21 de outubro, de 2011 | 00:00

Escavações causam deslizamento de terra no Chácaras Madalena

Bruna Lage


Sofá

IPATINGA – O empreendedor do loteamento localizado no bairro Chácaras Madalena garante que está providenciando as adequações determinadas em ação judicial no empreendimento. As escavações no loteamento ocasionaram um deslizamento de terra, que invadiu casas próximas ao terreno durante o vendaval que atingiu a região na segunda-feira (17).
Para os moradores, era um estrago anunciado. Na rua Mil Folhas, por exemplo, moradores ainda retiram terra e lama do interior de suas propriedades. As famílias tiveram seus pertences inutilizados por conta da invasão de lama e água.
A casa da moradora Maria José Pereira Costa ficou cheia de barro e galhos. “Perdi móveis, geladeira, material escolar e roupas do meu filho, além de calçados. Isso, somado ao transtorno e ao desespero de ver toda aquela sujeira entrando em minha casa. Tudo isso ocorreu muito rápido, estava fazendo um bolo quando vi muita água entrando, feito um rio. Desde segunda-feira estamos tentando limpar e ver o que restou de nossos bens, mas acho que não dá pra recuperar nada”, lamentou.
Maria José conta que a Defesa Civil esteve no local, e informou que iria tomar as medidas cabíveis. Em nota, a prefeitura relata que o proprietário do loteamento será acionado judicialmente para a reparação dos danos nas residências que contabilizaram prejuízos.
 
Bruna Lage


fogão
Temendo a ocorrência de algo ainda pior, com o início do período chuvoso, os moradores chegaram a fazer um protesto. Depois de fecharem a rua na quarta-feira, queimaram pneus e pediram pressa nas providências para evitar mais prejuízos. O Ministério Público garante que não está de olhos fechados para o problema ambiental gerado.
 
Uma Ação Civil Pública, de autoria da Promotoria de Justiça do Meio Ambiente, já foi instaurada por causa da movimentação de terras em uma área classificada como de proteção ambiental. No dia 24 de agosto passado, o juiz de Direito Fábio Torres de Sousa, ao acatar o pedido de liminar na ACP, ordenou que os proprietários parassem imediatamente com as obras e a comercialização no loteamento, haja vista que tal prática poderia ocasionar assoreamento e danos à terceiros.
Na decisão, também foi determinado que a administração municipal embargasse a obra e os reparos fossem executados por conta do empreendedor. Mas não houve tempo para a adoção desses procedimentos.
Desde segunda-feira, Maria José mora com o filho e o marido em uma casa alugada no próprio bairro. “Por enquanto, estamos nesta casa, mas está muito difícil, uma vez que não temos nem lugar para guardar as coisas. As roupas que sobraram estão sobre a cama e a geladeira não funciona, pois a água afetou a parte elétrica”, pontuou.
Bruna Lage


Maria José

Providências
Segundo Antônio José Callili Naid, um dos réus na ACP, providências estão em curso desde o dia 19 deste mês. “Estamos fazendo desvios para que a água e possíveis deslizamentos escoem para outro local. Além disso, vamos plantar grama no local, para que a terra fique mais compactada e não deslize”, declarou.
Callili disse ainda que as adequações foram feitas em cerca de 500m, de um total de aproximadamente 1500m. Os três réus da ACP têm um prazo de 24 meses para realizar tais adequações. Em relação ao prejuízo dos moradores, Callili afirma ter doado colchões e liberado dinheiro para Maria José comprar mantimentos.
De acordo com Callili, seu nome consta injustamente na ACP. “Eu vendi o terreno, que hoje pertence a cerca de 78 pessoas, tendo recibo de venda e tudo mais.” Entretanto, as obras estão sendo custeadas por Callili, e executadas pelo presidente da Associação de Moradores de Chácaras Madalena, Cristiano da Silva, que declarou ter recebido uma autorização da prefeitura no dia 5 de outubro para entrar no terreno. “Por ser um local particular, tivemos que aguardar tal autorização para providenciar as adequações”, explicou.
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