12 de agosto, de 2011 | 00:00

Visita resgata história de superintendente japonês

Fumiko Mizuno esteve na usina de Ipatinga nesta semana. Ela veio resgatar a história do pai, Isao Mizuno, um dos primeiros japoneses a desembarcar em Ipatinga

Sérgio Roberto


filha de Samurai


IPATINGA - A interação entre a Usiminas e o Japão não se restringe ao campo tecnológico ou siderúrgico. A empresa e o país mantêm um forte intercâmbio cultural, experiências, costumes e tradições. E foi motivada por essa troca e para conhecer mais sobre o seu próprio passado que a professora Fumiko Mizuno esteve na usina de Ipatinga nesta semana.
Ela veio resgatar a história do pai, Isao Mizuno, um dos primeiros japoneses a desembarcar em Ipatinga, onde viveu de 1960 a 1962, na época em que a empresa ainda estava sendo construída. Antes de vir para cá, ele já havia recebido no Japão, em 1958, um grupo de 10 engenheiros, que ficou conhecido como os 7 Samurais, em alusão ao filme de Akira Kurosawa.
Toda essa história, Fumiko teve acesso durante a visita à usina, quando teve a oportunidade de conhecer pessoas que trabalharam com Isao Mizuno. “A geração do meu pai tinha como característica a dedicação intensa ao trabalho, mas esse não era um tema recorrente em casa”, conta. Outra lembrança que ela tem da época, quando tinha apenas 8 anos, são as cartas que o pai escrevia para a mãe. “Como a entrega das correspondências demorava muito e não tínhamos garantia de que chegariam, as cartas eram numeradas”, revelou.
Fumiko também conta que achou a usina de Ipatinga bem parecida com a Ywata Steel, siderúrgica japonesa onde o pai trabalhava. “Espero que a Usiminas, essa grande empresa que surgiu a partir de um projeto Brasil-Japão, continue cuidando da tecnologia e da cultura japonesas”, afirmou.
 
Voluntariado
Fumiko acredita que sua vinda ao Brasil, onde mora há um ano, não foi por acaso. Ela se candidatou a um programa de voluntariado em que o participante não tem direito a escolher o país. “Quando fiquei sabendo que viria para cá fiquei muito feliz e acho que meu pai, que morreu há seis anos, de alguma forma contribuiu para que isso acontecesse”, citou. Isao Mizuno mora em Belém (PA), onde é professora no Centro de Educação de Língua Japonesa no Brasil.
 
Samurais
Em 1958, um mês depois do então presidente da República, Juscelino Kubitscheck, cravar a estaca inicial para a construção da usina de Ipatinga, um grupo de engenheiros brasileiros seguiu para o Japão para realizar cursos e conhecer toda a tecnologia siderúrgica daquele país.
Os membros dessa comitiva ficaram conhecidos como os 7 Samurais – nome inspirado no filme de Akira Kurosawa – apesar de serem 10 pessoas. Na ficção, os samurais são contratados por moradores de uma aldeia de agricultores de arroz que estavam sendo vítimas de saques. Os samurais passam, então, a ensinar técnicas de defesa aos aldeões.
Apesar da história da Usiminas não ter qualquer relação com lutas ou saques, os “samurais tupiniquins” foram também peças importantes na construção da siderúrgica. Foram eles que repassaram aos demais brasileiros todos os ensinamentos aprendidos no Japão.
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]

Comentários

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

Envie seu Comentário