27 de setembro, de 2011 | 00:00
Confirmados dois casos de meningite em Ipatinga
Números foram registrados somente em setembro; pacientes estão no HMC e HMI
IPATINGA Nessa segunda-feira (26), a administração municipal confirmou que no mês de setembro foram diagnosticados dois casos de meningite no município. Segundo informações da assessoria de Comunicação Social, os pacientes se encontram internados no Hospital Municipal de Ipatinga (HMI) e no Hospital Márcio Cunha (HMC). Os casos registrados nos meses anteriores não foram divulgados.
O DIÁRIO DO AÇO conversou com a médica infectologista da Secretaria Municipal de Saúde, Carmelinda Lobato de Souza, que explica o que é a doença e as maneiras de evitar o contágio.
DIÁRIO DO AÇO - O que é a meningite?
CARMELINDA LOBATO DE SOUZA - A meningite é uma infecção das meninges (membranas) que recobrem o cérebro por elementos patológicos como vírus, bactérias, fungos ou protozoários.
DA - Quais os tipos de bactérias que causam a meningite?
CARMELINDA DE SOUZA - A doença é causada pelas bactérias meningococo e pneumococo. Sendo a primeira (a meningite meningocócica) considerada contagiosa e a mais séria, resultando até em infecções generalizadas.
DA Como a doença é transmitida?
CARMELINDA DE SOUZA - A meningite é adquirida de forma respiratória. Normalmente são bactérias que já se encontram nas vias aéreas do paciente, seja no nariz ou na faringe. Essas bactérias se disseminam e atingem as meninges.
DA - Quais os sinais e sintomas?
CARMELINDA DE SOUZA - O quadro clínico de um paciente com meningite é caracterizado por sintomas como náuseas, febre, dores na cabeça, vômito, rigidez na nuca (quando existe a dificuldade de fazer movimentos com a cabeça) e sonolência. Em casos de crianças, o diagnóstico pode ser mais difícil, pois alguns sinais de irritação podem estar ausentes. Nelas, os sintomas normalmente são febre, prostração, irritabilidade, sonolência e choro compulsivo.
DA A partir do contágio, qual o prazo para a manifestação da meningite no corpo do infectado?
CARMELINDA DE SOUZA - Ela pode se manifestar num período de 24 horas até sete dias; isso varia de acordo com a pessoa. Vale ressaltar que, se a doença não for devidamente tratada, o paciente corre grande risco de óbito, tanto nos casos de meningocócicas quanto nos de pneumocócicas.
DA Qual das duas bactérias oferece maior risco de morte?
CARMELINDA DE SOUZA - A pneumocócica possui um índice de letalidade maior por evoluir de forma mais agressiva. O que não isenta a bactéria meningocócica de levar o paciente a óbito, principalmente quando ocorre a meningococemia, que, além de acometer as meninges, atinge também a corrente sanguínea.
DA - A probabilidade de se contrair a meningite é maior em certa faixa etária?
CARMELINDA DE SOUZA - Sim. Normalmente, as crianças e os idosos sofrem maior exposição por terem um sistema imunológico mais fraco.
DA - Em virtude dessa maior exposição das crianças à meningite, quais as orientações a serem feitas para os pais, principalmente aos que possuem crianças recém-nascidas?
CARMELINDA DE SOUZA - Os pais precisam evitar que o filho seja levado a locais onde ficam pessoas doentes, lugares onde há aglomerações, como, por exemplo, em shows e cinemas. A vacinação também é indispensável contra a meningite. Hoje, o Ministério da Saúde disponibiliza as doses da vacina gratuitamente para as crianças nos postos de saúde. Para os adultos, as doses são aplicadas em clínicas particulares.
DA No HMI existe alguma área de isolamento para os pacientes com meningite?
CARMELINDA DE SOUZA - Existe, sim, um local adequado para o isolamento do paciente. A pessoa fica isolada por cerca de 24 horas, fazendo o uso de antibióticos, e após esse momento a transmissão não ocorre mais. Depois, o paciente é levado a um quarto comum e não oferece mais risco de transmissão da meningite.
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