27 de outubro, de 2011 | 00:00
Humilhação e desrespeito incomodam profissionais
Rotina dos garis é marcada por falta de educação e de conscientização da população
IPATINGA A exemplo da realidade enfrentada pelos garis no município de Timóteo, retratada pelo jornal DIÁRIO DO AÇO na edição do domingo (23), a situação vivenciada pelos profissionais que realizam a limpeza urbana em Ipatinga também é marcada por uma série de dificuldades durante o exercício de suas rotinas de trabalho.
Segundo o gerente Lélis Antônio Carlos, da empresa Vital Engenharia Ambiental, concessionária do serviço de limpeza no município, o desrespeito imposto aos trabalhadores nas ruas e os perigos a que estão submetidos são motivos de preocupação.
Temos em média de quatro acidentes por mês com garis que se machucam ao recolher o lixo e são surpreendidos pela presença inesperada de objetos perfurocortantes descartados de maneira imprópria. Além disso, o preconceito com estes trabalhadores nas ruas é algo que pode ser considerado um absurdo”, declarou. Em Timóteo, de cada 10 acidentes com coletores de lixo, nove são causados por objetos como cacos de vidro, vergalhão, entre outros.
Além do perigo de serem contaminados por doenças como Aids e hepatite, ao serem feridos por agulhas jogadas no lixo sem nenhum tipo de cuidado, o gerente da Vital alertou que é comum ouvir dos funcionários reclamações sobre ações desrespeitosas vivenciadas com frequência. É uma prática que insiste em se manter. Uma parcela da sociedade parece não enxergar o papel fundamental que os garis exercem para o bom funcionamento da cidade. Diante disso, humilham, caçoam e desrespeitam estes trabalhadores de maneira indiscriminada. Quero fazer um apelo para que essa situação seja alterada”, reivindica Lélis Antônio.
Desrespeito
Como exemplo dessas práticas discriminatórias, o gari Jurandir Pedro da Silva confirmou as reclamações feitas pelo gerente da Vital. A gente anda na rua para recolher o lixo e tem motorista que joga o carro em cima. Além disso, inúmeras pessoas nos chamam por apelidos ou fazem brincadeiras sempre no sentido de nos sacanear. Não tem como não se sentir humilhado”, revela o profissional.
Ele também já foi vítima de três acidentes com objetos perfurocortantes. Por duas vezes, eu cortei meus dedos ao pegar o lixo cheio de cacos de vidro e, uma vez, eu furei minha mão por causa de uma agulha de seringa descartada sem o menor cuidado”, completou o gari.
De acordo com Lélis Antônio Carlos, a população deve ficar atenta para as sanções previstas na Lei Nacional de Resíduos Sólidos. Caso aconteça um acidente mais grave, a pessoa responsável por aquele lixo despejado de maneira incorreta pode ser responsabilizada criminalmente. Não custa nada ter um pouco de cuidado na hora de se jogar fora cacos de vidro, agulhas e demais objetos”, conclui.
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