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20 de maio, de 2011 | 00:04

“É tudo um jogo de cartas marcadas”

Advogado critica valores propostos para indenizar vítimas de acidentes de trânsito

 
Wôlmer Ezequiel


VITOR BIZARRO


IPATINGA - O advogado Vitor Bizarro, proprietário de um escritório de advocacia que representa cerca de 800 processos em tramitação no 1º Mutirão do Dpvat, criticou o que considera “um jogo de cartas marcadas” para mediar conflitos judiciais entre vítimas de trânsito e a seguradora responsável por administrar os recursos do Seguro Obrigatório de Danos Pessoais Causados por Acidentes Automobilísticos.
Com uma equipe de 25 advogados destacados para atuar no mutirão, Bizarro afirmou ao DIÁRIO DO AÇO que apenas 10% das causas que seu escritório representa saíram das audiências de conciliação com resultados positivos para as vítimas. “A seguradora vem para a audiência com uma clara predisposição a pagar indenizações que atinjam no máximo cerca de R$ 6 mil. Acima disso, a pessoa pode ter o problema que for. O acordo não é fechado e a saída é continuar com o caso na Justiça comum mesmo”, afirma o advogado. Ao todo, cerca de 1.800 audiências de conciliação estão previstas para ocorrer no 1º Mutirão do Dpvat em Ipatinga, que será encerrado nesta sexta-feira.
Segundo a tabela de indenizações do Dpvat, os valores pagos às vítimas são estabelecidos de acordo com a sequela deixada pelo acidente. O teto máximo é fixado em R$ 13,5 mil. Nele se englobam morte, perda de membros do corpo, da visão, lesões neurológicas e de órgãos que comprometam funções vitais.
“Tive um cliente que perdeu o movimento do dedo anelar e a seguradora propôs uma indenização de R$ 135. É no mínimo engraçado ouvir uma proposta dessa diante de uma pessoa que foi vitimada em um acidente e teve sua vida completamente afetada por isso”, destacou o advogado. Para confirmar sua posição, Vitor afirmou que as indenizações pagas nos mutirões realizados em Belo Horizonte e Uberlândia foram fechadas na mesma faixa do que ocorre em Ipatinga.
“A Justiça precisa desafogar seus processos. A seguradora quer pagar o mínimo possível e as vítimas dos acidentes vivem com a expectativa de algum dia ser indenizadas. Diante disso, milhares de pessoas têm seus direitos desrespeitados”, declara o advogado.
A expectativa de conciliações dos organizadores do evento é de cerca de 80% de acordos.
 
Seguradora Líder contesta advogado
 
Procurada pela reportagem para comentar as declarações do advogado Vitor Bizarro, a Seguradora Líder, com sede no Rio de Janeiro, negou que haja qualquer política de evitar acordos que envolvam valores altos em indenizações.
“Não existe essa política. Nos mutirões de conciliação, o valor de proposta apresentado pela Seguradora Líder/Dpvat é definido com base no direito da vítima, apurado pelo perito médico do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, que analisa a gravidade da lesão apresentada pelo acidentado. Cada vítima terá direito a um valor único e individual, apurado conforme a gravidade da lesão e de acordo com a tabela de indenização de invalidez permanente”, defendeu o diretor jurídico da empresa, Marcelo Davoli.
 

MUTIRÃO DO DPVAT

Coordenador de mutirão destaca eficiência dos conciliadores
 
IPATINGA - O juiz titular da 1ª Vara Cível da Comarca de Ipatinga, Marcelo Fioravante, conclamou as pessoas que ainda não compareceram à audiência de conciliação do Seguro Obrigatório de Danos Pessoais Causados por Acidentes Automobilísticos (Dpvat), a aproveitarem a oportunidade e fazer contato no Fórum. O mutirão de conciliação será encerrado nesta sexta-feira (20).   
Para o juiz da 3ª Vara Cível da Comarca de Belo Horizonte e coordenador do mutirão do Dpvat em Ipatinga, Raimundo Messias Junior, a conciliação é a maneira mais rápida de resolver as pendências.
Ele avaliou o mutirão em seu terceiro dia de trabalho. “Dos três mutirões que participei, Ipatinga está sendo o mais pontual no cumprimento de horário, dedicação, organização e eficiência do grupo. A equipe de peritos é a melhor que acompanhei”, resumiu Raimundo Messias.
Já em relação à proporção de acordos realizados, reconhece que o índice  está deixando a desejar. “Uma vez que a maioria dos processos foi patrocinada por um mesmo escritório de advocacia, em boa parte deles as partes optaram por aguardar a decisão da Justiça, por discordarem da política proposta da seguradora”, finalizou o juiz.
 
 
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