08 de outubro, de 2011 | 00:00

Paixão antiga pelo rádio

Ulisses Nascimento resgata a história da instalação da Vanguarda AM


IPATINGA – O dia em que conheceu o Vale do Aço, em 1960, o ainda jovem Ulisses Nascimento não teve dúvidas. Deveria lutar para ter uma emissora de rádio e o efervescente Vale do Aço deveria ser o palco dessa vontade.

A data, lembra-se bem, foi o dia em que a Rádio Educadora foi inaugurada em Coronel Fabriciano, um evento marcado por outro fato histórico: a ligação da energia elétrica fornecida pela Companhia de Energia Elétrica de Minas Gerais (Cemig).

Agora, aos 81 anos, o sócio-proprietário da Rádio Vanguarda AM 1170 comemora o resultado de sua empreitada, que venceu com o sócio Ronaldo de Souza. Instalou uma emissora, consolidada como referência na região.

Até hoje, a empresa é uma sociedade com os herdeiros de Ronaldo de Souza. A filha de Ulisses, a administradora Valéria Nascimento, atua na direção da Vanguarda.
 

“Quando aqui cheguei, precisava de um sócio. Indicaram o então procurador geral do município. Eu o encontrei e ele topou na hora. Esse é um resumo, mas foi assim que ocorreu”, explica.

Mesmo com os avanços tecnológicos, Ulisses acredita que o rádio ainda sobreviverá por muitos anos. As características inerentes ao veículo, como versatilidade, portabilidade e facilidade em se adaptar aos novos recursos dão essa confiança ao radiodifusor.

Ulisses Nascimento recebeu a reportagem do DIÁRIO DO AÇO em seu apartamento, no bairro Cidade Nobre, quando contou sua história por mais de uma hora. Companheira nos negócios, com quem é casado, Eli Confucius Zoroastro do Nascimento acompanhou a entrevista e, com o devido conhecimento de causa, relembrou fatos históricos.

“Nem poderia ser diferente. Quando nos casamos, um amigo dele emprestou-lhe um rádio, que ele fez questão de levar em nossa lua de mel para o Rio de Janeiro. O rádio passou a ficar integrado à minha vida a partir daquele momento”, brincou.

No entendimento de Ulisses Nascimento, o período atual, que antecede à chegada do rádio digital, um novo sistema de transmissão radiofônica em AM e FM, é determinante para que seja repensada a forma de se fazer o rádio e preparar as adaptações. “Isso já ocorreu antes, com a chegada da televisão, depois com a internet e agora com a tecnologia de alta definição nas transmissões, o HD Rádio”, explica.

Polivalente 
No resgate da sua história no Vale do Aço, Ulisses Nascimento conta que a ideia de implantar a emissora surgiu quando ainda era sócio-fundador da Rádio Itatiaia, de Belo Horizonte, ao lado do idealizador da emissora, Januário Carneiro.

O atual diretor-presidente, Emanuel Carneiro, era muito novo à época e o segundo homem da empresa, desde sua fundação e por muitos anos, foi Ulisses Nascimento. “Diretor-assistente, jornalista, locutor e repórter. Não há um cargo pelo qual não tenha passado na Itatiaia. Ser polivalente sempre foi importante no rádio”, detalha.

Como o mercado na capital já era muito concorrido, a saída para a concretização da vontade de ser dono de rádio era o interior, haja vista que muitas cidades não tinham emissoras. Ipatinga foi uma das primeiras da lista de interesse. Embora aposentado como jornalista 1985, o radiodifusor conta que nunca largou o trabalho.

Deixou a Itatiaia para atuar na Ulisses Nascimento Publicidades, ao mesmo tempo em que lutava para ter a sua emissora no Vale do Aço. “Escolhi o nome Vanguarda em função de sua significação. Estar à frente e integrar o Vale por meio da notícia era a nossa missão. E acredito que a cumprimos. Pensava que, se os municípios vivem juntos, precisam tomar conhecimento de seus problemas e encontrar soluções conjuntas. E olha que nessa época inexistiam termos como região metropolitana, região conurbada e outros. Então, pensamentos vanguardistas imperavam naquele momento e isso justificava o nome da emissora”, assinala.

Disputa

Curiosamente, a mesma emissora da qual foi sócio-fundador em Nova Lima, a Itatiaia veio disputar mercado no Vale do Aço, quando em 1994 colocou no ar uma filial no município de Timóteo. Apesar das dificuldades em se firmar, a filial nunca expandiu plenamente sua atuação em Ipatinga, onde se concentra o maior mercado do Vale do Aço.

A Itatiaia Vale do Aço acabou vendida em 2009 para um grupo em Timóteo, e deixou de pertencer à rede Itatiaia. “Claro que o Emanuel poderia ter seguido o caminho do irmão, Januário que, embora tenha instalado a rádio em Nova Lima, foi atuar em Belo Horizonte, onde estava o maior mercado consumidor. Não existia nenhum acordo de cavalheiros que impedia isso aqui no Vale do Aço, mas não houve esse deslocamento".

"Na verdade, o Emanuel me disse, certa vez, que ficou desanimado com o empreendimento, principalmente porque o terreno onde está instalada a emissora em Timóteo é em regime de comodato. Faltam áreas equivalentes na região e o imóvel da rádio em Timóteo pertence a uma empresa privada, que pode requerê-lo de volta a qualquer momento. Além disso, o sinal atualmente não é competitivo em Ipatinga”, explicou.

Disputa da concessão de rádio em Ipatinga teve nomes de peso

Para o radiodifusor Ulisses Nascimento, a conquista da sua concessão de rádio foi resultado da soma de dois fatores: sua persistência na vontade de ter sua própria emissora e uma série de acasos.

Sem pressa nas explicações e de forma a avaliar o peso de cada expressão, sempre preocupado em ser bem compreendido, o empresário explica que, nos anos 1970, eram muitos os interessados na concessão da emissora de rádio AM em Ipatinga.

O então prefeito, Jamill Selim de Salles, já havia assegurado apoio a um dos concorrentes, um radialista de Governador Valadares. Ocorre que o radialista comprou uma emissora já em funcionamento e desistiu de concorrer em Ipatinga. Surgiu, então, a minha chance de possuir a emissora em Ipatinga”, detalhou.
 

Ainda assim, na abertura do edital eram nove concorrentes. Entre eles, nomes de peso como a Fundação São Francisco Xavier/Usiminas. A proposta apresentada pelo radiodifusor Ulisses Nascimento acabou vencedora e, em 28 de abril de 1982, a emissora era inaugurada para um projeto que seria consolidado em pouco tempo.

Vencidas etapas, como ampliação de potência de transmissão e fixação de uma identidade como uma emissora de Ipatinga para o Vale do Aço, a rádio AM geraria frutos com a mesma sociedade empresarial e, ainda nos anos 1980, surgiram as rádios 95FM e depois a Grande Vale FM, além da TV Cultura. A TV, do sistema educativo, não pertence mais ao grupo.

 
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