09 de outubro, de 2011 | 00:00
Cidade do Menor completa 40 anos
Entidade de Coronel Fabriciano abriga crianças e adolescentes em vulnerabilidade social
FABRICIANO Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente toda criança ou adolescente tem direito a ser criado e educado no seio de sua família e excepcionalmente em uma família substituta que assegure a convivência familiar e comunitária.
Na semana do Dia das Crianças o Vale do Aço continua a contabilizar dezenas de casos de maus tratos contra crianças e adolescentes. Nos casos mais graves os filhos chegam a ser retirados dos pais e levados para um abrigo provisório que, na maioria das vezes, acaba se tornando permanente.
Há 40 anos a Fundação Comunitária Fabricianense (Funcelfa) foi criada para atender e amparar menores em situação de abandono ou maus tratos. Conhecida como Cidade do Menor o trabalho foi iniciado no bairro Caladinho do Meio em Coronel Fabriciano com ajuda de instituições sociais e religiosas e continua a sobreviver graças a doações e verbas públicas.
Natural da Holanda, Theodorus Johannes Adms, se considera um brasileiro desde 1984. É dele a responsabilidade de dirigir a fundação. Bem humorado irmão Theodorus, como é carinhosamente chamado, lembra a forma improvisada como tudo foi feito no início. A ajuda de empresas privadas e a iniciativa do bispo emérito dom Lélis Lara foi muito importante para concretizar esse projeto”, reconhece.
Os problemas emocionais das crianças são o grande desafio para a formação educacional dos internos, conforme o diretor. As crianças muitas vezes não conseguem se concentrar e ter um bom rendimento escolar. Se nos primeiros anos de vida a criança não tem aquela segurança básica, alimento e higiene na hora certa e pais ausentes, provavelmente isso exercerá uma influência negativa”, lamenta.
Adoção
Outro problema enfrentado pelas instituições de acolhimento é cumprir na prática a política de abrigamento onde cada criança não deve ficar mais de dois anos na instituição. Mas segundo a pedagoga Raquel de Ávila há algumas exceções de internos que sem condições de voltar para a família de origem, permanecem por mais tempo na instituição.
A chance das crianças serem adotadas leva em conta o fato de serem recém-nascidas ou de pele clara. As exceções ficam por conta de adoções internacionais ou parentes próximos. São vários os fatores que influenciam nisso, depende do trabalho da Justiça, depende da intenção da família em querer a criança de volta”, explica irmão Theodorus.
Atendimento
No início da história da Cidade do Menor a instituição chegou a cuidar de meninos e meninas infratores conforme determinação da Justiça. Hoje o abrigo atende casos encaminhados pelo Conselho Tutelar. De acordo com a pedagoga Raquel de Ávila Pereira a rotina dos internos é semelhante à de uma casa familiar.
A intenção é que eles vivam mais próximo possíveis de uma realidade de uma casa”, explica. As Casas Lares” como são chamadas abrigam de 8 a 10 crianças sob o cuidado de um casal denominado pais sociais. Atualmente a Cidade do Menor possui em média 26 internos, a idade varia de recém-nascidos até 17 anos. Dentro da Cidade do Menor ainda funciona uma creche e uma escola municipal.
Apesar de tudo que vivi eu consegui suportar e vencer”
Aos 12 anos Cristiane Batista Martins foi morar na Cidade do Menor. Ir morar na instituição foi à saída para não continuar sofrendo mais maus tratos do pai. Cristiane morou por seis anos na instituição e não chegou a ser adotada por uma nova família. Ela conta que o processo de adoção era muito burocrático, mas ela sonhava com isso. Porém o fato de ser adolescente dificultou a adoção. Eu me via no direito de ter uma família”, relembra.
Até os 16 anos Cristiane trabalhava ajudando no refeitório da Cidade do Menor, após essa idade conseguiu um estágio na Associação Comercial. A idade de sair do abrigo estava próxima e Cristiane começou a se preparar para isso.
Havia uma preparação por parte da entidade e você vai crescendo já pensando nisso: ao fazer 18 anos você vai ter que sair”, contou. Com o dinheiro recebido no estágio Cristiane criou uma poupança e foi se preparando para uma nova vida fora da instituição. Ao completar 18 anos as economias proporcionaram os primeiros passos para uma vida independente.
Hoje com sua kitnet mobiliada e recém formada na faculdade, Cristiane espera pelo seu primeiro emprego na área de Psicologia. A escolha pelo curso foi por tudo que viveu ainda no início da sua vida. As pessoas falam que para fazer Psicologia você tem que ter uma boa estrutura, mas apesar de tudo que vivi eu consegui suportar e vencer”, concluiu.
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Luana Aparecida da Silva
01 de novembro, 2023 | 22:52Procuro por rapaz de rio casca Minas gerais bairro Santa Efigênia. Mateus Felipe pereira dias de 24 anos. Filho de Maria Auxiliadora pereira e Aerton Fonseca dias
Desaparecido desde de terça feira 28 de fevereiro de 2023 as 8:30 da manhã”