05 de outubro, de 2011 | 00:00

Gratuidade representa 28% dos passageiros de transporte

Benefício oferecido em Ipatinga é mais que o dobro da média nacional

Bruno Soares


transporte
IPATINGA – Oitocentos mil reais. Este é o déficit mensal estimado pela concessionária de transporte coletivo de Ipatinga, Autotrans, para custear a gratuidade no serviço prestado aos cidadãos contemplados com o benefício.
De acordo com o Decreto Municipal nº 7.055, que trata da concessão do passe livre no município, a vantagem é destinada a pessoas com deficiência física, pacientes em tratamento de câncer, portadores de HIV e idosos. Mas a gratuidade, na verdade gera uma conta que precisa ser redistribuída para os demais usuários pagarem.
Inicialmente, a norma definiu critérios de renda familiar para concessão da vantagem aos beneficiários. Entretanto, após a intervenção do Legislativo, foi acordada a alteração de alguns desses pontos de forma a se garantir a gratuidade sem limite das passagens diárias aos grupos sociais contemplados. Pelo decreto, o município deverá implantar, com a concessionária, um cartão magnético do passe livre.
Segundo o gerente da Autotrans, Anivair Dutra, uma pesquisa feita pela empresa para quantificar o impacto gerado pelo número de passageiros não pagantes apontou um número muito acima da média praticada em outras cidades do país.
“O levantamento que realizamos apontou que 28% dos nossos passageiros não pagam a tarifa de ônibus. A sociedade precisa entender que a conta desse impacto é paga pelos outros 72%. Se considerada a média de gratuidade concedida no serviço de transporte público em outras cidades, observamos que este percentual se mantém entre 12%. Ou seja, a gratuidade oferecida em Ipatinga é mais que o dobro do que é praticado em nível nacional”, informou Anivair Dutra.
Com a tarifa fixada em R$ 2,40, o último reajuste na tarifa de ônibus em Ipatinga ocorreu em dezembro do ano passado. Questionado sobre a possibilidade de uma nova atualização nesse valor, o representante da empresa afirmou que esse assunto não tem sido tratado no momento.
“Essa questão é discutida pela direção da empresa. Mas é óbvio que se houvesse uma diminuição no percentual de gratuidade, seria possível a manutenção por mais tempo dos valores empregados atualmente nas tarifas”, afirmou Anivair.
Dificuldades
Outro ponto, comentado pelo gerente da Autotrans, foi a dificuldade enfrentada pela empresa para garantir maiores investimentos na frota de veículos e infraestrutura dos carros.
“Em decorrência do alto valor que deixa de ser arrecadado mensalmente com as vantagens garantidas aos beneficiados com a gratuidade, temos dificuldades em investir na frota e em diversas melhorias necessárias. Entretanto, não poupamos esforços para garantir a prestação de um serviço de qualidade aos munícipes. Dentro da realidade”, ponderou.

Sobre a posição da empresa em garantir ou não a gratuidade, Anivair defendeu que sejam respeitados os critérios estabelecidos pelo Decreto Municipal.
“Em nenhum momento somos contrários à concessão dos benefícios aos cidadãos necessitados. Defendemos esse direito aos que realmente precisam. Com a implementação do cartão eletrônico aos beneficiados, isso certamente será melhor fiscalizado”, conclui o gerente da Autotrans, Anivair Dutra.

 
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]

Comentários

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

Envie seu Comentário