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30 de agosto, de 2011 | 00:00

Julgamento de ipabenses será retomado somente ano que vem

Promotores começam a montar processo com pedido de pena de morte contra outro ipabense. Deportado, um dos suspeitos está livre de ser extraditado.

World Herald


josé carlos coutinho

IPABA – As famílias dos ipabenses Valdeir Gonçalves Santos, 30 anos, e José Carlos Coutinho, de 35, voltaram a viver um clima de apreensão, com a reviravolta no julgamento iniciado dia 15 de agosto, quando o primeiro dos ipabenses, Valdeir, sentou-se no banco dos réus. Acusado de triplo homicídio em primeiro grau, o pedreiro poderia, inclusive, ser liberado por falta de provas.
É que não havia cena do crime, corpos das vítimas da família Szczepanik, desaparecida desde dezembro de 2009, e apenas os depoimentos das mulheres, de Valdeir, Wanderlúcia Gonçalves e de José Carlos, Patrícia Oliveira. Segundo elas, os maridos tinham confirmado, por telefone, o envolvimento deles com as mortes de Vanderlei Szczepanik, da mulher dele, Jaqueline (ambos de 43 anos) e do filho do casal, Cristopher, de 7 anos. 
Com a decisão de Valdeir de assumir, na quinta-feira (18), a sua participação no triplo homicídio, e delatar os colegas, José Carlos Coutinho e ainda Elias Lourenço Batista, o caso tomou novo curso.
Wanderlúcia contou, em depoimento no Tribunal, como seu marido admitiu ter torturado e matado Vanderlei Szczepanik e, logo depois, ter jogado seu corpo no rio, com partes colocadas em sacos com pedras para evitar que flutuasse. Já Patrícia testemunhou que a fúria de seu marido contra Szczepanik foi alimentada por dinheiro. Ele discordava dos valores que o catarinense Vanderlei pagava aos ipabenses pelas obras que tocavam em Omaha, estado de Nebraska. 
A decisão de Valdeir em assumir o crime foi tomada um dia depois de ouvir sua mulher contar a história no julgamento. José Carlos, que também está preso nos EUA, respondia apenas à acusação de roubo dos cartões de crédito da família e agora é apontado como mentor do triplo homicídio.
A promotoria já adiantou que vai pedir a pena de morte para Coutinho. Já em relação ao terceiro suspeito, Elias, ele voltou ao Brasil, deportado, em abril passado. A promotoria entendeu que não havia provas que o envolvessem com o crime. A previsão é que somente no próximo ano o julgamento seja retomado.
Como decidiu assumir o caso, Valdeir poderá pegar 20 anos de cadeia, mas ser colocado em liberdade condicional após cumprir 10 anos da pena. Já Coutinho, se ficar provado que ele foi o mentor do crime, pode pegar a pena de morte. Elias poderá ser julgado e condenado à revelia pela mesma acusação. Como está no Brasil, não poderá ser extraditado. Valdeir será colocado na mesma sala do julgamento do amigo de infância, contra quem terá que sustentar as acusações de ser o mentor do triplo homicídio.
 
As duas mulheres também voltarão a depor. Até lá, elas serão mantidas pelo governo dos Estados Unidos em uma área de baixa renda em Omaha. Elas recebem cerca de US$ 14 mil em assistência. Seus vistos têm validade estendida até o desfecho do caso na esfera judicial. Patrícia Oliveira levou dois filhos adolescentes com ela, segundo relata o jornal Omaha World Herald.
Tensão
Aos 55 anos, Expedita Amaral Oliveira Coutinho, mãe do pedreiro José Carlos Coutinho, mora em Belo Horizonte e, até domingo, estava em Ipaba na busca de informações sobre o caso. Por telefone, ela disse que recebeu com muita tristeza a notícia sobre a reviravolta no julgamento.
“O que mais nos incomoda é sabermos de tudo por terceiros, principalmente pelos jornais. A família inteira vive novamente um clima de apreensão. Mas eu não acredito que meu filho tenha cometido o crime. Ele é filho de gente trabalhadeira. Tenho fé em Cristo que meu filho será absolvido e o verei de volta ao Brasil”, disse a mãe.  
Já a família de Elias Lourenço não sabe informar com certeza onde ele está desde sexta-feira passada. Elias mora com a família em sua casa humilde, na rua às margens da lagoa de Ipaba. 
Desde que foram presos os brasileiros, as famílias têm se desentendido sobre as responsabilidades acerca do caso. Nenhum dos três tinha passagens pela polícia até a ocorrência do desaparecimento da família Szczepanik. Para a família de Elias e Valdeir, o responsável é José Carlos, que os levou aos EUA.
“Valdeir trabalhava como retireiro em uma fazenda em Cava Grande, Marliéria, quando foi levado, confiando no amigo dele e agora está nessa situação”, reclama Maria Aparecida Gonçalves dos Santos, de 50 anos, mãe do pedreiro Valdeir.
Extradição
O brasileiro Elias Lourenço Batista não será deportado para enfrentar julgamento nos EUA. Isso porque o artigo 5º, inciso LI da Constituição Federal, não admite a extradição de brasileiros natos em nenhuma hipótese. A exceção é para brasileiro naturalizado, quando o crime for cometido antes da naturalização.
Como consequência dessa disposição constitucional, o Brasil, dificilmente, obtém êxito ao solicitar a extradição de um nacional do país requerido, haja vista a impossibilidade de oferecer a reciprocidade de tratamento. 
LEIA O QUE JÁ FOI PUBLICADO SOBRE O ASSUNTO:
"Sou culpado" - 27/08/2011

Mulheres mantêm acusação contra ipabenses nos EUA - 24/08/2011
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