19 de agosto, de 2011 | 00:00
Unipac discute deficiência em Ipatinga
IPATINGA O teatro do Centro Cultural Usiminas recebeu um grande público, na noite da terça-feira (16), durante a realização do Seminário Internacional de Saúde promovido pela Unipac Vale do Aço. Na oportunidade, cerca de 700 participantes, entre estudantes, docentes e profissionais da saúde do Brasil e Estados Unidos discutiram o tema Diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a deficiência”.
Na abertura do seminário, o diretor acadêmico da Unipac Ipatinga, Júlio César Alvim, ressaltou o desafio que desperta e confunde sentimentos de realização, responsabilidade e esperança. Realização porque o evento encerra uma série de atividades desenvolvidas em conjunto com a comitiva da Universidade Estadual de Nova York. Responsabilidade porque uma das recomendações do Relatório Mundial da Deficiência publicado pela OMS é divulgar de forma ampla informações sobre o assunto, e, dessa forma, contribuir para a disseminação do conhecimento nesta área. Esperança porque o relatório da OMS oferece uma análise de diversas experiências que contribuíram para melhorar a vida de pessoas com incapacidades”, pontuou.
A primeira palestra da noite foi proferida pelo professor PhD. John Stone, diretor do Centro de Intercâmbio Internacional em Reabilitação do Ministério da Saúde dos EUA, integrante da comitiva da Universidade do Estado de Nova Iorque (SUNY), campus Buffalo (EUA). O docente falou sobre o tema World Report on Disability - Relatório Mundial sobre a Deficiência: relevância para clínica, pesquisa e efetivação de direitos”.
John Stone ressaltou que o relatório foi atualizado em conjunto pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Banco Mundial. O trabalho possui nove capítulos e foi desenvolvido em quatro anos por 370 profissionais de 70 países. Esta foi a primeira vez, em 40 anos, que o relatório foi revisado”, comentou o professor, que participou da edição de um dos capítulos do documento.
Segundo a OMS, pessoas com deficiências são as que mais sofrem desvantagem social e econômica e têm seus direitos negados em muitos países. Cerca de 80% das pessoas com deficiência vivem em países de baixa renda. Contudo, existe pouca informação científica disponível sobre assunto.
John Stone explicou que, entre as principais evidências analisadas e as recomendações descritas no relatório, estão as barreiras no atendimento e acessibilidade das pessoas com deficiência. As limitações causadas pelos ambientes inacessíveis e o alto custo de recursos para locomoção também estão entre os grandes problemas que as pessoas com deficiência encontram em seu cotidiano”, lembrou o docente. Nesta perspectiva, John Stone também ressaltou que a acessibilidade remete a outra evidência relatada no documento: a saúde das pessoas com deficiência. A condição causa doenças secundárias associadas à deficiência, tais como depressão, dores, osteoporose, úlceras, entre outras”, revelou o especialista.
John Stone enfatizou que as recomendações do Relatório da OMS visam ações de melhoria da acessibilidade (espaço físico), eliminar a discriminação, redução dos custos dos equipamentos necessários para locomoção, qualidade dos serviços de saúde oferecidos às pessoas com deficiência e treinamento dos profissionais de saúde.
Trabalho e emprego
Outro assunto abordado no Seminário Internacional da Saúde foram os Aspectos legais da inserção da pessoa com deficiência no mercado de trabalho”, pelo promotor de justiça da Comarca de Ipatinga, Walter Freitas Júnior. O especialista utilizou de uma das convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT) para tratar de questões relativas à deficiência.
Segundo o promotor, a OIT estima que as pessoas com deficiência representem 85% da população economicamente ativa do planeta. A convenção define como deficiência cuja possibilidade de conseguir, permanecer e progredir no emprego é substancialmente limitada em decorrência de uma reconhecida desvantagem física ou mental”, explicou.
Walter lembrou que a OIT assegura medidas adequadas de reabilitação profissional ao alcance de todas as categorias de pessoas deficientes, o que possibilita oportunidades de emprego para as pessoas deficientes no mercado de trabalho. A convenção tem como base o princípio de igualdade de oportunidades entre os trabalhadores deficientes e dos trabalhadores em geral, o que nem sempre é respeitado”, destacou Walter Freitas Júnior.
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]















