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25 de setembro, de 2011 | 00:00

Região à espera do hemocentro

Além dos cuidados médicos no dia a dia, hemofílicos ficam na dependência de Valadares ou Belo Horizonte

Osvaldo Afonso/Agência Minas


hemocentro
IPATINGA - Correr, jogar bola, andar de bicicleta ou brincar no parquinho. Atividades aparentemente inofensivas representam um risco para um grupo de pessoas. Um exemplo é o caso de Sebastião Carlos, de 43 anos, aposentado.
Aos 17 anos, ao realizar um simples tratamento de dente sofreu uma forte hemorragia. Hospitalizado, descobriu que era portador de hemofilia. A partir daí sua vida mudou completamente.
Cercado por vários cuidados médicos, ele cumpre uma série de procedimentos para evitar qualquer tipo de lesão no corpo provocada por queda, corte ou qualquer outra forma de acidente.
“Vivo essa luta no dia a dia. Na mesma hora em que estamos bem pode acontecer alguma hemorragia e tenho que ser levado ao pronto-socorro”, relatou Sebastião que, apesar de ter uma prótese no joelho, trabalha como garçon para complementar o piso previdenciário.
Sebastião faz parte de um grupo de centenas de pessoas no Vale do Aço que enfrenta uma grande dificuldade: a falta do atendimento de urgência e emergência para esse tipo de pacientes.
Eles ainda se expõem a outro sério risco ao se deslocarem pela BR-381 para Governador Valadares ou Belo Horizonte, a fim de receber os medicamentos apropriados.
Os chamados fatores 8 ou 9 são imprescindíveis para os hemofílicos, sem os quais, nenhum outro procedimento médico pode ser feito. Isto é, se o paciente não receber o fator, uma simples extração de dente pode se transformar numa cirurgia de extremo risco.
“É muito difícil porque precisamos de atendimento com urgência e a maioria dos profissionais desconhece o nosso problema. A gente não pode esperar no pronto socorro como os demais pacientes. A dor é insuportável, temos que receber o fator 8 rapidamente”, protestou Sebastião.
Por essa razão, a implantação do Hemocentro Regional seria uma solução definitiva para o problema. Na opinião da médica hematologista da Policlínica Municipal e do Hospital Márcio Cunha, “o Hemocentro representa um grande avanço na saúde e uma conquista social para a população, pois não beneficiará somente os hemofílicos como também pacientes com outras doenças e, principalmente, os casos de acidentes”.
A especialista lembra que nos acidentes de trânsito é muito comum a necessidade de transfusão de sangue. “Na maioria das vezes, temos que esperar chegar uma bolsa de sangue enviada de Governador Valadares”, informou.
Audiência
O drama dos hemofílicos na região será tema de audiência pública, promovida pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais, no próximo dia 29, às 9h30, na Câmara de Ipatinga. A proposta é discutir a implementação do Hemocentro Regional, uma antiga reivindicação, conforme admite a deputada estadual Rosângela Reis (PV). “Essa é uma bandeira de luta desde o meu primeiro mandato. Vamos inserir esse projeto no Plano Plurianual de Ação Governamental e no Orçamento do Estado”, afirmou.
O que é a hemofilia?
A hemofilia é um distúrbio hemorrágico de origem genética ligado ao cromossomo X, que acomete quase exclusivamente indivíduos do sexo masculino e é causado pela ausência de uma proteína que ajuda na coagulação do sangue. O tratamento consiste na reposição da proteína ausente, o que demanda grande volume de material nos bancos de sangue, também chamados de hemocentros.
 
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