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20 de outubro, de 2011 | 00:00

“Ninguém ficará impune”

Brasileira luta para colocar na cadeia todos os acusados da morte de sua família nos EUA

Reprodução/ Omaha World-Herald


Tatiane Klein


DA REDAÇÃO – A brasileira Tatiane Costa Klein afirma que apesar da tristeza, foi um alívio a descoberta dos restos mortais de seu meio irmão, Christopher Szczepanik, de 7 anos, ocorrida na quinta-feira (13) e revelada pela polícia de Omaha, estado de Nebraska, na segunda-feira (17) após os exames de DNA confirmarem a identidade da criança. Christopher foi morto junto com os pais, Vanderlei Szczepanik e a mulher dele, Jaqueline Klein Szczepanik, mãe de Tatiane Klein. Tatiane acompanha as investigações desde fevereiro de 2010, quando a família descobriu no Brasil que os Szczepanik tinham desaparecido.
“Tinha uma esperança muito grande de que fossem encontrados. Agora faltam os outros corpos. Jamais quis acusar inocentes, mas quando começaram a surgir evidências, passei a lutar para que as provas fossem encontradas. Agora, acabaram-se as dúvidas”, afirmou a brasileira em entrevista por telefone ao DIÁRIO DO AÇO no começo da noite de ontem.
Dois operários de Ipaba, Valdeir Gonçalves Santos, 30 anos, e José Carlos Oliveira Coutinho, 37 anos, estão presos em Omaha, acusados de serem os autores do crime. Valdeir já confessou sua participação no assassinato da família e relatou a participação dos dois conterrâneos no crime, motivado por desentendimentos salariais entre José Carlos e o patrão, Vanderlei. Um terceiro brasileiro suspeito, Elias Lourenço Batista, de 30 anos, foi deportado dos EUA por falta de provas que inicialmente o ligassem ao crime e está em Ipaba.
Desde que foi preso, em janeiro de 2010, Valdeir negava a participação no crime, mas acabou por confessar tudo depois de ver sua mulher, Wanderlúcia Oliveira de Paiva, depor contra ele e confirmar que ouvira do marido, por telefone, a confissão da morte da família e a desova dos corpos no rio Missouri, que corta o estado de Nebraska.
Mas ainda faltava uma prova material, até então resumida a uma mancha de sangue, encontrada na parte externa do ar condicionado onde o crime ocorreu – uma antiga escola que era reformada para virar um centro missionário da Igreja Assembleia de Deus, uma prova tão tênue que os advogados de defesa dos brasileiros diziam que faltavam elementos para confirmar a versão de Valdeir na incriminação de José Carlos. Após a descoberta do corpo do menino, a busca pelos pais é mantida no rio.
 
Derrubada
Para Tatiane Klein, o encontro dos restos mortais do irmão é representativa, pois derruba a alegação da defesa do segundo acusado no caso, José Carlos Coutinho. Os advogados afirmavam que a versão relatada por Valdeir era fantasiosa e tinha o objetivo apenas de livrá-lo da pena de morte ou prisão perpétua, com o benefício da delação premiada.
Em entrevista ao DIÁRIO DO AÇO, Tatiane Klein confirma que tem esperanças de ver no tribunal, em Omaha, o terceiro ipabense envolvido no caso, Elias Lourenço. A brasileira disse ter expectativa que a extradição dele seja resolvida do ponto de vista diplomático. “O pedido de extradição é preparado pelo governo dos Estados Unidos. Se isso não for resolvido pelas vias diplomáticas retornarei ao Brasil para lutar por justiça. A gravidade do crime que eles cometeram não pode deixar nenhum deles impunes. Ninguém ficará impune nesse crime”, reitera.
Tatiane Klein ainda não definiu quando retornará ao Brasil, pois no começo de 2012 será julgado o segundo acusado no crime, José Carlos Oliveira Coutinho, agora apontado como o mentor do crime. Coutinho era homem de confiança de Vanderlei, mas desentendeu-se com o patrão por causa de cortes no salário que recebia. Para a polícia, ele aproveitou-se do fato de ser credor dos dois conterrâneos - Valdeir e Elias – a quem tinha emprestado dinheiro para a viagem da imigração ilegal, para convencê-los a vingar-se de Vanderlei.
“Vou lutar para que o terceiro envolvido seja trazido para o julgamento também. É um brasileiro que matou brasileiros e isso não pode ficar sem uma punição”, concluiu.
Enquanto não tem a definição do caso, Tatiane Klein vive nos Estados Unidos com a ajuda de familiares e conhecidos, entre eles o também brasileiro João de Brito, professor de Christopher em um curso de reforço escolar. A brasileira confirmou que entrou com a documentação junto ao serviço de imigração que deve ficar pronta na semana que vem e, então, ela poderá trabalhar para se manter nos EUA até o julgamento do segundo acusado. 
 
Silêncio
Em abril de 2011, quando desembarcou em Ipaba, deportado dos Estados Unidos, Elias Lourenço falou com a reportagem do DIÁRIO DO AÇO. Ele negou que soubesse qualquer coisa acerca da morte da família. “Eles saíram em um dia e desapareceram. Não sei o que aconteceu”, disse Elias, que reclamou muito do sofrimento que enfrentou nas mãos dos coiotes na Guatemala e no México. Entretanto, depois da reviravolta no caso, Elias não quis mais falar com a reportagem.
O QUE JÁ FOI PUBLICADO SOBRE O ASSUNTO:
Corpo de menino assassinado é encontrado em rio nos EUA - 19/10/2011
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