15 de novembro, de 2011 | 01:02
Brasil: 122 anos de República
Comemorada hoje, Proclamação marcou o fim do período imperialista no país
IPATINGA - A Proclamação da República, que ocorreu no dia 15 de novembro de 1889, marca o fim do período imperial no Brasil. O país era governado por Dom Pedro II, que exerceu o poder absoluto durante 49 anos. A proposta de um regime republicano já vinha sendo manifestada ao longo da história, por meio de diferentes revoltas populares.
A reportagem foi do DIÁRIO DO AÇO foi às ruas e constatou que nem todas as pessoas sabem o que representa a data. Muitos sabem da existência do feriado, mas desconhecem seu significado.
Inteirado da história do país, José Faustino Bueno, morador do bairro Iguaçu, é uma exceção. José entende que, nesta data, comemoramos o dia em que a República foi proclamada, uma vez que tínhamos um sistema imperialista e passamos para República”. Mas, se formos analisar, vivemos em tese essa democracia, haja vista a falta de vontade dos governantes para que ela aconteça de fato”, opina.
Já para Werley Fernandes, o Brasil deixou de depender de Portugal, passando a ser um país democrático, onde o povo passou a ter voz e vez”. De acordo com a professora de história, Elizabete Freitas, a data representa a esperança que o povo tinha em dias melhores. Desde a sua independência, em 1822, o povo almejava a conquista dessa forma de governo.
No entanto, tal acontecimento foi fruto de um arranjo político entre Dom Pedro II e a classe dominante do Brasil, que não queria perder seus privilégios. Tudo aconteceu debaixo dos panos, sem que a população soubesse de fato do que se tratava”, pontua.
No ano de 1888, a abolição da escravidão deu o último suspiro à monarquia brasileira. O latifúndio e a sociedade escravista que justificavam a presença de um imperador enérgico e autoritário não faziam mais sentido às novas feições da sociedade brasileira do século XIX. A proclamação foi consequência de um governo que já não possuía base de sustentação política e não contou com intensa participação popular.
O momento foi um ato isolado, onde o Marechal Deodoro, - a patente marechal já diz tudo -, junto com os militares, se uniu com a classe dominante e proclamou a República da forma como eles queriam. A intenção deles era não impedir que a proclamação fosse democrática, da forma que o povo desejava”, disse Elizabete Freitas. Em 17 de novembro, Dom Pedro II partiu com a família para a Europa. Terminava assim o regime imperial brasileiro, que durara sessenta e sete anos.
De 1889 a 1930, na chamada Primeira República, o Brasil continuou com imensas desigualdades. Fazendo um comparativo com o cenário político atual, Elizabete diz que a corrupção existente no processo que tornou o país uma República, ainda existe em 2011. O entra-e-sai de ministros é um exemplo disso. As pessoas estão sempre preocupadas em tirar vantagem em tudo, como aconteceu em 1889, o que permanece ainda hoje, diante de tantos escândalos e denúncias, que derrubaram seis ministros somente neste governo”, exemplifica.
Passados 122 anos, a concretização da República, na opinião de Elizabete, ainda é um processo em construção. De acordo com a professora, as pessoas têm que perceber que não só os governantes fazem a história. A história é um processo e todos contribuem para ele.
Essa consciência força o interesse e, assim, as datas históricas passam a ter mais sentido. É muito importante que cada brasileiro reconheça a necessidade de exercer a sua cidadania, de participar de movimentos de bairros, de movimentos de igrejas, de conselhos, porque é nesses espaços que estamos participando e lutando por um país melhor”, finaliza Elizabete.
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