nos anos anteriores, além da entrada do aço estrangeiro, pior ainda foi a entrada de produtos de aço. Vários outros segmentos da economia enfrentam essa realidade. É preciso defender a cadeia produtiva como um todo. Então, não defendemos medidas protecionistas, mas queremos que haja medidas isonômicas para os segmentos industriais. O Brasil abriu sua economia, mas não foi ágil como os outros países para proteger sua indústria”, avaliou.
Pelotização
Na área da mineração, a Usiminas produz cerca de 7 milhões de toneladas/ano. A meta é chegar a 2012 com 12 milhões de toneladas e, em 1015 chegar a 29 milhões de toneladas. Vocês sabem que é um setor que traz margens positivas e certamente agregaremos valor à companhia”, assinalou.
Segundo o presidente Wilson Brumer, a Usiminas pretende investir em uma planta de pelotização. A localização é mantida em sigilo, mas deverá ter a capacidade para produzir 7 milhões de toneladas e cuja localização permita uma logística para o transporte da matéria-prima à planta de Ipatinga e, ao mesmo tempo, à usina de Cubatão.
O excedente seria exportado ou vendido para outros mercados. Os números iniciais do projeto chegam a US$ 1 bilhão. Tomamos a decisão de buscarmos um parceiro para essa planta de pelotização”, destacou. Brumer evitou informar sobre a definição do local de implantação da usina e tampouco quis adiantar eventuais interessados no projeto.
Reorganização
A Usiminas acaba de fazer uma reorganização executiva, aprovada pelo Conselho de Administração. A empresa estruturou-se em três unidades de negócios: Siderurgia”, Mineração” e Produtos Transformados” (distribuição, centro de serviços, componentes automotivos e bens de capital). A área de siderurgia, por exemplo, vai acompanhar a produção, venda e entrega. A mesma dinâmica ocorrerá na área de mineração e a mesma medida na área de produtos com valores agregados. "De tal forma que a área industrial e a área comercial fiquem sob um único comando”, acrescentou Brumer.
O engenheiro Sérgio Leite, a partir de 23 de maio, assume a área de siderurgia. O vice-presidente industrial, Omar Silva Júnior, que está se aposentando, assume a área de desenvolvimento e aumento de competitividade, ligada à unidade de siderurgia. Caberá a Omar fazer a transição ao seu substituto, informou Nélio Brumer.
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