06 de janeiro, de 2012 | 00:00

Dia Mundial do Braille lembrado com os desafios a ser superados

Apesar de grandes avanços, portadores de deficiência visual enfrentam dificuldades no dia a dia

Wesley Rodrigues


luiz alves ribeiro

IPATINGA - Na semana em que é comemorado o Dia Mundial do Braille (4 de janeiro), o sistema de escrita e leitura para portadores de deficiência visual, representantes da Associação dos Deficientes Visuais de Ipatinga (Adevipa) alertam para a necessidade de melhorar as ações socioeducativas por parte do poder público.
“Há grandes avanços para pessoas com deficiência visual na sociedade contemporânea. A era digital, inclusive, tem proporcionado isso. Mas ainda há barreiras a serem derrubadas. O cego não tem a devida atenção que precisa e sofre preconceitos em todas as esferas sociais”, comenta Luiz Alves Ribeiro, 54 anos, deficiente visual e presidente da Adevipa.
Nascido na região, Luiz aprendeu o sistema Braille no Instituto São Rafael, em Belo Horizonte, em 1973. Segundo ele, era a única escola na época com educação especial para pessoas cegas. Luiz acredita que o deficiente tem um papel importante na luta contra o preconceito. “O deficiente visual precisa sair às ruas, deixar seu confinamento. A sociedade precisa conhecer mais as suas dificuldades e limitações”, enfatiza.
Mas há problemas sociais e históricos que precisam ser combatidos, aponta Maria da Consolação, 53 anos, assistente social da Adevipa. “Há famílias que, por falta de informações, prendem os filhos deficientes em casa, e não buscam ajuda, tratando-os como inválidos”, afirma. “A autoestima é algo que o deficiente só conquista quando ele é aceito, quando ele percebe que tem seu espaço”, destaca.

Geraldo Silvério Bastos (57), mais conhecido como “Fumaça”, por sua vez, fala das dificuldades pessoais que enfrentou. “Fiquei cego há sete anos, devido a um acidente. Eu tive a iniciativa de buscar ajuda, procurei uma instituição que ensinasse o braille e o que garantisse minha independência. Mas minha família foi totalmente contrária à minha decisão. Queriam que eu ficasse em casa, trancado no quarto”, declara um dos patronos da instituição.

Maria da Consolação afirma que outra dificuldade é a captação de recursos, uma vez que equipamentos são muito caros. Segundo ela, uma máquina de datilografia em Braille custa hoje R$ 3 mil e uma impressora desse sistema está acima de R$ 30 mil. Tais fatores representam entraves para as instituições de ensino.

Ela defende maior participação do poder público na atenção e integração de pessoas com deficiência. “São necessárias políticas públicas mais abrangentes voltadas aos deficientes visuais. Mais recursos que custeiem profissionais para trabalhar a reabilitação e inclusão social, dando assistência à família e demais pessoas que cerceiam o indivíduo com deficiência”, pontua.
Wesley Rodrigues


maria da consolação

Integração
A Adevipa foi criada em 2005 por Luiz Alves Ribeiro, Geraldo Silvério Bastos, e demais pessoas que tinha como finalidade proporcionar a integração social dos deficientes visuais. A associação oferece atendimento psicológico, assistência social e jurídica, encaminhamento profissional, além de aulas de violão, artesanato e informática, e o sistema Braille. A Adevipa e a Escola Municipal Altina Olívia Gonçalves por meio do “Projeto Contato”, no bairro Iguaçu, são as únicas instituições no município voltadas às pessoas com deficiência visual.
Sistema Braille
Criado pelo francês Louis Braille, nascido em 4 de janeiro de 1809 e que perdeu a visão aos 3 anos, o sistema permite as pessoas com cegueira total ou parcial ler por meio do tato. Baseado na combinação de seis pontos dispostos em duas colunas e três linhas, o sistema permite a formação de 63 caracteres diferentes, que representam as letras do alfabeto, os números, símbolos científicos, da música, fonética e informática.
Com apenas um toque, o cego percebe os pontos em relevo ao passar os dedos da esquerda para a direita. O sistema Braille chegou ao Brasil em 1850, pelas mãos do jovem cego José Álvares de Azevedo. A partir da década de 1940, passou a ser usado em livros.
Serviço:
Adevipa
Rua Ataulfo Alves, nº 70, Bairro Ideal, Ipatinga/MG.
Telefone: (31) 3824-1227.
 
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