28 de agosto, de 2011 | 00:00
Tradição itinerante
Profissão de feirante se torna paixão e atravessa gerações entre as famílias
IPATINGA O barulho de caixotes e o bater de peças de metalom logo se transformam em rústicos estandes com uma cobertura de lona. Eles levantam de madrugada e garantem, com bom-humor, mais um dia de trabalho. Comemorada no último dia 25, a profissão do feirante se tornou tradição de gerações entre as famílias, em todo o Brasil.A crescente concorrência de supermercados e sacolões não inibiu esse tipo de comércio de quase cem anos de existência no país. A primeira feira livre realizada no Brasil ocorreu em 1914, na cidade de São Paulo.
São três horas da manhã quando Geraldo Magela Hilário, 53, chega à feira para preparar a sua banca de frutas. A delicadeza do produto exige preparação antecipada. Com um jeito simples e tímido, Geraldo Magela fala sobre o prazer de trabalhar há quase 28 anos nesse ofício. Eu gosto da feira e de trabalhar na feira, faço com carinho e hoje tenho toda a minha família trabalhando comigo”, relata.
Apesar de ser proprietário de outro comércio, a paixão pela feira não deixa Francisco Lajes Ramos, 45, abandonar a profissão abraçada há mais de 25 anos. As mudanças e evoluções na estrutura da barraca, exigidas para continuar na venda de carne, valeram a pena para Francisco. Os amigos e a necessidade de estar em um lugar diferente a cada dia não me deixam sair da feira”, destaca.
Ir ao encontro do cliente é a preferência reforçada por Geraldo Magela no trabalho de feirante, porém a segurança é apontada como uma das carências desse comércio. Falta fiscalização e mais organização, a segurança é outro ponto crítico. Você pode olhar em volta e procurar, não fica um policial aqui”, reclamou.
Herança
A feira virou um negócio de família na casa de Francisca Aparecida Meireles. Com apenas 25 anos, ela já está nessa profissão desde os nove anos, quando acompanhava a mãe no trabalho. A produção de verdura de folhas é plantada e colhida pela própria família de Francisca, na região de Água Limpa, no município de Iapu. Enquanto ela e o irmão estão na feira vendendo, o marido e o restante da família cuidam da plantação. Tenho um filho de cinco anos e, se ele quiser, também poderá continuar o trabalho da feira”, afirma.
Maioria dos feirantes é de cidades do Colar Metropolitano
Uma das mais antigas da região do Vale do Aço, a feira livre de Coronel Fabriciano, realizada aos sábados e domingos, atrás da antiga rodoviária do município, resiste há mais de três décadas. Com 23 expositores, apenas oito são de Coronel Fabriciano. Os demais vêm de municípios como Ipaba, Iapu, Caratinga, Dom Cavati e Inhapim, ajudam a compor o mercado.
Em Timóteo, a feira também tem ponto marcado todas às manhãs de quintas-feiras e domingos. As barracas armadas no bairro Timirim somam décadas de história e tradição. Hoje são 52 comerciantes contabilizados e 60% são de fora do município.
Com o formato itinerante, a feira percorre as principais regionais de Ipatinga. Segundo informações da assessoria de Comunicação da prefeitura, há 293 feirantes cadastrados, que se deslocam entre os bairros Bom Retiro, Iguaçu, Bethânia, Bom Jardim, Veneza II, Cariru e Canaã. Nas feiras dos bairros, 10% dos feirantes vêm de outros municípios, mas na Feira do Produtor, realizada no estacionamento do Ipatingão nas tardes das segundas e quintas-feiras, a proporção é inversa. De 100 produtores listados oficialmente, 90% são de municípios vizinhos e 10% de Ipatinga.
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