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07 de outubro, de 2011 | 00:00

“Negligência revela racismo velado”

Especialista ministra palestra e coordena debate sobre os negros nas escolas

Divulgação


vania calado
IPATINGA - A Câmara de Vereadores sediará, nesta sexta-feira, a partir das 18h30, o segundo debate sobre a inclusão das disciplinas de História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena de acordo com a Lei Federal 11.645/2008. A iniciativa é do Comitê da Diversidade Inter-racial e da Secretaria Municipal de Educação.
O tema da palestra será “O Negro na Escola”, ministrada pela professora Vânia Calado, mestre em Psicologia Escolar pelo Instituto de Psicologia da USP, e professora dos Cursos de Psicologia das Faculdades Pitágoras e Unipac em Ipatinga.
 
“Qual é a situação das crianças e adolescentes negras e mestiças nas escolas de Ipatinga?”. Essa pergunta é o centro do trabalho de Vânia Calado como supervisora de estágio. Desde 2009, a especialista realiza estudo sobre o racismo na educação em 20 escolas do Vale do Aço e mantém atualmente 40 estagiários sob sua orientação.
 
“Os estagiários registraram várias cenas de manifestação de racismo entre os alunos. E, pior que isso, os pesquisadores observaram os professores rindo e se omitindo. Em seguida, dizem que os alunos e suas famílias são racistas e isso não é um problema da escola”, relatou Vânia Calado.
Para a educadora, essa negligência revela um racismo velado dos profissionais da educação que deveriam enfrentar a situação como um momento importante para a superação das desigualdades de classe social, racial e de gênero dentro do ambiente escolar e na sociedade.
“A escola não é um lugar apenas para transmissão de conteúdos. É, na verdade, um espaço para a formação do cidadão. O momento em que ocorre um problema de racismo é privilegiado para o educador atuar e provocar uma mudança de atitude nas pessoas”, ensinou Vânia Calado.
Prejuízo
A atuação dos estagiários não fica apenas no diagnóstico dos casos. Além de revelar um quadro extremamente complicado, o trabalho avalia o impacto dos maus tratos psicológicos e os constrangimentos que sofrem as crianças e adolescentes de origem afrobrasileira.
Para Vânia Calado, o resultado se manifesta em prejuízo para o rendimento escolar e para a vida social. Nos casos identificados nos educandários, 100% apresentam sinais de baixa estima. “Essas crianças e adolescentes se sentem um lixo, pessoas incapazes. Elas deixam de acreditar em si mesmas”, afirma a psicóloga.

Sensibilização
A palestra “O Negro na Educação” da professora Vânia Calado é direcionada aos professores das redes públicas e privada. Mais do que discutir o assunto a partir de pensadores da educação e apresentar casos concretos da realidade local, a intenção é refletir com os profissionais do ensino sobre o problema. Vânia Calado defende que é preciso intervir no dia a dia da escola.
A educadora responsabiliza a instituição pela situação. “Temos que pensar na continuidade desse trabalho porque nossos estagiários só ficam dois ou três meses na escola. É necessário sensibilizar para que haja uma mudança no cotidiano. O professor não pode mais assistir uma cena de racismo e dizer que o problema não é dele. Enfrentar o racismo e pensar a inclusão social é uma atribuição do educador”, finalizou a professora.

 
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